quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Escolhi Amar-te XLIII

Existiam em mim, vários de nós antes de escolher Amar-te para sempre, apesar de sempre ser apenas um até já, momento em que fecho os olhos sem saber se irei acordar, apenas numa certeza, irei contigo, em ti sonhar. Dos muitos “Nós”, ou “Eu’s” que em mim se debatiam rumo à vitória, existia um que apenas te queria, apenas te queria possuir o corpo, como um premio de conquista após a feroz batalha da sedução, na perfeita certeza de que o amor é prazer.

Existia um “eu” tímido, inseguro, jovial e inocente, fruto da educação machista de uma sociedade que impõem a afirmação do homem pela conquista do objeto sexual, idealizado na jovem virgem seduzida.

O “eu” romântico, carinhoso, afetuoso, revelado apenas por breves momentos, no recato da nossa solidão, imposta por um namoro tradicionalista e fora de tempo, relembrando tempos idos, no recato do lar.

A composição dos meus “eu’s” nos teus, revelou uma educação madura do nosso sentir, do aprisionamento da paixão, alimentando-a até ao dia em que se soltaria em pleno. Muitos dos meus “Eu’s”, dos teus “Eu’s”, foram por um “nós” barbaramente assassinados, para que nos pudéssemos confirmar um no outro.

Pedimos perdão, fomos divinamente perdoados, ajoelhados lado a lado junto ao altar, pedimos perdão, e fomos recompensados com o dom da nossa união. Crime horrível e tão bárbaro aos olhos dos apaixonados pela individualidade pensante que tão horríveis desgostos causa, na incapacidade se satisfação dos sonhos individuais no amor.

Depois da morte e enterro dos Eu’s nasceu em nós outro crime, o crime de sequestro agravado, sequestramo-nos mutuamente, em cada saída, em cada refeição, em cada sonho, cada projeto. Sequestramo-nos mutuamente, vivendo um no outro em todo e qualquer momento! Escolhi Amar-te no dia em que velamos os nossos muitos eu’s…
 
Alberto Cuddel®
 

Enviar um comentário