sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Escolhi Amar-te XXII


Quantas vezes senti a perder-me de ti, numa qualquer fútil discussão orgulhosamente mantida até à exaustão dos sentidos, como purga da felicidade, contraponto ao sofrer auto infligido, pelo narcisista pecado de eu querer encontrar-me em mim e não apenas em ti. A escolha de Amar-te não pode, não deve ser constante fonte de alegria, devo sofrer-me também em ti, no suporte cabal de que uno somos fazedores da paz. Como é bom fazermos a paz entre quatro paredes, com os seus despudorados olhos sobre nossos corpos.
 
De todas as vezes que nos perdemos um do outro nas espaçadas discussões intermináveis, por um qualquer supérfluo motivo, acabamos sempre na desculpa de nos encontrarmos num abraço intemporal de um beijo, na troca de sorrisos das mãos que se perdem nas caricias da alma, tentando encontrar para si um corpo.
 
Quantas vezes em nós encontramos a furiosa discussão entre Deus e o Diabo, em que nenhum dos dois sai a perder, se na fé Deus nos concilia, no abraço da carne o demo nos eleva aos prazeres do abraço frenético da carne.
 
Perdemo-nos tantas vezes, apenas para nos procurarmos, como se jogássemos como crianças às escondidas por entre os individualismos da vida, encontramo-nos para corrermos freneticamente um para o outro, sorvendo-nos mutuamente, como se nos quiséssemos beber, ficar permanentemente um no outro, como se pudesses possuir-me em ti, no corpo e na alma.
Sabemos que somos um no outro, mesmo assim discutimos, por um intrépido prazer de sermos por uns momentos individuais, na purga absoluta do medo de deixarmos de ser apenas nós mesmos, e verificarmos que no singular, apenas nos encontramos vazios um do outro!
 
Alberto Cuddel®
 

 


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