sábado, 21 de novembro de 2015

Escolhi Amar-te XLVI



Ao segundo olhar, nossos corpos estremeceram no louco desejo erótico de nos unirmos, no mais animalesco ato de fidelidade sincronizada, dando forma, eliminando as barreiras da linguagem, falando no silêncio dos gemidos do amor. Não somos maníacos, mas a verdade exposta do nosso sentir é que nos desejávamos amar um no outro antes mesmo de nos conhecermos.

O desejo envergonhado desenhado no rubor nos nossos rostos adolescentes, as mãos húmidas do nervosismo, um primeiro beijo em ti, senti, não vi, não viste, apenas o sentimos, na alma, no estremecer dos nossos inocentes corpos…

Encontramo-nos todos os dias no movimento ardente da palavra escrita, no desejo consumado na ponta da caneta em brasa que se arrastava no papel, depósito de sonhos, devaneios eróticos do nosso amor sonhado e confirmado a dois, nas respostas e contra-respostas, da sedução do perfume do papel…

Para finalmente nos encontrarmos, frente a frente, despidos de tudo, despidos do mundo, vazios, apenas confirmados perante a testemunha divina que testemunhou e confirmou o desejo de nos pertencermos. Encontramo-nos na noite onde nascem todas as primaveras, onde todos pássaros cantam em coro a alvorada, como trompetas anunciando a confirmação, a consumação de unir o desejo de nossas almas também no corpo, revelando o mistério divino, confirmado na profecia bíblica e os dois formarão uma só carne, um só espirito.

Em nós que nos escolhemos amar, pelo menos até amanhã, confirmemos hoje, que ainda hoje nos desejamos fazer uno o querer, no silêncio gemido que ecoa nas nossas almas desde o dia em que nossos olhos pela segunda vez se beijaram.
 
Alberto Cuddel®
 
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