quarta-feira, 9 de setembro de 2015

"Escolhi Amar-te"- IV



Entro apressadamente no carro, quero, desesperadamente quero, assumir de vez o regresso, o tão almejado reencontro matinal. O Sol, que agora me aquece a face, o mesmo que ontem te beijou, na despedida, na chegada da noite, o mesmo que na desenfreada correria me fez partir. Agora beija-me como um Judas arrependido de um qualquer ato ilícito.

A estrada transforma-me, ela transforma-se, numa reta leitosa e vagarosamente distante de ti, de mim, num querer absoluto, que me queima as entranhas. Deveria escrever um poema, dita-lo, quem sabe, mas minha mente, meu pensamento, não abandona as deleitosas curvas de teu corpo, todo eu estou em ti, no entanto, estou aqui, distante em mim.

Não há vida, pressa que me console, não há força, vontade de resistir, sabes-me a caminho, sentes-me, como se a distancia entre os nossos pensamentos se anulasse, cumprindo com uma qualquer teoria da relatividade, anulamos as distâncias espácio-temporais, sentes-me, ama-me, mesmo assim.

Elevo-me no asfalto, como se elevado por um transe, sim, verdadeiramente decidi que te amo. Poderia apenas dirigir-me a casa, parar numa qualquer pastelaria, tomar o pequeno-almoço, mas não, tenho pressa de ti, quero amar-te. Quero-te em mim. Dentro do meu escancarado peito, ávido e sedento de ti, tu que és completa em mim, sendo eu completo em ti, juntos nos anulamos!

Amor peço-te apenas isto, ama-me, pela metade, do amor que produzimos, e nas duas metades nos tornamos completos!




Alberto Cuddel
 
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