quinta-feira, 10 de setembro de 2015

"Escolhi Amar-te" .- V





Não sei se teria chegado, meu corpo diz que sim, mas a alma vagueia lá fora, solto um “cheguei”, como se não tivesses reparado que efetivamente eu ali não estava. Tinha chegado a casa, o meu corpo estava em casa, mas o meu espirito vagueava pelos problemas da empresa, pelo problema descoberto no carro, pelo cansaço. Dás-me um beijo, apercebo-me mais tarde que o fizeste, naquele momento, beijaste um corpo inerte, frio e sem vida pois eu não estou ali. Perguntas-me na tua imensa vontade de me amares nas palavras:


            -então como te correu o dia?


Na resposta apenas um silêncio, um vazio de mim, não estou cá, sinto que sei que isso te incomoda, respondo por piadade, maquinalmente:


            -o mesmo de sempre…


Nada mais me apraz dizer, mesmo assim na tua infinita bondade, amas-me! Numa paciência maternal, esperas ansiosamente que chegue, que o meu espirito, o meu ser, volte habitar o corpo presente nesse lugar a que chamamos lar. Podia ser o marido que querias ali, mas não tinha como, vagueava como desnorteado entre pensamentos disformes e confusos, como que lá fora, pudesse encontrar, uma solução magica para todos os problemas…



Magicamente o meu olhar distante cruza-se com a tristeza do teu, e percebo, a solução esta ali, diante de mim, tu és a minha solução. Chamo-me, volto a entrar em casa, regresso ao meu inanimado corpo, e beijo-te cheguei… no iluminar do teu olhar, encontro-me, e mesmo assim, sempre me amas-te!
Alberto Cuddel

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