sábado, 10 de outubro de 2015

Escolhi Amar-te XXIII

Bendita e sacrossanta decisão de me casar em ti todos os dias Maria. No teu sim faço-me marido, na construção do ser uno me dás o nome de pai, nos fazemos carne fora de nós, num eu externo demonstração física da decisão diária de nos amarmos no matrimónio.
O que nos une é uma loucura diária de uma aprendizagem inventada na cama, manhãs que nos irrompem como penhascos entre nós, separação propositada, no sofrimento atros, que nos separa de nós no trabalho. Visto-me de ti, na partida levo-te colada ao meu corpo, nas malhas tecidas do perfume do teu corpo colado ao meu, do sabor de teus lábios, levo-te comigo, como contigo vou.
Ai de mim, ai de ti Maria, se eu te amasse apenas com o coração, decidi amar-te, escolhi amar-te com a cabeça que tantas vezes bateu na parede, escolhi amar-te com as mãos, os pés, os lábios, os olhos, escolhi amar-te com todo o meu corpo, dorido e tremulo, como em ressaca no afastamento te ti. Perco-me diariamente no olhar da multidão amando-te sozinho procurando encontrar-me apenas em ti.
Bendita e sacrossanta decisão de me casar em ti todos os dias Maria. No teu sim faço-me marido, no perfume dos espinhos por onde penosamente me arrasto na tua ausência em mim, em ti renasço no teu olhar de desejo, nas asas do teu elevo com que me amas me deito, e amo-te como se apenas o hoje existisse!
 
Alberto Cuddel®
 
 
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