sexta-feira, 25 de setembro de 2015

"Escolhi Amar-te" - XIV



Mais uma vez hoje amputei-me, quantas vezes nós amputamos de livre vontade pelo outro, amputamos vontades individuais, desejos de imobilidade, muitos acusam-me de louco, mas eu amputo-me, não num desejo masoquista de sofrimento, mas apenas num despejo do acessório, do supérfluo. Amputo hoje a vontade de teus beijos, a sofreguidão de me acariciar a alma no teu corpo, a vontade de apenas te ter.

Amputo os desejos individualistas de bens materiais, amputo a minha própria vontade. Voluntariamente arranco de mim, para voluntariamente ser transplantado, pela vontade, pelo desejo conjunta, pela necessidade de evolução conjunta, pelo crescimento simétrico. Só no abandono completo da ideologia “eu” posso ser teu, podemos ser o “Nós” efetivamente e afetivamente complementar, na nossa individualidade da escolha, de poder perder, para entregar, para ganhar.

O movimento das minhas mãos passa a o teu movimento, os meus passos, passam a ser os teus passos, os meus beijos passam a ser o teu desejo, a minha ação passa a ser o teu prazer, o teu querer passa a meu movimento, entregamos a alma, ganhamos um novo corpo.

Para que mesmo nas noites solitárias, em que fisicamente estamos afastados, debilitados um do outro, como uma doença, amputados por um estranho querer a nós próprios, possamos estar sempre juntos!
 
 


Enviar um comentário