terça-feira, 3 de novembro de 2015

Escolhi Amar-te XXXVI



Ontem fui parvo, mesmo assim amei-te mais que nunca, mesmo que te tivesse deixado pelo sofá, bem sabes o quanto o sofá nos prende e manipula, ninguém entende o quão ameaçador e perturbador de uma relação pode ser um sofá, o seu uso como ameaça, “ainda vais dormir para o sofá” ou a dependência do mesmo, estou tão bem aqui no sofá”.

Ontem fui parvo, mesmo assim amei-te mais que nunca, mesmo detido no sofá, ou seria no telemóvel? Fui parvo isso é que importa, mas amei-te mais que nunca, mesmo na distração abolicionista da tecnologia emergente que me distrai de ti, é em ti que eu me encontro, que me faço eu, sim estava descentrado do centro que me das amar-te, mas mesmo inconscientemente amo-te mais que nunca, porque o amor de ontem não é mais que hoje.

Ontem fui parvo, mesmo assim amei-te mais que nunca, às vezes o sofá tem o infernal dom de me abstrair, ou será o telemóvel? Não importa, o que importa é que te deixei de escoltar em mim, como se em todas as árvores da avenida os pássaros se calassem, eu não ouvisse o silêncio, como se num jardim primaveril as flores chorassem ate secar, e eu não escutasse o seu lamento no olhar. Distrai-me de ti, fui parvo, mesmo assim amei-te mais que nunca!


Alberto Cuddel®

 
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