domingo, 6 de setembro de 2015

"Escolhi Amar-te" - I



15:50, estou posicionado estrategicamente do outro lado da rua, com uma visão ampla sob a entrada da pastelaria. Combinamos encontrar-nos aqui para finalmente nos conhecermos, já falávamos on-line à três meses, sem que nunca tivéssemos visto o rosto um do outro.

No meu pensamento nem sequer tentei imaginar a tua imagem, apenas conhecia o que projetavas de ti nas palavras, tão diferente da mulher com quem passei os últimos 11 anos, tinha saído de um relação há já 8 meses, um divorcio difícil, pois nenhum dos dois percebia o porque de a relação ter acabado, mas sabíamos apenas que tínhamos chegado ao fim, nem sequer falávamos um com o outro!  Seria este o meu primeiro encontro, com uma mulher, alguém que com tudo o que tínhamos falado eu me identificava, descreveu-me a roupa que traria, e o sinal, um livro com capa cor-de-rosa. Quando ontem me disse que viria de saia preta e blusa branca, não pude deixar de rir, ao imaginar a minha ex. com essa indumentária, ela que detestava saias, e muito menos blusas. Sabia que tinha uma coisa em comum, detestavam atrasos, algo que eu também abominava.

15:55, distraído com os meus pensamentos, uma imagem desperta-me atenção, não acreditava no que estava a ver, a minha ex. acaba de entrar na pastelaria, o Ceus, que faz ela aqui? Logo hoje? Estamos do outro lado da cidade, não mora ou trabalha aqui, mas que raios ela cá veio fazer. Até aqui, agora ensombra a minha vida?          Não podia ter escolhido outro lugar?

15:58, Merda, distrai-me, agora não sei se ela entrou ou não, se já chegou, ou como chegou, a minha ex., sabe mesmo estragar tudo há minha volta. Atravesso a rua numa tentativa de verificar de tinha chegado, ó  céus, junto ao lado direito, de costas para a vitrina, saia preta, confere, blusa branca, confere, livro com capa cor-de-rosa, confere, é ela! Tento do exterior avistar a minha ex. nada, provavelmente deve ter ido ao WC. Encho o peito de ar e avanço decidido, no balcão peço uma água castelo como combinado, pago e avanço para a mesa.

Tudo no chão, água, copo, queixo, dentes, cara, tudo, não podia acreditar… a mulher com quem tinha falado, por quem me tinha voltado apaixonar, era a mesma de sempre a minha ex. a perplexidade do seu olhar diz tudo, também ela foi surpreendida. Passa do o susto inicial, sentamo-nos em silencio, apenas falando com o olhar, como foi possível?...

Alberto Cuddel
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