segunda-feira, 10 de agosto de 2015

Na mesa da sala uma orquídea...

Na mesa da sala uma orquídea

Na mesa da sala,
Na pequena mesa da sala uma orquídea,
Florida, qual primavera,
Indiferente, ao calor que se faz sentir,
Do lado de fora da janela!

Na mesa da sala,
Repouso o olhar, cansado, distante,
Parcas horas de um diurno sono,
Podia dormir, como podia,
Sentado na velha poltrona,
Onde desenhei sonhos,
Onde sonhei conquistar as palavras,
Rios de poesia, marés distantes de versos,
Que versejo num sonhar!

Na solidão deste solitário momento,
Onde me permito desligar, do físico mundo,
Das constantes da vida,
Da edificação da conquista,
Sinto-me,
Verdadeiramente sinto-me,
Eu… conquisto apenas o meu eu…
Imobilidade da alma,
Sem viagens alucinantes do tempo
Sem passado, sem presente,
Sem um futuro distante e ausente,
Ainda não pensado…

Na mesa da sala uma orquídea,
Real natureza, máximo da beleza,
Onde ainda me permito descansar!


Alberto Cuddel



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