quarta-feira, 30 de setembro de 2015

"Escolhi Amar-te" - XVIII



Vejo-te dormir, como se dormisse em ti, sono perfeito angelical, em mim sonhas todos os teus sonhos, desejos, devaneios juvenis. Dormes como se nunca houvesse acordado em mim, no sonho que os dois sonhamos, na ampla resposta silenciosa suspensa no grito calado na garganta. Vejo o anoitecer cair no teu rosto, como se deita o sol no horizonte, deitado a teu lado, memorizo no toque todas as linhas do teu rosto, todo o nosso passado, todo o nosso presente, proposta de futuro.

Vejo a noite seguir compassada na orbita lunar descrita no teu corpo, nas curvas perfeitas do teu ser, respiro em ti na sincronização perfeita de que és o meu ar, meu sustento, espero o teu acordar, fazer de mim espectador do brilho das constelações do teu sorriso, poder afogar-me na profundidade do teu olhar, tenho um desejo sincero de ver-te acordar diariamente e, acariciar-te eternamente. Tenho uma vontade crescente, de ter-me permanentemente a teu lado.

Quero que acordes em mim, como sol iluminando o raiar de um novo dia, num vontade irreversível de desabrochar, como papoilas ao raiar da manhã, quero sentir-me aquecendo teu rosto, ser o motivo do teu rubor, do calor que te inunda o corpo, da ânsia, da vontade de sermos apenas um, um corpo, uma vontade, um querer, uma alma. Quero acordar em ti e escolher a cada dia no teu olhar, amar-te mais um dia!




segunda-feira, 28 de setembro de 2015

"Escolhi Amar-te" - XVII



Escolhi Amar-te muito antes de saber que já te amava, não escolho amar-te como decisão poética, como incauto pronuncio de mais uma noite ansiada de prazeres carnais tão deliciosamente conseguidos, escolho amar-te para que te saibas amada, para que saibas em ti que fazer parte de todo o meu ser, de toda a minha alma, de todo meu corpo, para que saibas que vives em mim.

Nas acções diárias, mesmo nos silêncios, mesmo nos arrufos, mesmo quando apenas te toco a mão levemente, mesmo que não o pronuncie e apregoe de viva voz aos ventos, quero que saibas que te amo, que és em mim, parte de um todo!

Escolho Amar-te, não como ser perfeito, imaculado, sem mancha ou pecado, escolho amar-te como homem imperfeito, com pecados, com defeitos, como aquele que falha todos os dias, mas que mesmo assim escolhe amar-te, na perfeita imperfeição das tua falhas, como és, a tua completa magnitude…

Podem vir noite, dias, meses, anos, mas continuarei a escolher amar-te desde sempre, mesmo ante de saber que te Amava, e amarei mesmo que a vida se extinga em nós, mesmo que na saudade chores, saibas tu que continuarei a escolher dia após dia ao acordar, Amar-te!


Choram!


Choram!

Ardem tristes os olhos azuis que te choram,
Num luar apagado por um sol escondido,
Pela festa que corre na rua do outro lado,
Pela saudade arrebatada pelo mar na espera,
De um barco na faina ainda não chegado,
Choram, chorosos os olhos que te vêem partir
No olhar triste e cansado de quem espera
Novas de aquém e de alem mar mundo
Fome, penúria, ambição que te fez imigrar
Choram, chorosos os olhos colados na tela
Tarde de cinema, filme de emocionar,
Choram… e como choram também os olhos,
Que te viram partir sem uma palavra,
Por que decidiste deixar de acreditar!...

Alberto Cuddel


domingo, 27 de setembro de 2015

"Escolhi Amar-Te" - XVI



Permiti a mim próprio calar-me, escutar-me em ti, ouvir os meus silêncios nos teus gestos, no teu olhar, quero sentir-me sequestrado nas tuas palavras, nos teus silêncios, na graciosidade dos teus movimentos em mim, na força das vontades intrínsecas da tua alma, no âmago do teu desejo.

Permito-me ficar imóvel, escutando apenas teus passos nas escadas, em quanto a noite me cai no olhar, e o peso do cansaço desce em meu corpo. Permito-me escutar as lágrimas caídas, no movimento rolante das formas perfeitas de teu rosto. Permito-me nada dizer, apenas ficar na imobilidade contemplativa do passado, do que o passado nos fez, como nos moldou à imagem dos acontecimentos imperfeitos que nos rodeiam.

Permito-me calar, as palavras gritadas atravessadas na escura garganta da arrogância, do querer e decidir individual, permito-me elaborar teses inverosímeis e mirabolantes para um silencio que é teu, permito-me tanta coisa, mas em todas as permissões que que concedo já mais me permito esquecer-te ou deixar de te Amar.


sábado, 26 de setembro de 2015

"Escolhi Amar-te" - XV




Acordo de um pesadelo, sabendo que não havia sonhado, tudo é tão real, como posso estar acordado, alguém tinha quebrado, alguém se tinha desleixado, e naquela manhã de outono, ao acordar, tudo tinha mudado. Alguém se esquecera, tu tinhas esquecido de escolher, apenas acordas-te, maquinalmente para os teus afazeres diários, nas tuas infinitas preocupações de mãe, nos trabalhos domésticos numa repetição sem fim, nas tuas suspeitas e infinitas inseguranças, tudo em ti é pensamento dissonante, maquinalmente ação. Ao acordar, não existiu escolha, não existiu decisão, não existiu sentir, apenas um acordar. Percebi que eu não existia ali, que tudo em ti era ideia, mas que eu não estava lá, tudo em ti era trabalho, tudo em ti era ação, mas eu não estava lá.

Percebi então, que momentaneamente eu deixei de existir, mesmo assim estava ali, eu tinha também acordado, eu era real, não um sonho, não um mero ser astral, invisível, no teu desenrolar do novelo condutor das preocupações, eu não estava nesse novelo, não fazia parte dele, mas no entanto, eu estava ali, era o suporte fiel, o garante que o mesmo não se partia, não se quebrava, que tudo seguia um padrão controlado.

Padrões desenhados mentalmente, rotinas, consequências, tudo estudado até à exaustão da perfeição, do pequeno-almoço à roupa, do fazer a cama, até ao endireitar do quadro, da loiça cuidadosamente colocada na máquina, num alinhamento perfeito, as toalhas de rosto cuidadosamente dobradas, como se nunca fossem usadas, parque ao bater da porta, no nosso lar, nunca tivesse morado ninguém, tudo fica perfeito, aguardando na capsula do tempo o nosso regresso.

Acordo de um pesadelo, sabendo que não havia sonhado, tudo é tão real, como posso estar acordado, não decidiste escolher-me esta manhã, mas sei que o farias, se tudo não fosse temporalmente tão apertado, se tudo não fosse confrangedoramente tão controlado pelo incauto ponteiro dos segundos, por isso amor, deixa para lá, hoje apenas eu escolho Amar-te!
 
 

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

"Escolhi Amar-te" - XIV



Mais uma vez hoje amputei-me, quantas vezes nós amputamos de livre vontade pelo outro, amputamos vontades individuais, desejos de imobilidade, muitos acusam-me de louco, mas eu amputo-me, não num desejo masoquista de sofrimento, mas apenas num despejo do acessório, do supérfluo. Amputo hoje a vontade de teus beijos, a sofreguidão de me acariciar a alma no teu corpo, a vontade de apenas te ter.

Amputo os desejos individualistas de bens materiais, amputo a minha própria vontade. Voluntariamente arranco de mim, para voluntariamente ser transplantado, pela vontade, pelo desejo conjunta, pela necessidade de evolução conjunta, pelo crescimento simétrico. Só no abandono completo da ideologia “eu” posso ser teu, podemos ser o “Nós” efetivamente e afetivamente complementar, na nossa individualidade da escolha, de poder perder, para entregar, para ganhar.

O movimento das minhas mãos passa a o teu movimento, os meus passos, passam a ser os teus passos, os meus beijos passam a ser o teu desejo, a minha ação passa a ser o teu prazer, o teu querer passa a meu movimento, entregamos a alma, ganhamos um novo corpo.

Para que mesmo nas noites solitárias, em que fisicamente estamos afastados, debilitados um do outro, como uma doença, amputados por um estranho querer a nós próprios, possamos estar sempre juntos!
 
 


quinta-feira, 24 de setembro de 2015

"Escolhi Amar-te" - XIII






Sobes as escadas, visivelmente cansada, claro que estas cansada, todo o dia a trabalhar, mesmo assim, beijas-me e num expressivo sorriso o teu olhar grita Amo-te. Sim, vivemos cansados, como todos os outros, cansados, mas felizes, porque ontem o decidimos ser e viver, felizes. Vivemos, dá trabalho viver, vives em mim, vivo em ti, vivemos em nós. Dá trabalho viver, ir sempre mais além, abraçar quando se pede a mão, beijar, quando se pede um abraço, um jantar, quando se pede apenas pão, uma nota quando se pedia uma moeda, dar quando se pedia emprestado, dá trabalho viver. Mas viver é felicidade.

Quantas vezes retrais-te em ti mesma, por medo de errar? Corre, grita, faz, não tenhas medo de falhar, falhar é humano, humanidade é vida, viver é aprender, aprender é aplicar, aplicar é poder falhar! Não tenhas medo de errar, quem nunca errou nunca soube o gosto do perdão, nunca saberá perdoar, nunca saberá amar, nunca irá saborear, cheirar, sentir a plena felicidade!

Escolhi amar-te a cada acordar, a cada adormecer, a cada vivência, por saber que irei falhar, que irei errar, que irei tropeçar, mas que estou disposto a recomeçar, a perdoar-nos a nós próprios, a expiar em nós a culpas do mundo, pois só pratica a justiça o que conhece a injustiça, só conhece o perdão o que errou, só pratica o bem o que conhece o mal, só ama que já odiou, só decide amar, quem verdadeiramente conhece o seu significado!

Sei que vens cansada, e mesmo assim beijas-me e num expressivo sorriso o teu olhar grita Amo-te!
 
 

Pensamentos Soltos - 40 – Terra e as 4 estações!




Vi-te partir no raiar da aurora,
Vi-te chegar no equinócio de outono,
Vi-te descer dourando o hemisfério norte,
Vi-te crescer pintando o hemisfério sul,
Vejo-te viva, envergonhada, oscilando,
Temendo, rodopiando em volta do sol,
Agarrando os reias raios, aquecendo,
Derretendo o teu coração de inverno,
Derretendo os gelos, as neves, água,
Vida que te escorre pelas entranhas,
Vejo os frutos maduros caindo do céu,
As folhas douradas, levadas no vento,
As migrações, aves povoam os ares,
Ninhos, flores, cheiros, sabores,
Peixes que cruzam oceanos, correntes,
Marés, vida, pulsar, onde o calor arrefece,
Geminam, despontam, onde o frio aquece,
Neste imenso frenesim, segues rodando,
Oscilando, ao teu ritmo, quase impercebível,
Nas horas, nos dias, nos meses, danças,
Envergonhada, namoras o sol!...
Oscilando, florindo, pintando de dourado,
Prolongando ou reduzindo o alvo branco…
 

Recordando!...


 
 
 

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

"Escolhi Amar-te" - XII



Qualquer palavra inicia um texto, qualquer acordar inicia o dia, dias e dias, sucessivos, como sucessivos são os textos, e a escolha diária de os escrever, como sucessivos são os dias e a vontade de os viver. Na solidão do meu acordar, vejo a vastidão presente no nosso leito deixada pela tua ausência, em que entre um abrir de olhos e o voltar a fechar a vastidão dos segundos passam a valer horas, não há bom dia, nem a vontade de beijar, apenas um acordar solitário, na solidão do nosso leito, na vastidão do nosso quarto.

Lembro o ontem, na sofrida inversão de papéis, em que tu acordas sem me teres a mim, lembro ainda as noites em que o quarto se encontra despido de nós, do silêncio do nosso respirar sonolento, dos gemidos contidos, pelo ouvido apurado do vizinho do lado, é nessa saudade que nos reencontramos no raiar de um novo dia, de um novo primeiro encontro, de uma nova primeira noite solar.  

No meu solitário acordar, cabem todos os sonhos, todas as memórias, todas as saudades, todos os queres, todas as vontades, para que na espera, chegues, não ávida e sedenta de amor louco, fisicamente demonstrado, mas apenas um simples desejo, deitar-te e adormecer a meu lado, nesse teu tresloucado cansaço que o trabalho te impõe. Para isso acordo e escolho amar-te todos os dias!



terça-feira, 22 de setembro de 2015

"Escolhi Amar-te" - XI



Perigosa resposta, a essa minha pergunta, então como estás? Está tudo bem… como pode estar tudo bem? Se nada é sempre bom e nada é sempre mal, o erro está no estar tudo bem, nunca pode estar tudo bem, posso amar-te sempre mais um pouco, podes amar-me sempre mais um pouco… como pode estar bem se o céu lá fora chora, a saudosa presença do sol, como pode estar bem, que as flores murcharam sob o peso do outono, não, não pode estar bem…

Sempre podes dizer: apenas suficientemente bem para te continuar amar, sim, continuo a estar suficientemente disposto a escolher amar-te a cada dia, não bem mas melhor. Cada dia de novo, cada dia mais, pois ontem passou, e não quero repetir, não quero mudar, quero melhorar hoje…

Deixa que a penas o silêncio responda no grito dos gestos, nas caricias no rosto, nos olhares de desejo, nos beijos húmidos e quentes, de onde não nos desprendemos, deixa que apenas o silêncio audível da nossa respiração fale por nós, deixa-te contagiar pelo calor das nossas mãos, pelo pulsar do sangue em nossos rostos, deixa o silêncio, gritar por nós!
 
 


"Escolhi Amar-te" - X



Escolhi amar-te como a água, não como a beleza da rosa na duração etérea, não como a borboleta que vive apenas um momento, mas como a água. Água em ciclo permanente sem deixar de ser água, seja no glaciar mais alto, seja numa nuvem que viaja contigo o mundo, seja na chuva que te humedece o rosto, seja numa gota de lágrima cristalina. Na pressa da corrente do ribeiro para a foz, na calma do estuário ao chegar ao mar, no bico de um pelicano levado pelo ar, numa poça de água salgada esperando a subida da maré. No fundo de uma jarra, onde colocas as rosas, onde bebem borboletas, quero amar-te como a água, que tudo fura, tudo parte, quebrando barreiras, desbravando fronteiras, quero apenas um amor eterno como a água, pura, cristalina, em gelo, liquido ou gaz, amar-te ei como a água, por ser um liquido verdadeiramente eficaz. Sem água não há vida, sem vida não há amor, se não te amar como a água, como poderia amar-te em vida meu Amor!
 
 

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

"Escolhi Amar-te" - IX

 
Estava sozinho até te encontrar para ficarmos sozinhos, não quero a solidão, mas quero estar sozinho contigo, pode ser em qualquer lado, desde que estejamos sós um com o outro, apaixonei-me pela solidão que me dás, desde que esteja contigo, chama-lhe depressão, convulsão, o que queiras, mas apenas quero estar sozinho, desde que seja contigo.

Estava sozinho até te encontrar para ficarmos sozinhos, mesmo antes de estar só, estava acompanhado, num amontoado de gente sozinha, que em nada me somava, apenas me subtraía, tornei-me sozinho, para te poder encontrar, assim nos somarmos na solidão da nossa vida.

Estava sozinho até te encontrar para ficarmos sozinhos, nesse dia em que nossos olhos se cruzaram na solidão da multidão que nos rodeava, escolhi passar o resto dos meus dias sozinho contigo, escolhi sozinho que era contigo que iria amar a solidão do encontro de nossos corpos. Na nossa solidão encontramos a totalidade de nós.

Estava sozinho até te encontrar para ficarmos sozinhos, somamos saudades diárias, na pressa de estar sozinho contigo, à nossa solidão somamos a carne, fruto de em encontro solitário entre a solidão de nossos corpos, estando sós, nos tornamos um, à nossa solidão somamos mais um!

Estava sozinho até te encontrar para ficarmos sozinhos, o amor da nossa solidão, não é um egoísmo, mas uma preservação da integridade de nós mesmos, estando sozinhos, estamos também disponíveis aos outros, não estamos sozinhos em nós mesmos, mas soltos na nossa solidão. Para a nós podermos somar os amigos e o mundo!
 



quarta-feira, 16 de setembro de 2015

"Escolhi Amar-te" - VIII

Lembrei-me hoje amor, que nada temos a lembrar neste dia, em todos estes anos de amor, nada recordamos hoje. Nem um beijo, uma discussão, algo que nos recorde a existência de hoje no passado. Nada temos a comemorar hoje, por isso lembrei-me, porque não comemorar? Sim, julgo que na nossa sã convivência, deveríamos comemorar o dia de hoje.
Comemoremos o dia de hoje, por apenas ser hoje, um dia depois de ontem sem recordação aparente, celebremos o hoje, como o dia que nos amamos, como o dia em que não existe passado nem futuro, como hoje apenas.
Gravemos em nós, a comemoração do hoje, para que possamos depois celebrar amanhã o ontem que celebramos. Amor, sejamos hoje motivo de celebração em nós, não por um qualquer ato passado, mas por ser atores criadores de memórias futuras decididas hoje, em celebração.
Lembrei-me hoje amor, que ontem também não tínhamos nada a recordar, a celebrar, a comemorar, que ontem apenas foi um dia antes de hoje, sem nada para recordarmos amanhã. Ontem apenas foi ontem, um dia marcado no calendário.
Abraça-me hoje, para podermos recordar que hoje nos decidimos abraçar, beija-me hoje para podermos recordar que hoje nos decidimos beijar, façamos amor hoje, para podermos recordar que hoje nos decidimos fazer amor. Celebremos hoje, pois hoje decidimos amar-nos novamente, recordemos dia após dia a decisão que tomamos hoje, marcando esse dia no calendário da nossa memória!
 
 

Deixa o mundo lá fora, Ama-me


Deixa o mundo lá fora,
Esquece a existência da porta,
Ama-me apenas,
Nesta louca manhã,
Toma-me por inteiro,
Ama-me também o corpo,
Para o tempo,
Entrega a alma,
Sente-me, toca-me
Ferve-me o sangue,
No desejo em mim,
De teu querer, teu ser,
Possui-me, no calor dos teus beijos,
Toma-me, no sabor de tua língua,
Entra em mim, sonda-me,
Conhece o meu prazer,
Revolve-me,
Movimento inquietos
Mãos enlouquecidas,
Divino movimento,
Elevação da vontade,
Ama-me…
Ama-me de uma vez…
Deixa o mundo lá fora,
Esquece a existência da porta,
Ama-me apenas,
Nesta louca manhã…
 
Alberto Cuddel
Sedução e Erotismo – 26
16-09-2015
 
 
 

terça-feira, 15 de setembro de 2015

"Escolhi Amar-te" - VII



A porta fechou-se atrás de ti, deixando meu corpo vazio na tua ausência. Na ausência de teu ser definho, sem te ter em mim, apenas me resta o perfume de teu corpo. Partes dolorosamente, deixando-me letargicamente em suspenso no sono, cansaço do abuso da noite.

A porta fechou-se atrás de ti, deixas-te em mim o amor, dádiva certa de que te possuo em mim. Deixas-me, na solitária reflexão da espera dos minutos que correm compassadamente, por entre o nascimento do dia e o desabrochar das flores no jardim.

A porta fechou-se atrás de ti, em cada objeto a memória da noite, na ausência das vestes, na roupa espalhada, no doce odor deixado pelos nossos corpos suados no ar no nosso leito de paixão, no calor do colchão vazio ao meu lado.

A porta fechou-se atrás de ti, na contrariedade do teu desejo, no querer absoluto de me voltares amar, mundo que te clama em desespero, passos pesados te afastam de ti, no quere estar em mim, ardo em ciúme, de um mundo que te absorve, que te suga a alma, que te afasta de mim.

A porta fechou-se atrás de ti, num som abafado de um adeus definido no tempo da tua ausência, na minha face a húmida recordação do teu quente e apaixonado beijo, no meu cansaço a certeza do regresso do teu corpo, para que o meu ame na plenitude de meu ser, da tua entrega a mim, na certeza que nos pertencemos mutuamente… Ama-me como escolhi Amar-te!


segunda-feira, 14 de setembro de 2015

A menina dança?


 


A vida é uma eterna dança,
Avanços e recuos,
Sedutoramente compassada,
Guiada, seguida,
Sincronizada, decidida,
Regateada, esgrimida,
Apaixonante movimento,
Que nossos corpos imprimem,
Ao som dos nossos dias,
A cada acordar, nova musica,
Novo querer, nova dança,
Ora quente, ora arrastada,
Ora a pares, ora solitária,
A cada dia, a dança da vida!
 
Alberto Cuddel
 
 

sexta-feira, 11 de setembro de 2015

"Escolhi Amar-te" - VI



Percorri os longos quilómetros que nos separavam, convicto do ultimato que te iria propor, uma declaração de guerra aberta, a iniciar dai a uns meses, sem surpresa atiraste-me um sim a cara, não que não esperasse outra resposta da tua parte, ma foi um sim, muito convincente, como se o desejasses inclusive mais que eu!

Durante as semanas seguintes tentei contactar o teu progenitor, de forma a notifica-lo, da decisão que tínhamos tomado, notificadas todas as testemunhas para a assinatura de tal declaração, só restava a preparação do acampamento para o repasto celebrativo, algo que também não foi difícil. Deu mais trabalho a efetiva preparação do campo de batalha a que normalmente chamam lar.

Guerra declarada e assinada, no início tudo era lindo e belo, batalha após batalha, cada um de nós ia perdendo e ganhando, sempre tendo em conta, a não muita cedência em favor do inimigo, pequenas batalhas domesticas, num travar de conhecimento mutuo, uma avaliação continua da capacidade bélica dos dois, até que ponto estão dispostos a ir, na manutenção de um clima de guerrilha urbana em favor de uma individualidade grosseira da personalidade e prazer próprios…

Guerras, batalhas, ora perdendo, ora ganhando, travando conhecimento do inimigo, adaptando, moldando a nossa forma de ataque, os nosso soldados, os trunfos num teatro de guerrilha constante, mesmo nos tempos de paz, onde o cansaço se abatia em cada um de nós, cada um de nós tenta moldar o outro a seu belo gosto e prazer pessoal. Com o passar do tempo, foram sendo assinados, cessar fogos, tratados de paz, negociadas condições para uma paz débil, quebrada ao primeiro sinal de incumprimento. Uma guerra assim dura anos, vai desgastando os intervenientes, até ao dia da batalha final, em que num enorme armageddon nenhum sai a ganhar, todos perdem, até os civis, nascidos no augue da guerrilha perdem, alias, são esses civis que mais perdem. Quando se chega a esse ponto sem retorno só existem duas possibilidades, ou se enterram de vez os machados de guerra num tratado de paz, bem estruturado, sem condições, bem delineado, em que os dois exércitos se anulam e se fundem, em que tudo o que antes não fora dito vem agora para cima da mesa, ou em alternativa, afastam-se, erguem muros intermináveis entre eles, deixando a penas uma porta entre eles, por onde circulam de vez em quando os pobres civis amedrontados.

Para nós, quando esse dia chegou, sentamo-nos, pusemos tudo em cima da mesa, depositamos as armas, delineamos uma estratégia conjunta, estipulamos um processo de reconversão e definimos os espaços, e os novos campos de batalha individuais, onde a finalidade não é ganhar, mas sim, dar o máximo ao outro… agora sim posso dizer, Escolhi Amar-te todos os dias, e guerras só nas infindáveis lutas corpo a corpo pelo prazer do outro…
 
 

quinta-feira, 10 de setembro de 2015

"Escolhi Amar-te" .- V





Não sei se teria chegado, meu corpo diz que sim, mas a alma vagueia lá fora, solto um “cheguei”, como se não tivesses reparado que efetivamente eu ali não estava. Tinha chegado a casa, o meu corpo estava em casa, mas o meu espirito vagueava pelos problemas da empresa, pelo problema descoberto no carro, pelo cansaço. Dás-me um beijo, apercebo-me mais tarde que o fizeste, naquele momento, beijaste um corpo inerte, frio e sem vida pois eu não estou ali. Perguntas-me na tua imensa vontade de me amares nas palavras:


            -então como te correu o dia?


Na resposta apenas um silêncio, um vazio de mim, não estou cá, sinto que sei que isso te incomoda, respondo por piadade, maquinalmente:


            -o mesmo de sempre…


Nada mais me apraz dizer, mesmo assim na tua infinita bondade, amas-me! Numa paciência maternal, esperas ansiosamente que chegue, que o meu espirito, o meu ser, volte habitar o corpo presente nesse lugar a que chamamos lar. Podia ser o marido que querias ali, mas não tinha como, vagueava como desnorteado entre pensamentos disformes e confusos, como que lá fora, pudesse encontrar, uma solução magica para todos os problemas…



Magicamente o meu olhar distante cruza-se com a tristeza do teu, e percebo, a solução esta ali, diante de mim, tu és a minha solução. Chamo-me, volto a entrar em casa, regresso ao meu inanimado corpo, e beijo-te cheguei… no iluminar do teu olhar, encontro-me, e mesmo assim, sempre me amas-te!
Alberto Cuddel

quarta-feira, 9 de setembro de 2015

"Escolhi Amar-te"- IV



Entro apressadamente no carro, quero, desesperadamente quero, assumir de vez o regresso, o tão almejado reencontro matinal. O Sol, que agora me aquece a face, o mesmo que ontem te beijou, na despedida, na chegada da noite, o mesmo que na desenfreada correria me fez partir. Agora beija-me como um Judas arrependido de um qualquer ato ilícito.

A estrada transforma-me, ela transforma-se, numa reta leitosa e vagarosamente distante de ti, de mim, num querer absoluto, que me queima as entranhas. Deveria escrever um poema, dita-lo, quem sabe, mas minha mente, meu pensamento, não abandona as deleitosas curvas de teu corpo, todo eu estou em ti, no entanto, estou aqui, distante em mim.

Não há vida, pressa que me console, não há força, vontade de resistir, sabes-me a caminho, sentes-me, como se a distancia entre os nossos pensamentos se anulasse, cumprindo com uma qualquer teoria da relatividade, anulamos as distâncias espácio-temporais, sentes-me, ama-me, mesmo assim.

Elevo-me no asfalto, como se elevado por um transe, sim, verdadeiramente decidi que te amo. Poderia apenas dirigir-me a casa, parar numa qualquer pastelaria, tomar o pequeno-almoço, mas não, tenho pressa de ti, quero amar-te. Quero-te em mim. Dentro do meu escancarado peito, ávido e sedento de ti, tu que és completa em mim, sendo eu completo em ti, juntos nos anulamos!

Amor peço-te apenas isto, ama-me, pela metade, do amor que produzimos, e nas duas metades nos tornamos completos!




Alberto Cuddel
 

Card - A Saudade


"Escolhi Amar-te" - III



Será possível? Talvez até seja, mesmo que continues a meu lado, mesmo que minhas narinas continuem impregnadas de teu cheiro, que tenha o teu sabor em meus lábios, sinto o coração apertado na saudade, pois sei que não te demoras, que irás partir. Sei que sofrerei em mim, a ausência de teu ser, teu corpo, que na solidão apertada da noite, apertarei contra mim a almofada, essa que te mantém, como memória de ti.

Noite esta que me dá em si o significado de ti, num aceno, num beijo, abandonas-me em mim, num solitário eu, na ausência de um nós que lhe dê significado. Assim sofro, como se soubesse que me arranca um pedaço de mim, para contigo vá, também eu dando significado à tua corporal ausência.

Vai, não te demores por mim, pelos meus carnais desejos de presença, vai, sei bem que vais contrariado, mas vai, recebe por ti nosso sustento, vai, não te prendas, leva-me contigo, impregnada em tua pele, meu cheiro no teu, meu sabor no teu, meu coração no teu. E como bate amor o nosso coração, sincronizado a um só som, uma só batida.


Um beijo, nada mais, um brilho escorrido no olhar, escondes a face, mas eu sei, também eu te sei, sigo-te com os olhos, com os ouvidos, toda eu te sigo… Ao olhar, vejo afastar-te, e mesmo sabendo da ausência de teu corpo, sinto-te em, mim, como se me pertencesses, como se tu fizesses parte de mim!...

Vai, que eu estarei aqui esperando!...
Alberto Cuddel

terça-feira, 8 de setembro de 2015

"Escolhi Amar-te" -II



5:45- Ao longe um som abafado martela-me os ouvidos, distante, como um comboio, que se vai aproximando. Acordo, num acordar letárgico, sem vontade de acordar, sem vontade de fazer absolutamente nada, apenas ficar, ali, deitado. Sim, ficar deitado, dormir não, afinal já tinha acordado. Já de luz acesa tateio o teto com o olhar, procuro algo, uma ideia, um sinal, uma luz, e ela está lá, a luz, fitando-me nos olhos, tão intensamente que me obriga a fecha-los, a luz tinha um olhar intenso, brilhante, compenetrado a sua missão de iluminar.

Olho de relance o teu sono, dormes, como poderias não dormir? Perfeita na tua imobilidade, como um anjo, adormecido num sono divino. Contemplo o teu rosto, relembro o reu sorriso de ontem, as parcas palavras, no parco tempo, que ontem permanecemos juntos, e hoje? Reedição de ontem, acordei, sairei sem que acordes, chegarei sem que tenhas chegado, e quando chegas? Estarei eu novamente de saída.

5:50- O Tempo, essa corrida apresada do movimento continuo dos ponteiros do relógio, levanto-me de uma vez, não há forma de lutar contra a inabitabilidade de ter que abandonar o meu leito, na dor de me abandonar a mim, na solidão em que te deixo. Percorro passo a passo as distâncias, num pesado passo que me agasta, que me afasta de mim.

5:55- A verdadeira corrida contra o tempo, vestir, preparar, tomar pequeno almoço, o saco, verifico se tenho tudo, uma e outra vez, todo eu entrei em modo “piloto automático”, ações e gestos ensaiados, maquinalmente repetidos até à exaustão.

6:00- Estou pronto, ok, check up final, carteira? Está, telemóvel? Está, chaves? Está, saco? Está, chinelos? Chinelos? Lol, ok… algo falhou, pouso tudo, corrida ao quero, olho-te uma ultima vez, beijo-te, tão delicadamente que nem te chegas a mover. Sussurro um Amo-te…

6:05- Ok finalmente sapatos, rodo lentamente a chave na fechadura da porta, porta que se abre ao mundo, fronteira, entre o desejo e o ter que ser, entre o nosso mundo, e o “mundo”. Fecho-a, pesarosamente atras de mim, como se guardasse um sonho, o nosso sonho, com a certeza, que a ela hoje voltarei…

domingo, 6 de setembro de 2015

"Escolhi Amar-te" - I



15:50, estou posicionado estrategicamente do outro lado da rua, com uma visão ampla sob a entrada da pastelaria. Combinamos encontrar-nos aqui para finalmente nos conhecermos, já falávamos on-line à três meses, sem que nunca tivéssemos visto o rosto um do outro.

No meu pensamento nem sequer tentei imaginar a tua imagem, apenas conhecia o que projetavas de ti nas palavras, tão diferente da mulher com quem passei os últimos 11 anos, tinha saído de um relação há já 8 meses, um divorcio difícil, pois nenhum dos dois percebia o porque de a relação ter acabado, mas sabíamos apenas que tínhamos chegado ao fim, nem sequer falávamos um com o outro!  Seria este o meu primeiro encontro, com uma mulher, alguém que com tudo o que tínhamos falado eu me identificava, descreveu-me a roupa que traria, e o sinal, um livro com capa cor-de-rosa. Quando ontem me disse que viria de saia preta e blusa branca, não pude deixar de rir, ao imaginar a minha ex. com essa indumentária, ela que detestava saias, e muito menos blusas. Sabia que tinha uma coisa em comum, detestavam atrasos, algo que eu também abominava.

15:55, distraído com os meus pensamentos, uma imagem desperta-me atenção, não acreditava no que estava a ver, a minha ex. acaba de entrar na pastelaria, o Ceus, que faz ela aqui? Logo hoje? Estamos do outro lado da cidade, não mora ou trabalha aqui, mas que raios ela cá veio fazer. Até aqui, agora ensombra a minha vida?          Não podia ter escolhido outro lugar?

15:58, Merda, distrai-me, agora não sei se ela entrou ou não, se já chegou, ou como chegou, a minha ex., sabe mesmo estragar tudo há minha volta. Atravesso a rua numa tentativa de verificar de tinha chegado, ó  céus, junto ao lado direito, de costas para a vitrina, saia preta, confere, blusa branca, confere, livro com capa cor-de-rosa, confere, é ela! Tento do exterior avistar a minha ex. nada, provavelmente deve ter ido ao WC. Encho o peito de ar e avanço decidido, no balcão peço uma água castelo como combinado, pago e avanço para a mesa.

Tudo no chão, água, copo, queixo, dentes, cara, tudo, não podia acreditar… a mulher com quem tinha falado, por quem me tinha voltado apaixonar, era a mesma de sempre a minha ex. a perplexidade do seu olhar diz tudo, também ela foi surpreendida. Passa do o susto inicial, sentamo-nos em silencio, apenas falando com o olhar, como foi possível?...

Alberto Cuddel

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

Desafio Facebook 4ºDia


Atendendo ao convite da minha amiga Lurdes Rebelo  para participar na Difusão da Arte Poética, cumprindo as regras, publicarei um poema por dia durante quatro dias. Em cada publicação convidarei 4 amigos/as para procederem como me foi proposto. Convido no meu 4º dia os seguintes poetas:
 
Monica Moura
Carla Vanessa Freitas Branco
Escritor Kavungo Fernandes Vaidoso
Angela Caboz
 
Fusão em carne!
 
O homem deixará seu pai e sua mãe e se unirá
À sua mulher; e os dois formarão uma só carne,
Firmada que está vivencia, assim permanecerá,
Do amor realizado em nós, que assim se discerne!
 
Felicidade diária, num tudo ainda incompleta,
Decisão consciente, realização permanente,
Uma noite de verão, desejo de amor repleta,
No movimento nos entregamos mutuamente!
 
Fruto do sentir, dias seguintes, de amor repletos,
A chegada do dia, ansiedade e a enorme alegria,
Realizado o sonho, no amor agora sim completos!
 
Entre nós não apenas sentir, mas amor como vez,
Como o ditado popular com razão assim o dizia,
Do símbolo da união, Três, a conta que Deus fez…
 
Alberto Cuddel
 
 


quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Card - Procuro...




Procuro…
Procuro por ti,
Todos os lugares,
Todos os rostos,
Nas atitudes,
Nos gestos,
Nos desejos,
Nos sentimentos,
Perco-me na busca,
Por não ter em mim,
O desejo de perder,
O que procuro dar!
Alberto Cuddel