segunda-feira, 31 de agosto de 2015

38 - Leito...



 

Vazio,
clama como uma armadilha,
pelo movimento sedutor
nossos corpos,
saudade do reencontro
perdido no tempo
vontade dilacerante
reencontro carnal,
da perfusão das almas
que habitam em nós,
geme por nós
cada um
na ânsia
de amar
deduzida
distancia,
que nossos
corpos castiga
mãos ausentes
trémulos corpos
ávidos de beijos
carentes desejos,
possantes vontades
de dar corpo a verdades
que amor é uma loucura
carente que dura
a verdadeira eternidade,
expoente máximo da loucura
na sofreguidão da armadilha
onde a saudade alicia,
aos prazeres de novo dia!
Alberto Cuddel
 
 


domingo, 30 de agosto de 2015

Sedução da Noite,


Não se fiquem pelas promessas da noite,
Assumam por inteiro o dia em vossas vidas,
Na noite cegamos pela paixão da parca luz,
No dia assumimos a visão global do todo,
Do bem e do mal, desejo e contradição,
A cima de tudo o dia é já decisão!..
 
 
Alberto Cuddel
 


sábado, 29 de agosto de 2015

Janela de Luar




Janela de luar…

Segue a noite plena de teu corpo,
Prateado reflexo de tuas curvas,
Inundas-me o olhar, louca sedução,
Nas eróticas sombras projectadas,
Pela ténue luz de ter ser emanada,
Lua mulher, abrigo dos amantes,
Noites quentes, perdidas, 
Encontradas por ti em teu seio,
Testemunha silenciosa dos gemidos,
Das juras, das trocas de fluidos,
Mãos que se cruzam no ar em ti,
Corpos que rolam no chão,
Ao som silencioso do teu
Quente e prateado luar!

Alberto Cuddel

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Que esperas?


Que esperas?
 
Esperas do tempo uma resposta,
Esperas do tempo uma atitude,
Reclamas, balbuciando do tempo,
Reclamas, agastado pelas atitudes,
Reclamas do tempo que faz,
Do estado das coisas,
Das coisas do estado,
Do estado da saúde,
Do estado da educação,
Da educação do estado,
Do estado civil,
Dos civis que trabalham para o estado,
Do estado do trabalho,
Da falta de trabalho,
Do pagamento do trabalho,
Mas com tanta reclamação,
Ainda continuas sentado?
Afinal, como chegamos a este estado?
Se reclamamos e nada é mudado,
Talvez seja tempo,
De mudar de estado!...
 
Alberto Cuddel

Família ameaçada!...







Família ameaçada!...

Ontem…
Mulher casada, empregada arrumada,
Sai o homem a trabalhar, casa arrumar,
Roupa para lavar, chega, janta preparada,
Conversa de treta, dinheiro da jornada,
Pernas abertas, voltou a emprenhar,
Mais um filho a cuidar, fraldas a lavar,
Ensinar, educar, lavar, passar, arrumar,
Há noite a janta, chega conversa da treta,
A sogra doente, a mãe dormente, até o velhos,
Roupa a reparar, o campo a regar, ai os joelhos,
Escrava, da vida, do tempo, ao domingo,
A missa, os miúdos, mas nada de demorar!

Hoje…
Mulher casada, casa desarrumada,
Chega a casa do longo trabalho,
Depois de ir à escola e infantário,
Entra a porta com razão chateada,
Marido chegou cedo, e jantar nem vê-lo,
Mesmo que queria não sabe fazê-lo,
Fruto da educação da mãe de ontem,
Para não estar a ouvir sai ao café,
Com tanta cerveja ainda de pé,
Volta a casa já bastante anestesiado,
Cai na cama, amanhã é feriado,
Flores, cinema, prendas, para quê,
Se me quisesse agradar esperasse a pé,
Homem que assim espera e se dedica ao ócio,
Ao outro dia só um caminho, o divórcio…

Sonho…
Casal casado, casa que é lar,
Ele chega primeiro, lá está o jantar,
Os filhos, planeados, bem-educados,
Nem os sapatos fora, todos arrumados,
Tarefas partilhadas, tempo da namorar,
O tempo, mesmo que escasso, dá para falar,
Sair, passear, viver, criar, sonhar,
Dá até para ao fim do dia ver o sol pôr,
O tempo dá para tudo, até fazer AMOR!

Se hoje os dois decidirem sonhar,
A felicidade não é uma miragem,
E a família unida se irá sustentar!

Alberto Cuddel
(Casei por Amor, pois não tinha interesse nenhum na empregada de ontem)

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Desafio 1º Dia Facebook

 
Atendendo ao convite do meu amigo Leandro Amador para participar na Difusão da Arte Poética, cumprindo as regras, publicarei um poema por dia durante quatro dias. Em cada publicação convidarei 4 amigos/as para procederem como me foi proposto. Convido no meu 1º dia os seguintes poetas:
Vita Guapo
David Marques
Liska Azevedo
Angela Caboz
 
Recebe-me apenas em teus braços,
Deixa-me dormir em teu regaço,
Quero apenas acabar com cansaço
Estampado em mim, finos traços,
Desgaste outonal, corrida veraneia,
Noite serena, preenchida lua cheia!
 
Recebe-me apenas em teus braços,
Como os filhos no ninho a cotovia,
Reforça hoje amor os nossos laços,
Afaga-me os cabelos, forma lascívia,
Beija-me, demora-te, volta amar-me,
Recebe-me, agora, volta a beijar-me!
 
Recebe-me apenas em teus braços,
Confirma-me de novo com ontem,
Renovadas que estão os sonhos,
Os novos quereres que agora existem,
Assim me dou, com apenas um pedido,
Recebe-me apenas em teus braços!

terça-feira, 25 de agosto de 2015

Mulher!


Segura de si, firme vontade,
Confiante no teu estado de mulher,
Sabes quem és, sabes ser,
Firme aura que teu ser emana,
Inviolável perseguição ao sonho,
Azul celeste que em ti perdura,
Luz que reflete a contagiar,
Agir, transformar, acreditar,
Olhares que te seguem,
Que te perseguem,
Trono divino da humana criação,
Ventre perfeito, humana geração,
És jardim florido na primavera,
És a chuva do frio inverno,
És raio de sol no calor do verão,
És fruto maduro no outono,
És tímida, delicada e sonhadora,
Forte, decidida, edificadora,
Mãe, amiga, esposa, amante,
Incansavelmente constante,
Porto seguro de amor ardente,
Teu sorriso, cansado, confiante,
Mesmo assim mulher sedutoramente
Bela e definitivamente certa,
Que ninguém lhe fica indiferente!
És mulher decidida, firme vontade,
Segura entre outra gente!
Alberto Cuddel

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Amanhecer em mim,

Amanhecer em mim,
 
Sou, despido de qualquer capa,
definho na tua ausência,
anoiteceu em mim,
na falta da tua luz,
no gélido querer,
corpo coberto pelo teu,
espero em vão na noite,
certo que amanhecerei em ti,
quieto, palpitante coração,
sôfrego choro, clamor,
arde por dentro, saudade,
conto horas, minutos, segundos,
na memória, o beijo, e o estrondoso,
ruído do bater da porta,
fechou-se em mim,
consciência de não te ter,
velas que ardem em silêncio,
num corpo mal despido,
trémulo, ressacado pela falta,
pela abstinência do teu,
teu calor, tua paixão,
teu amor…
Fico, tremendo na espera,
que amanheças em mim!
 
Alberto Cuddel
Sedução e Erotismo – 25
24-08-2015

 

terça-feira, 18 de agosto de 2015

Saudades de Mim!

 


Saudades de mim!
Tenho saudade das estrelas,
Da noite que as trazem,
Agora de partida, ó sol,
Longa calmaria em que te deitas,
Adormece sereno, traz-me a noite,
Deleite supremo, lençóis estrelados,
Só com a areia e com a espuma
Mar que canta apenas em mim,
Não é solidão, é a vastidão,
Águas, apenas comigo estar,
Que venhas, sim que venhas,
Quando  na alta da noite,
Sobe o fogo do meu corpo,
Ao brilhante luar,
Eu me encontrar perdida,
No desejo de tua, salgada
E terna companhia!
 
Alberto Cuddel

A Carta!


Lisboa, 18/08/2015

 

Boa tarde amada, já algum tempo não te escrevia, talvez por descuido, talvez por humana cobardia, pelo receio de declarar, de permanecer escrito. Tanta coisa se passou desde a minha última missiva, tanta água correu debaixo da ponte, movimentou moinhos, passado, todos os nossos mais ternos momentos, os desencontros, os pequenos arrufos, as discussões (que já quase não temos tempo para isso), as pazes feitas, ai fazer as pazes. Mas sabes, continuo a escrever poesia, a todo e a cada dia, por ti, para ti, por mim, ou por ninguém. Dia após dia a publico, dando a conhecer, o meu dom, o que me move e alimenta. Sei que os lês, e que tantas vezes comentas-me em privado, que me corriges, que me das alento, que me pedes este ou aquele tema, que me encontras imagens. Mas amor, as vezes sinto-me desiludido, pois hoje, sinto que perco a cada dia, o toque, o impulso transmitido às pessoas que me leem, pois os comentários são menos a cada dia, os likes são espaçados, e sempre das mesmas pessoas. Só tu amada minha me consolas, deixa para lá dizes, talvez tenhas razão, o facto de sermos quem somos, como somos, como nos apresentamos inibe quem me lê a comentar, talvez seja isso quem sabe…

 

Mas nada disso importa, hoje mais uma vez renovo e escrevo, a decisão que há mais de 20 anos tomei.

Hoje, escolho-te novamente a ti, como a pessoa que amo e com quem decidi partilhar a minha vida!

 

Alberto Cuddel
 
 

Tristemente parti!

Tristemente parti!
 
Parti como tantos outros loucos mortais,
Procurando vida, sorte em outros locais,
Dor que carrego em meu peito, saber-te,
Tristemente só, como perdida, levar-te,
Desejo, que te deixei prometido na partida,
Nessa louca, dolorosa, chorosa despedida,
Vida, não era vida, sobrevivíamos,
O pouco que tínhamos, dividíamos,
Doí, mas melhores dias virão,
Agora com trabalho, ganho tostão,
Para que amanhã, as lágrimas, sequem,
Se transformem em sorrisos, e além,
Teus olhos encontrem os meus,
Nossos lábios toquem os céus,
E te possa trazer comigo!
 
Não fiques triste,
Seca as lágrimas,
Amanhã regressarei,
Não, não aí ficarei,
Mas irei trazer-te comigo!
 
Alberto Cuddel

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Amo-te agora!

 
Amo-te agora!
Não interessa o lugar, a hora,
Certa, certeza, alma inquieta,
Fome de ser, vontade opressora,
Eu, tu, nada existe, luz violeta!
 
Somos fruto do desejo da entrega,
Firme abraço, que nos aconchega,
Lábios mordidos, amplos beijos,
Mãos inquietas, revelando desejos!
 
Aqui, agora, já, sem partir, sem chegar,
Força, vontade, avidez, um querer amar,
Almas que brilham e transpiram à média luz,
Ocultas no tempo, no desejo que as seduz,
Indiferentes ao mundo, sujo e imundo,
Só eles existem, só neles persistem,
Os quereres, as vontades, os desejos,
A troca de fluidos, carícias e beijos,
Amam-se em segredo,
Ocultos a um canto,
Não por qualquer medo,
Mas pelo encanto,
De se amarem,
Assim, onde deu a vontade,
De proclamar,
Não é apenas sexo,
É amor de verdade!
 
Alberto Cuddel

Moça feita mulher


 
Pé ante pé, assim caminha segura, entre as flores do jardim,
Na imponência da sua juventude, lago de águas cristalinas,
Moça feita mulher, por entre serenas e verdes ervas,
Rosto resplandecente, na tua cândida e terna inocência,
Embriagada no perfume luxuriante do florido jardim.
 
Reina o equilíbrio e perfeição, brisa ligeira nos cabelos,
Quadro perfeito, esperas, como quem espera descobrir,
A embriagues de uma paixão, movimento de águas claras,
Ondas sincronizadas, como pedra caída no lago,
Denso corpo virginal, no olhar cândido e arrebatado!
 
Corpo trémulo, quente e fervilhante, escondes em ti,
Promessa fulgurante, a amorosa moça, mulher feliz,
Há noite sonhas, palavras que te circulam no palato,
Os perfumes floridos, doces, dão lugar, se transformam,
Na avidez do másculo toque que teu corpo anseia!
Alberto Cuddel

domingo, 16 de agosto de 2015

Espero


Espero,
 
Não sei quanto tempo demoras,
Se no espaço de um bater de asas,
Ou com a chegada das amoras,
Saibas apenas que te espero,
Pelas juras de amor eterno,
Pela segurança da tua voz,
Pelo amor com que te entregaste,
Saibas tu, que assim te espero,
Venham dias, venham noites
Venham invernos, primaveras,
Encontros, despedidas à janela,
Cartas, bilhetes, mensagens,
Partidas, chegadas, viagens,
Espero, por te saber,
Integralmente meu!
 
Alberto Cuddel
 

sexta-feira, 14 de agosto de 2015

Assim se põe o sol,

Põe-se no distante poente o sol,
Numa calma maresia de agosto,
Brisa tardia, afaga-lhe o leve rosto,
Olhar distante, mortiço, vazio,
Pleno, ausente no voo da gaivota,
Prende-se por nada, numa lágrima,
Que rola e desenrola, como ondas
Enroladas da areia, de uma partida
Vida que hoje te afasta, me mata
Na saudosa e desesperante partida
Calma, serenamente calma,
Num vai e vem, das aguas,
Que me lavam os pés,
Que apenas ontem, lado a lado,
Caminhavam a teu lado!
 
Alberto Cuddel

quinta-feira, 13 de agosto de 2015

Tributo a Alexandre O'Neill

Amigo
 
Mal nos conhecemos
 Inaugurámos a palavra «amigo».
 
«Amigo» é um sorriso
 De boca em boca,
 Um olhar bem limpo,
 Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
 Um coração pronto a pulsar
 Na nossa mão!
 
«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
 Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
 
«Amigo» é o erro corrigido,
 Não o erro perseguido, explorado,
 É a verdade partilhada, praticada.
 
«Amigo» é a solidão derrotada!
«Amigo» é uma grande tarefa,
 Um trabalho sem fim,
 Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!
Alexandre O'Neill, in 'No Reino da Dinamarca'
 
 

Virtual amigo…
Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».
«Amigo» é um aceitar
Um “clik”, um teclar,
Um dar-se a conhecer
É abandonar, falsas amostragens,
É abrir um coração,
Oferecer uma palavra!
«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
 Os que não aceitam solicitações?)
«Amigo» é o contrário de conhecido!
 
 «Amigo» é o erro visto,
 E do nada, comunicado, corrigido,
 É a virtualidade partilhada, praticada.
 
«Amigo» é acabar com uma solidão,
Mesmo que esteja sozinho em casa!
 
«Amigo» é uma grande tarefa,
É estar disponível on-line,
É ajudar sem estar lá,
É não perder tempo,
É tornar um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!
Alberto Cuddel

Mãos Ocupadas

Noite, não sei onde caiu,
Dia, não sei onde escapou,
Por entre os dedos,
Que ocupados estavam,
Com as mesquinhezes
Quotidianas da vida... 
Que se perderam nas futilidades,
Subservientes à mera sobrevivência
Dedos, mãos, saudosas
Do afável afagar dos teus cabelos,
Do toque dos teus lábios,
Do luar no brilho no teu olhar,
E a noite aqui, inflamando
Envolvendo nossas vidas
Nossas almas gêmeas,
Na profusa forma de amar!
 
Alberto Cuddel

terça-feira, 11 de agosto de 2015

Travessia do deserto



Despeço-me da vida conscienciosa,
E ingloriamente, adormecida, sonhada
Revolvida nas areias soltas
Árido deserto de seres pensantes,
Que buscam certezas a cada fino grão,
Arrastado pelos ventos das discórdias!
Árida paisagem ponteada por oásis
Alegada sabedoria e tolerância,
Viajem inóspita, tal travessia
(Arrasto-me, desesperadamente)
Ao acordar, uma gaivota, ares frescos,
Vagas de um discurso entendível,
Filosoficamente coerente, assistido,
Nas rochas, escutas-me, eu escuto-te,
Do sonho, as palavras, deram em (a)mar!


Alberto Cuddel


Tributo a Manuel Maria Barbosa du Bocage, 15 Set 1765 // 21 Dez 1805

Tu, Vã Filosofia


Tu, vã Filosofia, embora aviltes
Os crentes nas visões do pensamento,
Turvo clarão de raciocínios tristes
Por entre sombras nos conduz, e a mente,
Rastejando a verdade, a desencanta;
Nem doloroso espírito se ilude,
Se o que, dormindo, creu, crê, despertando.
Até no afortunado a vida é sonho
(Sonho, que lá no fim se verifica),
E ansioso pesadelo em mim, que a choro,
Em mim, que provo o fel da desventura,
Desde que levantei, que abri, carpindo,
Os olhos infantis à luz primeira;
Em mim, que fui, que sou de Amor o escravo,
E a vítima serei, e o desengano
Da suprema paixão, por ti cantada
Em versos imortais, como o princípio
Etéreo, criador, de que emanaram.

Bocage, in 'Ao Senhor Joaquim Severino Ferraz de Campos (Epístola - excerto)'

Tu, Vã Ciência


Tu, vã ciência, embora aviltes
Aos descrentes de uma outra fé
Em teses e hipóteses publicadas
Sem que provada seja por essa gente
Arrastas a verdade pelo pântanos do saber,
Na ilusão que na fé nada existe,
Mas não me iludo eu ser pensante,
Que de ti vem escrevente e bem-falante,
Apenas o recebo como complemento,
Se na vida tudo é sonho,
Adormeço, creio e vivo, no acordar possante,
(Sonho, que lá no fim se verifica),
Que pesadelos são reais.
Afastai-me desses males, alguns até mortais
Que ao acordar agora gritando,
A infantilidade e inocência com que me dou
No convívio sou traído, bebendo fel
Desencanto, com que me atrais,
Buscando apenas proveito,
Nos versos, emanados, escritos,
Onde buscas vaidade!...

Alberto Cuddel




segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Na mesa da sala uma orquídea...

Na mesa da sala uma orquídea

Na mesa da sala,
Na pequena mesa da sala uma orquídea,
Florida, qual primavera,
Indiferente, ao calor que se faz sentir,
Do lado de fora da janela!

Na mesa da sala,
Repouso o olhar, cansado, distante,
Parcas horas de um diurno sono,
Podia dormir, como podia,
Sentado na velha poltrona,
Onde desenhei sonhos,
Onde sonhei conquistar as palavras,
Rios de poesia, marés distantes de versos,
Que versejo num sonhar!

Na solidão deste solitário momento,
Onde me permito desligar, do físico mundo,
Das constantes da vida,
Da edificação da conquista,
Sinto-me,
Verdadeiramente sinto-me,
Eu… conquisto apenas o meu eu…
Imobilidade da alma,
Sem viagens alucinantes do tempo
Sem passado, sem presente,
Sem um futuro distante e ausente,
Ainda não pensado…

Na mesa da sala uma orquídea,
Real natureza, máximo da beleza,
Onde ainda me permito descansar!


Alberto Cuddel



domingo, 9 de agosto de 2015

Teia Virtual

 

Enfileirei-me, estudei o mercado,
Enredei-me em redes e teias,
Teias finamente tecidas, e colocadas
Estrategicamente publicadas
Num horário, testado, para,
Que o isco, escrito, habilmente
Lançado, na rede sedutora,
De uma tristeza carente
Que te seduz habilmente
Nos instintos maternais,
Mulher,
Cruamente desprezada,
Perdida no sonho
De apenas ser amada,
Na retribuição carinhosa
Da atenção dispensada,
Há presas fáceis, da ardilosa
Armadilha,
Sob uma falsa montada
Capa descarada,
De uma liberdade imposta,
Seguro de si, o lobo,
Na capa de cordeiro armado,
Tece teias com seus tentáculos,
Enreda, tece, prende emocionalmente
Cada uma das presas, ensaiando,
De Estocolmo a síndrome,
De assumir para si
Papel de vítima!
 
Ó ardilosa e matreira conquista,
Na visão intimista,
De ver as suas
Enfileiradas presas
Presas a si pelo virtualmente
Seguro sentir, comendo-se vivas
Umas as outras, apenas para elevo
De um macho e louco, alter-ego!
 
Ó cruel, vil e triste manha,
Preso te encontras,
Na tua entorpecida liberdade,
Pela vaidade do engano!
 
Não, não sou melhor,
Maior ou diferente,
Ensaiei, tenho olhos, sou gente,
E tenho em mim, comigo,
Consciência, também eu fingi,
Levado, pelo deslumbre,
Pela facilidade,
Criando um outro eu!
 
Não, não é penitencia,
Tão pouco confissão,
Ou um lifting, tão na moda,
Apenas a certeza, que eu,
Eu, ator perfeito,
De perfeitos cenários,
Na realidade, na minha realidade,
Não sou, ator, encenador,
Caçador, pescador,
Mas presa voluntariosa,
Preso na teia sedutora
De uma perfeita e exímia
Caçadora, que me seduz,
Dia após dia, na paixão da partilha!
 
 
  Alberto Cuddel