sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Escolhi Amar-te XLV

Procurava-te para que me completasses… muitos discordam, muitos concordam, para muitos é indiferente, mas para mim, para ti, para nós não. Escolhi amar-te não porque me bastava, não porque estava cheio, não porque tinha amor para dar, mas porque me encontrava apenas a meio, com espaço para te receber, para me poder moldar em ti.
Mesmo na constante dormência do sono, inquieto-me na busca de ti, como se te pudesses ausentar de mim, queria dormir em ti, viver apenas na dádiva de amor coberto pelos lençóis. Acordo constantemente em mim, como um agarrado a um vício, na fome de te escrever, de te inscrever em mim, de deixar escrito e gravado, a louca forma de te amar.
Procurava-te para que me completasses… mas acordei, contigo entrelaçada em mim, como se me prendesse, para que não me afastasse, para que nem um pedacinho de amor pudesse cair fora de nós, queria adormecer em ti, neste leito onde cabe o nosso mundo, não quero acordar sem que te tenha, sem que estejas ao meu lado, sem que dês e me recebas!
Procuro-te nos sonhos, naqueles em que teimosamente acordas, foges de mim, simplesmente para estender um varal de roupa, para que as nossas vestes, lado a lado possam apreciar o nascer dos primeiros raios de sol, enquanto nos entrelaçámos no amor que nos confirma, no mundo horizontal, cobertos por nuvens de algodão.
Ainda assim nosso amor não é perfeito, nunca será ser perfeito, pois somos humanamente imperfeitos, e tantas vezes discutimos, eu discuto, tu discutes, sobre nada, das insignificâncias da vida, quem sabe num divino prepósito, de nos reconciliarmos mais fortes, mais capazes, mais vazios um do outro, para que nos possamos preencher no prepósito da escolha de amar e ser amado…
Alberto Cuddel®

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