segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Escolhi Amar-te XLI



Cheguei, mas apesar de ter chegado, não me sinto pertencer ali, a sala vazia, ou apenas cheia de cadeiras vazias, vazias de gente, vazias de sentimentos, apenas vazias. De entre todas as cadeiras escolhi uma, na enorme dificuldade de se escolher uma cadeira numa sala vazia, nem muito à frente, não muito atrás, ali, fácil de entrar, fácil de sair, fácil de sair inclusive de mim, não pertenço a esta sala, vim, apenas vim, como num corpo programado para vir…

Cheguei, mas apesar de ter chegado, não me sinto pertencer ali, a sala, vai ficando preenchida, de rostos, ausentes, desconhecidos, distantes, sussurro ambiente de cochicho, como se estivesse velando algo morto, algo sem espírito, apenas presente na matéria, o ambiente esta frio, gelado e pesado, quase irrespirável, sinto-me comprimido na cadeira, essa que havia escolhido, de entre todas as cadeiras vazias…

Cheguei, mas apesar de ter chegado, não me sinto pertencer ali, a animadora vai papagueando palavras incompreensíveis, inaudíveis ao meu ser, eu não estou, apenas meu corpo se apresenta assim, vejo rostos sorridentes, mas ausentes de mim, longe, eu apenas viajo longe, longe desta sala cheia e tão vazia ao mesmo tempo, tão vazia de ti, tão vazia de mim…

Cheguei, mas apesar de ter chegado, não me sinto pertencer ali, meu corpo estava, mas o teu? O teu fez-me falta, senti-me perdido sem ti a meu lado, pois que sentido tem o que escrevo, se não foi por ti lido, ouvido, sentido… Hoje senti saudades de ti em mim…

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