sábado, 24 de outubro de 2015

Escolhi Amar-te XXXII

Escrevi-te tantas vezes sem que realmente tivesse algo a dizer-te, algo a contar-te, apenas pelo prazer de me saber em tuas mãos, de saber que teus olhos iriam percorrer cada traço, cada curva da minha feia e horrível caligrafia, que mesmo assim amavas.
Escrevi prosas, contos, poemas anedotas até, por te saber longe e saudosa, quantas vezes impregnadas com a água de colonia que tanto adoravas, escrevia, escrevo apenas para me saber lido, numa avarenta forma de monopolizar o teu tempo, que nesses parcos minutos é apenas meu, só meu, só minha, escrevo e sorrio, por te saber sorrir ao ler!
Escrevo, como agora, sem que realmente me ocorra nada a revelar-te, a na derradeira certeza que apenas te amo, mesmo que o escolha fazer todos os dias de novo!
Trago no peito o raiar de cada dia,
Trago no olhar alegria da tua vida!
 
És espelho do que sou,
Alma do profundo sentir,
Decisão tecida no dourado querer,
Entrelaçado de gestos perdidos no tempo,
Queres inamovíveis do teu sempre viver,
Carinhos, vontades sempre a repetir,
No cuidar, na dadiva da efémera flor,
Repito a cada dia, a aurora prometida,
Novo nascimento, nova conquista,
Nos caminhos que percorremos,
Guiados pelo eterno luar,
Do mistério carnal,
Que no une sem palavras,
Na demanda empreendida,
A cada dia, cada noite,
Pelo sempre caminho da nossa vida!
 
Exercício este de conquista,
Ver-me a mim pelo teu olhar,
Louco, altruísta e irrealista,
Por ti sentir a vontade de me Amar!

Alberto Cuddel®
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