sexta-feira, 11 de setembro de 2015

"Escolhi Amar-te" - VI



Percorri os longos quilómetros que nos separavam, convicto do ultimato que te iria propor, uma declaração de guerra aberta, a iniciar dai a uns meses, sem surpresa atiraste-me um sim a cara, não que não esperasse outra resposta da tua parte, ma foi um sim, muito convincente, como se o desejasses inclusive mais que eu!

Durante as semanas seguintes tentei contactar o teu progenitor, de forma a notifica-lo, da decisão que tínhamos tomado, notificadas todas as testemunhas para a assinatura de tal declaração, só restava a preparação do acampamento para o repasto celebrativo, algo que também não foi difícil. Deu mais trabalho a efetiva preparação do campo de batalha a que normalmente chamam lar.

Guerra declarada e assinada, no início tudo era lindo e belo, batalha após batalha, cada um de nós ia perdendo e ganhando, sempre tendo em conta, a não muita cedência em favor do inimigo, pequenas batalhas domesticas, num travar de conhecimento mutuo, uma avaliação continua da capacidade bélica dos dois, até que ponto estão dispostos a ir, na manutenção de um clima de guerrilha urbana em favor de uma individualidade grosseira da personalidade e prazer próprios…

Guerras, batalhas, ora perdendo, ora ganhando, travando conhecimento do inimigo, adaptando, moldando a nossa forma de ataque, os nosso soldados, os trunfos num teatro de guerrilha constante, mesmo nos tempos de paz, onde o cansaço se abatia em cada um de nós, cada um de nós tenta moldar o outro a seu belo gosto e prazer pessoal. Com o passar do tempo, foram sendo assinados, cessar fogos, tratados de paz, negociadas condições para uma paz débil, quebrada ao primeiro sinal de incumprimento. Uma guerra assim dura anos, vai desgastando os intervenientes, até ao dia da batalha final, em que num enorme armageddon nenhum sai a ganhar, todos perdem, até os civis, nascidos no augue da guerrilha perdem, alias, são esses civis que mais perdem. Quando se chega a esse ponto sem retorno só existem duas possibilidades, ou se enterram de vez os machados de guerra num tratado de paz, bem estruturado, sem condições, bem delineado, em que os dois exércitos se anulam e se fundem, em que tudo o que antes não fora dito vem agora para cima da mesa, ou em alternativa, afastam-se, erguem muros intermináveis entre eles, deixando a penas uma porta entre eles, por onde circulam de vez em quando os pobres civis amedrontados.

Para nós, quando esse dia chegou, sentamo-nos, pusemos tudo em cima da mesa, depositamos as armas, delineamos uma estratégia conjunta, estipulamos um processo de reconversão e definimos os espaços, e os novos campos de batalha individuais, onde a finalidade não é ganhar, mas sim, dar o máximo ao outro… agora sim posso dizer, Escolhi Amar-te todos os dias, e guerras só nas infindáveis lutas corpo a corpo pelo prazer do outro…
 
 
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