terça-feira, 13 de outubro de 2015

Escolhi Amar-te XXV



Existem palavras difíceis de dizer, de escrever, frases caladas, escondidas, inconfessáveis, numa vã tentativa de ocultação de evidentes evidências…
Não, eu nunca me apaixonei por ti Maria, nunca aconteceu a faísca, o amor ao primeiro olhar, o primeiro olhar, acidental, casual, com a raiva a inundar-me o cérebro, como o odioso pensamento  desse dia, pensava que nada mais havia a pensar, que nunca mulher nenhuma me conquistaria, absorto nesse meu pensar, olhei o teu olhar sem o ver sorrir, pois nada retive na minha distraída e absorvida retina.
Não, eu nunca me apaixonei por ti Maria, nunca senti as borboletas nos estomago, não tive sequer tempo para a ansiosa espera, tudo foi tão concisamente decidido na nossa demasiada maturidade juvenil. Decidi amar-te na segunda vez que te vi, primeira vez que verdadeiramente nos olhamos, em que nossos olhos demoradamente conversaram em profundidade, decidi amar-te na receção das tuas primeiras letras, na correspondência linguística de um sim, um definitivo sim, em que a distância nada significava.
Não, eu nunca me apaixonei por ti Maria, nunca o poder da paixão tomou conta do meu corpo, no desespero exacerbado do tempo que nos mantinha afastados, nunca senti uma paixão finita em crescendo, até ao limbo do desejo absoluto de me realizar apenas em ti. Tudo foi naturalmente partilhado, medos e conquistas. Tudo foi tão naturalmente decidido, ponderado escolhido, numa decisão repentina de agora ou nunca, não, não, eu nunca me apaixonei por ti Maria, pois escolhi amar-te na primeira vez que nossos olhares se beijaram.
Alberto Cuddel ®
 
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