terça-feira, 15 de setembro de 2015

"Escolhi Amar-te" - VII



A porta fechou-se atrás de ti, deixando meu corpo vazio na tua ausência. Na ausência de teu ser definho, sem te ter em mim, apenas me resta o perfume de teu corpo. Partes dolorosamente, deixando-me letargicamente em suspenso no sono, cansaço do abuso da noite.

A porta fechou-se atrás de ti, deixas-te em mim o amor, dádiva certa de que te possuo em mim. Deixas-me, na solitária reflexão da espera dos minutos que correm compassadamente, por entre o nascimento do dia e o desabrochar das flores no jardim.

A porta fechou-se atrás de ti, em cada objeto a memória da noite, na ausência das vestes, na roupa espalhada, no doce odor deixado pelos nossos corpos suados no ar no nosso leito de paixão, no calor do colchão vazio ao meu lado.

A porta fechou-se atrás de ti, na contrariedade do teu desejo, no querer absoluto de me voltares amar, mundo que te clama em desespero, passos pesados te afastam de ti, no quere estar em mim, ardo em ciúme, de um mundo que te absorve, que te suga a alma, que te afasta de mim.

A porta fechou-se atrás de ti, num som abafado de um adeus definido no tempo da tua ausência, na minha face a húmida recordação do teu quente e apaixonado beijo, no meu cansaço a certeza do regresso do teu corpo, para que o meu ame na plenitude de meu ser, da tua entrega a mim, na certeza que nos pertencemos mutuamente… Ama-me como escolhi Amar-te!


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