terça-feira, 3 de novembro de 2015

Escolhi Amar-te XXXVII


XXXVII

Os braços que ontem me rejeitavam as investidas corporais, dos desejos carnais da leviana juventude, são os mesmos que hoje me seguram, apertam e me impedem de partir. Quantas vezes, corro sem destino temporal para ti, para me encontrar apenas no teu abraço, braços que investem no ar, aconchego da alma, no calor do corpo.
Quanta vez por ti roubei, surripiei a natureza, enganei o curso da vida, apenas para te ver sorrir, esse mesmo sorriso que agora estampas ao lembrar, aquela flor silvestre, roubada no jardim da vizinha, ou numa qualquer berma da estrada.
Quantas letras perdida escritas pelo punho do teu abraço, quantos olhares na estrada, fixos na curva aguardando o carteiro, quantas memórias no perfume de um mero papel de carta, fazendo voar os sentidos no perfume do teu corpo.
Às vezes falta-nos tudo, e tudo encontramos num abraço, nos beijos dados nunca trocados, no abraço do amor nunca existe reciprocidade, nunca existe receber, apenas existe a dádiva e a entrega, quero amar-te assim num abraço momentâneo, nunca eterno.
Não quero escolher Amar-te para a Eternidade, pois a eternidade, foi ontem, pode ser apenas hoje ou amanhã, quero amar-te apenas agora, no perdão que me concedes a cada momento, pelos erros de voluntariamente cometo ao pensar também em mim.
Quero perder-me no abraço do teu corpo, agora que o inverno se apossa nos nosso ossos, esse que chocalham e clamam pelo teu calor, que rangem na distancia do teu querer em mim. Sim quero, sabes bem que quero, quero como nunca quis outra coisa, como marido devasso chegado da guerra, quero-te, quero deixar-me levar pelo teu abraço!

Alberto Cuddel®
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