quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Escolhi Amar-te porque me Amava VIII

…na porta que fecho atrás de mim, levo comigo a saudade, o teu perfume impregnado na minha pele, no perfume agridoce que inunda o ar em volta do nosso leito. Abandono-te, como Deus te fez, sob a ténue luz que timidamente entra pela janela semifechada, extenuado, de sorriso nos lábios, pelo prazer com que me brindaste, com que eu te brindei, pelo louco e frenético movimento com que nos amamos, uma e outra vez.
…noite esta, em que me abraçaste no beijo, em que me elevaste o desejo ao abismo da loucura, em que me amaste com todo teu corpo, toda a tua alma, cada centímetro da minha pele beijada por ti, em mim a doce paixão da humidade dos teus lábios, e eu? Que agora te abandono na louca vontade e desejo de te voltar a ter em mim…
Ficas, sabendo-me desejada nos teus doces sonhos, apenas num suave e doce beijo de despedia, até que o tempo nos junte em nós. Ficas… sei no íntimo da minha alma, que faremos amor muitas vezes, hoje, mesmo sem estar junto a ti, sei que nos teu doces pensamentos me irás possuir vezes sem fim, que me oferecerás todo o prazer.
Farás amor comigo nos pequenos gestos do teu dia, nas tarefas domésticas, no cuidado, nas compras, nas prendas com que me brindas…
Fazes amor comigo, nos doces sabores que para mim preparas aguardando-me ao jantar…
Amo-te por me saber amada em ti, aguardando ansiosamente a noite, para que ela se deite de novo em nós, nos desejos da nossa pele…
 
M. Irene Cuddel®

Escolhi Amar-te porque me Amava VII


…sentei-me na sombra do desespero, procurando em ti uma admissão do pecado, busco a cada gesto teu a face profunda do arrependimento, quero saber em mim se verdadeiramente me amas, se é em mim e por mim que te vês amado. Quero sentir em mim o amargo sabor do teu pedido de perdão.
…quis perdoar-me, para que te perdoar a ti. Tornei-me exercito verdadeiramente armado, de todas as armas possíveis, decidi conquistar-te, no Amor, na fidelidade quebrada por ti, na nossa felicidade que alguém quis roubar. Soltei-me, fera inconsolavelmente sedutora, arrebatei para mim, todo o teu desejo, todo o teu másculo fulgor, toda a tua ânsia…
…sentamo-nos frente a frente num diálogo surdo, todo o passado, presente e futuro exposto diante de nós, deixei que os sentimentos, os meus, os teus, os nossos, tomassem conta dos nossos corpos, da pele, dos poros, dos membros, do olhar, dos lábios, das formas… no perdão que nossos corpos desejavam, amamo-nos como loucos famintos, como se o ontem não tivesse acontecido, como se o amanhã não fosse acontecer.
…no perdão que te dei tornamo-nos um, como tantas vezes dizes pelo menos até amanhã, pois o amanhã, um dia vai deixar de existir…
Escolhi Amar-te mais uma vez porque me amava também em ti…
M. Irene Cuddel®

61- encontro…


 

 
Nas artes perdidas das palavras
Invento quimeras, conquistas
Reinvento-me poeta
Escrevo em ti o desejo
Inscrevo em mim a sedução
Lanço nas ondas da manhã
Paixões perdidas na noite
Rumo a terra, porto seguro
Raio de luz que me guia
Na calma e aprazível
Baixa-mar, elevas-me
Conquistas-me,
No louco movimento,
Com que me  rebolas na alma
As curvas do teu corpo,
Perco-me nas palavras
Para me encontrar em ti!...
Alberto Cuddel®

Escolhi Amar-te porque me Amava VI

Já sofri em ti, por ti, talvez até por mim, mas também por elas…
Sei que não deve ter sido fácil para ti, mas acredita, foi muito mais difícil para mim, nunca me imaginaria nesta situação, traída, enganada, mesmo que o não fosse fisicamente, o fui na intenção, com uma qualquer vadia, disponível, do outro lado do oceano, do outro lado do ecrã.
Talvez estivesse eu distraída em mim, com o trabalho, com a vida, com o cansaço, mas já mais esperava de ti um ato ignóbil desses, sem que compreendesses o que comigo se passava, sem questionar. Afastei-me de ti e tu buscaste em alguém o que eu não te dava.
Já mais me imaginei nesse sofrimento, mas a verdade é que aconteceu, és culpado, sou culpada, assumimos em nós os erros, assumiste em ti o erro, pediste perdão, eu perdoei, mas já mais perdoarei quem contigo se envolveu, quem contigo sonhou, quem contigo almejou a ser ela tua… e não só ela, mas todas as outras que ardilmente te envolviam em sedutoras teias de facilidade e sedução atroz.
Este animal feroz a cuja classe pertenço, Mulher, que tudo faz para enredar-vos, sem ética, sem amizades, sem respeito, cujo único objetivo é colecionar na sua teia os melhores exemplares, os melhores machos, os mais honestos, os mais românticos, os mais carinhosos. Tenho asco dessas feras, que nem no total conhecimento da tua condição marital, me respeitaram a mim, e que ainda hoje muitas te rodeiam, e invejam a minha condição.
 Já sofri em ti, por ti, talvez até por mim, mas hoje estou vigilante em ti, hoje acordas em mim, hoje cultivamos o que antes ficou solto, hoje amo-te e como uma raposa, ardilmente te envolvo, vigilante a todas as feras, que como satélites orbitam à tua volta, esperando uma brecha.
Amo-te, para que te possas amar em mim!
 
M. Irene Cuddel®

Escolhi Amar-te porque me Amava V

…juntos tornamo-nos alunos de nós próprios, professores um do outro, na arte de entregarmos prazer um ao outro, no ato de nos amarmos. Descobrimos um no outro a arte de mapear os nossos corpos, de tatear cegamente todo o nosso desejo.
Alunos empenhados e dedicados dos desejos carnais, em ti descobri a plenitude do meu corpo, em ti descobri o poder do meu corpo, em ti realizo-me, em ti faço-me plenamente mulher, permanentemente amada e desejada, na tua louca e constante vontade de me possuíres em ti.
…não te enganes, quero-te, não apenas tu, mas eu, não apenas por mim, mas também por ti. Não te enganes, não sou eu que me entrego, mas tu que te doas livremente a mim, para que em mim, atinjas a plenitude do prazer de me amares, na sincronização absoluta dos corpos, uma só batida, uma só respiração, um só gemido, e um abraço, imóvel, no silencio da noite.
Eu, tu, nada mais, apenas o que resta de nós entrelaçado, exausto, sorrindo na alma um do outro…
 
M. Irene Cuddel®

terça-feira, 29 de dezembro de 2015

Escolhi Amar-te porque me Amava IV






Deus criou para nós o matrimónio para que nos amassemos livremente.

Amar é doar-me a ti para fazer-te feliz; é renunciar aos meus próprios desejos e interesses para te edificar. Mais até que um sentimento do coração, o amor é uma decisão, tomada livre e espontaneamente a cada dia.

Quando subi contigo ao altar, fizemos mutuamente uma declaração de amor: “Eu, Irene, te recebo Alberto, como meu esposo, e prometo ser-te fiel na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza, amando-te e respeitando-te todos os dias de minha vida”. Isto não é apenas uma romântica declaração de amor; é sobretudo, um juramento consciente prestado a ti, na presença de Deus, da nossa família, dos amigos e da sociedade. 

O verdadeiro amor exige sacrifício. Para dizer sim a ti, muitas vezes tenho que estar preparada para dizer não a mim mesma. 

Escolhi Amar-te livremente sem os constrangimentos morais, na plenitude da minha alma e do meu corpo, na entrega reciproca com que te entregaste a mim. É pelo matrimónio que abdicamos um no outro de todos os bloqueios e tabus, é pelo matrimónio que edificamos para nós e um pelo outro o prazer de nos amarmos também nos corpos e pelos corpos. 

Escolhi Amar-te por me amar, por me saber amada em ti, por me saber edificada e elevada em ti, na decisão consciente do sim, edificamos em nós o prazer supremo de eliminarmos entre nós todas as barreiras, construindo a busca constante da felicidade do outro em nós mesmos.

 Por me amar, casei-me em ti, para que pudéssemos “acasalar” nos desejos espirituais e carnais todos os dias!


M. Irene Cuddel®

quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Janela


Da janela da tua alma,
Escancarada à calma maresia,
Perco-me no movimento,
Ondular do teu sentir!
Brisa leve que me acolhe,
Por inteiro no teu ser,
Asas que me elevam,
Que me fazem voar em ti,
No teu querer,
No teu saber,
No teu desejo,
Doce sabor do beijo,
Alma minha que me junta,
No disperso pensar,
No abrangente sentir,
Que faz luz na escura noite!
 
Janela, visão do teu olhar o mundo,
Imagens de mim a cada segundo,
Que me congrega como um espelho,
Que me prende na visão,
De ser e ver através dela!
 
Alberto Cuddel
06/07/2015

Escolhi Amar-te porque me Amava III


… esperei,

“Quanto esperei este momento
Quanto esperei que estivesses aqui
Quanto esperei que me falasses
Quanto esperei que viesses a mim...”


...esperei no meu silêncio cruzar o meu olhar no teu, esperei na minha alegria reprimida no meu coração que me confirmasses perante família, amigos e o mundo, em mim a gravada em ouro a intenção de ser amada por ti eternamente. Esperei em ti dar-me a conhecer na plenitude, nos atos, nas palavras tantas vezes escritas, nos carinhos, nos beijos trocados, naqueles outros roubados, no jogo sedutor que nos elevava o sentir e o desejo de nos entregarmos pela plenitude dos tempos…
 

… esperei o dia, como esperei esse dia, a pergunta certa, para uma certa resposta… até ao dia em que deixei de a esperar e disse “sim” como o “sim mais valioso que existia em mim…

 

…e esperei o “sim”, não era imediato, não podia só por mim dize-lo, não podia só por mim confirma-lo, e para que esse sim fosse perpétuo, esperamos…
 

…esperei, já não sozinha, agora tinha-te a meu lado, e juntos esperamos, pelo dia, por esse maravilhoso dia em que os dois juntos podemos confirmar segundo a lei dos homens que nos pretendíamos unir na eternidade para a qual Deus nos criou…

E juntos esperamos que o dia chegasse… o dia em por sorte nos calhou para que segundo Nós, sob o olhar atento da divina testemunha que nos abençoaria, confirmássemos a união no amor que sentimos…

… e esperamos…
 

M. Irene Cuddel®

terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Escolhi Amar-te porque me Amava II


 

… na minha terna e juvenil vontade de te encontrar, de passar a existir também em ti, jamais sonhei  ousar viver tudo o que em ti encontrei. Selaste em mim um pacto elevando-me ao mais alto querer, sabendo-me amada e desejada como alguma vez pensei naquele momento.
Em pleno altar do mundo, diante da Mãe das Mães, elevaste-me à condição de me desejares como mulher, para sempre em ti, ao teu lado, não como tua, mas como companhia permanente de uma caminhada a dois. Ali, deixaste-me na plena confiança de saber verdadeiro o teu desejo de amar, ali, deixei de ser apenas alguém com que falavas, ali fiquei a saber que um dia me querias, não por um momento, mas por uma vida. Ali deixei os sonhos de menina!
Selaste a ouro a tua intenção, num anelar esguio, vazio, preencheste-me com a dourada consequência de me desejares tua, selaste em mim uma aliança, um pensamento permanente, de me sentir pertencer ao nosso corpo futuro. Criaste em mim a confiança, de saber que não apenas eu sonhava, mas que tu amado meu, serias o realizador permanente dos meus sonhos. Dos poucos, dos muitos, de todos os sonhos que contigo sonhei! 
M. Irene Cuddel
 

Nós...

Nós….

Renascemos nas palavras a cada dia,
Reinventamos novas ordens e magia,
Vestimos agora de nova cada ideia,
Fazemos crescer reações em cadeia!

Reinventamos a escrita na resenha,
Nascemos, crescemos unidos na senha,
Palavra rescrita na vida pela vida,
Publicada, republicada a cada visita!

Textos, poemas, card´s, resenhas, cronicas,
Desenhos, imagens, sons, formas bucólicas,
Unidos num sentido, a palavra nosso umbigo,
Das letras perdidas assim unidas um sentido!

Unidos num projeto, nascido da vontade,
Muitas, diversas origens, uma verdade,
A cada dia reinventamos, a ideia, o pensamento,
Moldamos, redesenhamos, o aberto firmamento,
Propagado no poder, de continuar a escrever,
Sem nada vir a ganhar, ou culturalmente perder!
 

M. Irene & Alberto Cuddel®

sexta-feira, 18 de dezembro de 2015

Escolhi Amar-te porque me Amava I


Não esperei que nascesses para que te amasse, quando Deus soprou em mim o dom da vida, já te havia criado na dádiva de poderes amar.

Cresci aprendendo que para amar alguém devo saber amar-me, só amando-me posso amar e receber o amor que me concedem gratuitamente, já mais poderia dar amor se não o tivesse em mim.

Nos dias corridos da minha adolescência procurava-te, os meus olhos procuravam ansiosamente os teus, e quando te procurei no lugar onde moravas, fiquei triste, sentida, sabia que algo que devia existir naquele lugar me pertencia, fazia parte de mim, pois hoje sei, que tu não estavas.

Procurei-te, o meu olhar, sentia a ausência do teu, e ao segundo olhar, sorri, meus olhos encontraram o teu verde mar, dialogaram e perderam-se na imensidão da verde esperança, que o amor transbordava também em ti.

Deus criou-te e fez-te esperar por mim, para que em mim te encontrasses, porque eu já me amava, para te poder amar!


M. Irene Cuddel®

quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

60- Adormeço

Adormeço meu corpo, sol de inverno
Espraio-me caído areia branca
Marés que me embalam os sonhos
Mar roncando, rugindo aflito
Novas de longe, corpos boiando
Inertes sem vida, da guerra fugindo
Nuvens que passam, passando em mim
Caio deitado, ficando à espera
Que tu ou eu, ou mesmo ninguém
Perguntando me erga, no mundo
Que hoje ainda me espera!
 
Alberto Cuddel®
 

sexta-feira, 11 de dezembro de 2015

Escolhi Amar-te LX

 
…li algures “detesto a expressão fazer amor, amor faz-se nos pequenos gestos diários, no nosso leito fodemos”…

A apresentação factual da verdade intrínseca, ao dourar a linguagem apresentada nas longas divagações poéticas, sem roçar o pornográfico ato sexual existente numa relação, até pode ser esteticamente mais aprazível, mas…

Fizemos amor tantas vezes sem que os nossos corpos se encontrassem, na nossa inocente e virginal realidade, cultivamos o ato de fazer amor até à definitiva exaustão do desejo, até nos encontrarmos como Adão e Eva, despidos de tudo, das roupas, dos pudores, dos preconceitos, dos medos, apenas nós, sem culpas, no momento em que tudo nos é possível agora.

Encontramo-nos nos limites temporais onde os nossos tempos apressados pela vivência e exigência da vida moderna, contida nas responsabilidades assumidas ao dar corpo ao sentir, na geração de uma nova vida, nesse parco período em que nos encontramos no mesmo tempo, num mesmo espaço, num mesmo desejo, fodemos, como se o mundo fosse acabar no minuto seguinte, como se nada mais existisse em nós ou por nós. Fudemos com todas as nossas forças, na linguagem ordinária que caracteriza o mais belo ato praticado por um casal.

Felizes de nós, que nos arrebatamos no desejo ardente de nos encontramos no perfeito desespero pelo corpo um do outro, felizes de nós que exploramos todas as formas de prazer que se pode entregar ao outro, que exercitamos e despertamos o desejo um no outro de nos possuirmos.

Busca do constante orgasmo oferecido em ti, não pelo ato de misericórdia de te consolar, mas pelo prazer absoluto de te ver gemer, de sentir cada músculo do teu corpo contrair-se num supremo ato de prazer oferecido sem nada em troca.

Escolho Amar-te todos os dias de novo, não para que nos encontremos apenas pelo prazer, mas pelos pequenos momentos em que damos aos atos de amor diários, mesmo quando me pedes de manhã cedo, numa qualquer manhã de inverno, para que te abandone extenuada na cama e apenas vá buscar o pão!

Alberto Cuddel®
 

https://www.wattpad.com/story/51907170-escolhi-amar-te

quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

Escolhi Amar-te LIX

Chego a duvidar se teria sido eu a escolher amar-te ou se pelo contrário amar-te é em mim uma imposição divina implementada em mim por Deus. Na exata medida que ele nos envia provações, provas irrefutáveis do amor que nos une e tudo em nós suporta.
Amar é também em nós a doce capacidade de choramos juntos na distância imposta, em que o desejo de nos unirmos no sexo selvático e consumista, selo da completa compatibilidade que se impõem em nossos corpos, maduros e ávidos de prazeres carnais, não passa disso mesmo numa louca imposição pelo desencontro horário imposto por uma qualquer bruxa chamada vida, saída de um horrível conto de fadas.
Vivemos horas felizes, dias, tempos, cada vez que te escrevo penso em ti a liberdade, a que deliberadamente impusemos a nós mesmos quando voluntariamente a restringimos pelo matrimónio. Na nossa revolução dos cravos mas ao contrario, não que fossem disparados tiros, mas em que eu num machismo autoritário apenas pensava em te possuir ali, mesmo ali, na igreja.
Há dias, como os dias de hoje, que depois de dias como os dias de ontem, onde juntos brincamos de turistas no nosso lugar, em simplesmente deixamos de lado o matrimonio, e saímos apenas como verdadeiros amigos que apenas pensavam em namorar, há dias depois desses dias que amar dói, dói pela distância deixada aberta na porta do peito, onde o simples desejo de te beijar faz em si, rolar e desenrolar pelo meu rosto noturno, uma salgada lágrima de dor em desespero, lançado que fora o feitiço da lua, pela bruxa da vida, vivendo eu na noite, sobrevivendo tu no dia!
Mesmo assim dói menos desejar-te a ti fonte de todos os meus íntimos eróticos e inconfessáveis desejos, do que não me saber em ti amado!
 
Alberto Cuddel®
 

59- Caem poemas…

Caem as palavras
momento ondulatório
um verso, desenhado
queda, folha dourada
sol outonal que me aquece
círculos que se afastam
queda do charco da vida
ali fica, ondulando,
ali fica, rodopiando
fingindo ser prosa
representando
desejando ser verso
ensaiando uma quadra
sem nada, poema
fim de vida, fingindo
ser o que fingia
poesia!
 
Alberto Cuddel®

quarta-feira, 9 de dezembro de 2015

Escolhi Amar-te LVIII


Não sei se um dia terei tempo para te amar para sempre, talvez não o tenha, Talvez Deus me conceda o direito de te amar apenas até amanhã. Não quero Escolher Amar-te apenas nas belas palavras, isso não conta absolutamente para nada. Quero amar-te como sempre te Amei, corpo a corpo, no silencio do nosso olhar, nos gestos em que cada um de nós surpreende o outro na superação do amor que Deus nos entregou.
Não sei se um dia terei tempo para te amar para sempre, talvez dure apenas o suficiente para te amar hoje, e hoje como prova do amor que sinto, gritei o quanto te amava á pobre florista adormecida, para que te pudesse surpreender.
Não sei se um dia terei tempo para te amar para sempre, talvez não o tenha, façamos em nós proclamação sussurrada em nossos gemidos, vertida em salgados fluidos, esfregado em corpos suados, no bailado das nossas mãos, na entrega ao prazer dado, oferecido, no beijo intemporal da alma, no movimento sincronizado dos corpos, no assertivo batimento cardíaco como um só, na descoberta de um prazer uno e simultâneo.
Não sei se um dia terei tempo para te amar para sempre, talvez não o tenha, escolho amar-te assim também em mim, na tua ausência, enquanto distante de mim, eu me faço presente também no teu olhar!
Alberto Cuddel®
 

58- Não me procures amanhã

não me procures amanhã,
porque amanhã não existo
procura-me e encontra-me hoje,
pois hoje estou, hoje sou
hoje sou, o que ontem vi
o que ontem senti,
o que ontem ouvi,
o que ontem disse,
o que ontem aprendi,
mas amanhã não,
não me encontras  amanhã
pois hoje, ainda tenho muito
muito a ver, muito a ouvir,
muito a sentir, muito a dizer,
muito aprender, muito amar
ainda tenho muito a viver!
 
Alberto Cuddel®

terça-feira, 8 de dezembro de 2015

57-Jardim de ontem!

Colhi em mim as flores abandonadas
Num qualquer outro jardim plantadas
Numa qualquer esperança, ali regada
Encantamento, fonte das aves amada!
 
Caminhos, passeios, não levam a lugar algum,
Rodopiam, contornam, ladeiam, circundam,
Caminhos, correm, pulam, dançam, choram,
Ficam, partem, caem sozinhos na triste solidão
Sozinho assim fica sentado no único banco
Que o jardim moribundo não viu partir!
Aves que ontem se abrigavam, partiram
Os jogos de tabuleiro, acabaram
As crianças que brincavam, cresceram
Hoje passam apressadas, não param
Pobre cantoneiro saudoso, sentado
Deixado só, na saudade, tempo passado!
 
Alberto Cuddel®

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

Escolhi Amar-te LVII

Decidimos, todos os dias amar-nos, mas um dia isso não nos bastou, queríamos anunciar ao mundo, dar provas irrefutáveis desse amor, para que ninguém duvidasse, amor o nosso já testemunhado e abençoado por Deus.

Um dia isso não nos bastou… queríamos provas… procuramos então ajuda cientifica especializada, testes de sangue, exames, tratamentos, vacinas, consultas, radiografias, ecografias, tudo muito bem documentado para que não existissem erros na avaliação.

Um dia isso não nos bastou… foi então que numa consulta da especialidade a noticio chagou, temos prontas as conclusões para apresentação de prova, rimos então no nosso olhar, choramos no nosso sorriso, tudo estava pronto, estava em nós a decisão de a produzir, a prova irrefutável da decisão de nos amarmos todos os dias de novo.

Um dia isso não nos bastou… e tudo se conjugou no universo, na Bênção divina, o local, o calendário, a lua, tudo perfeito, ato de amor, gemido da alma, no desejo do corpo, no brilho do olhar, no orgasmo supremo da dádiva e entrega ao amor, concebemos-te a ti, a prova, irrefutavelmente inegável do amor que une um homem a uma mulher.

Um dia isso não nos bastou… não nos bastava escolher amar-nos apenas um no outro, mas amarmo-nos também em ti e por ti… Escolho ama-te também a ti meu filho, fruto divino do amor que nos une!


Alberto Cuddel ®

sábado, 5 de dezembro de 2015

Escolhi Amar-te LVI


Dou por mim a ser assediado sexualmente por ti todos os dias, até no prepósito de subir as escadas sempre à minha frente rumo ao nosso ninho.

Escolher amar é também em si um prepósito induzido de felicidade sobrepostas pelos atos da satisfação carnal do amor, e nisso sou obrigado a reconhecer em ti os prepósitos sedutores que se modificam e revalidam diariamente com os tempos, maestrina da inusitada arte de sedução, presencialmente ou distante, fazendo-se presente na arte de fazer sonhar as palavras.

Lembras-te daquele ditado chinês que resolvemos contrariar? Sim aquele em que um Ansião dizia: “ se um casal colocar uma moeda num pote cada vez que faz amor nos cinco primeiros anos de casado, poderá tirar uma moeda cada vez que faz amor após os cinco anos que nunca ficará vazio”? Lembras-te? Onde já iriam as moedas…

Talvez seja esse o segredo que Deus nos guardou, talvez a forma de nos unirmos e de manter a nossa união, seja precisamente a interpretação à letra de vos farei um só…

Escolher amar-te é poder fazer sexo contigo a toda a hora e momento, estejas ou não presente em mim, é poder fazer sexo na alma, ma união de sonhos, na união de pensamentos, na união de projetos e metas comum, atingindo o orgasmo cada vez que que os realizamos, cada vez que simplesmente decidimos ir às compras um qualquer dia e concretizar em conjunto essa ida.


Escolho amar-te não apenas porque me escolhes, mas porque nos escolhemos mutuamente a cada dia, afastando de nós as contrariedades, abdicando, consensualizando, dialogando, e acima de tudo praticando diariamente orgasmos de felicidade!

Alberto Cuddel®

sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Escolhi Amar-te LV

Escolhi dar tempo, do teu, do meu tempo, tempo tão escasso e tao curto, do tempo que levo, que na memoria retenho, o tempo que perdi no teu olhar, o tempo que ganhei no teu abraço, o tempo que gastei em ti e o tempo que me deste a mim.
Lembras-te? Do tempo que roubávamos a nós mesmos para dar aos outros, ficando tantas vezes sem qualquer tempo para nós? Lembras-te? De quantas vezes pedíamos tempo emprestado ao dia seguinte e que nunca chagava a ser pago?
Nunca perdi tempo nas escolhas que fiz, nunca perdi tempo contigo, todo o tempo contigo nunca foi ou será uma perda, o tempo que uso em ti é tempo ganho em nós.
Hoje decidi e escolhi poupar tempo, para o investir numa conta-poupança, irei poupar todo o meu tempo para o depositar em nós, para que possa restaurar o tempo que perdi fora de ti. Aproveitar as condições financeiras do tempo, e dai tirarmos os dividendos que tanto procuramos, felicidade, cumplicidade, comunhão, prazer, paixão, Amor!
Escolho Amar-te investindo em ti e em nós parte do tempo que tinha, parte do tempo que tenho, para que tenhamos tempo para nós!
Alberto Cuddel®

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

Escolhi Amar-te LIV

Nada de extraordinário fazemos, no atos ordinários com que nos entregamos à vida, a mulher que escolhi amar não é extraordinária, eu não sou extraordinário, extraordinário é ela continuar amar-me, nos gestos ordinários com que a brindo todos os dias.
Um abraço, um beijo, uma palavra, um gesto, uma flor, não são por definição gestos extraordinários, o que é extraordinário é o momento em que esses gestos são entregues ao outro.
Abraçamos em nós a ordinarice de nos amarmos ordinariamente, sem a busca constante pelo ato extraordinário de nos amarmos extraordinariamente. Acontecem a cada momento atos de extraordinária sedução, talvez por nos apaixonarmos quase todos os dias um pelo outro.
Sonho-te constantemente em sonhos ordinariamente reles, extraordinário seria não te sonhar assim, despida em mim, sedutoramente, despertando desejos carnais inconfessáveis fora de ti. Damos aos momentos ordinários a sedução de em cada um deles formamos memórias extraordinárias da nossa vida passada, no constante ato de nos apaixonarmos todos os dias.
Deixemos os momentos normais para as pessoas normais, para todos os casais sisudos que hoje se cruzaram connosco, para eles e para os outros sisudos que na sua louca individualidade, perdem momentos extraordinariamente felizes e sedutores, onde eles apenas vêm a normalidade do momento.
Escolhi Amar-te até mesmo quando me arrastas para as compras, onde brincamos com a roupa que podes vestir, estando despida para mim!
 
Alberto Cuddel®

terça-feira, 1 de dezembro de 2015

Escolhi Amar-te LIII

 

Pedro Chagas Freitas disse: “Acabo de perceber que estou a escrever mais uma obra lamechas, vivo na Lamechalândia desde que te conheço”. Mas existirá outra forma de falar do amor sem que seja lamechas? Bem existir até existe mas prefiro falar-te disso na intimidade do nosso leito, deixaria de ser lamechas, mas roçaria levemente a pornografia.
Já não fazemos amor desde a última vez – lembras-te? E mesmo assim as horas do meu relógio já não chegam para contar o tempo que se passou, apenas o tempo que falta para te abraçar de novo, se é que se pode chamar de abraço aos movimentos que pretendo preconizar em ti. Quero definitivamente envolver-te em mim, sentir toda a saudade do teu ser, todas as formas do teu corpo em mim.
Sejamos lamechas, não sou perfeito, não és perfeita, talvez por isso nos amamos tanto, chego a pensar que amamos apenas os nossos defeitos um no outro, para que juntos os anulemos, para que juntos nos completemos na complementaridade que o sexo também nos dá. (e ele a dar-lhe). – vês o que me faz a tua ausência em mim?
Ainda assim serei lamechas, amar-te é em mim a necessidade de afirmar minha própria existência no amor, amor não é algo que se sinta, que se veja, amor faz-se acontecer em cada gesto, em cada ação, em cada palavra.
 
Alberto Cuddel®

«A solidão não tem hora de chegada - aconchega-se num regaço intemporal.”


O caminho segue amaldiçoado,
Por uma dourada ceara ceifada,
Toque da brisa Outubro na cara,
A manhã de outono orvalhada!
 
Segue o destino da vida, o ciclo,
Do nascimento e morte, o vício,
De que no final tudo recomeça,
Temperada tarde de primavera!
Cansado da solidão do pensamento,
Vive desgastando-se por dentro,
Na corrida perdida contra o tempo,
Desfilando palavras soltas no engodo,
Do engano sofredor do eterno perdão,
Lançado da busca da perfeição,
Buscando e redescobrindo o eterno modo,
Macabra e entediante dificuldade,
Na solidão encontrar uma saudade,
Conjunto dos tempos de felicidade!
 
Eterna contradição perdida da memória,
Num conflito interior de um pensamento,
Numa desfasada e nefasta ideia premonitória,
Que nos leva a este inevitável momento!
 
Noite esta que não desejei, ausente de mim,
Distante, na obscura luta da sobrevivência,
Noite de lúcidos pensamentos, divergentes,
Revoltantemente confusos, difusos no ser,
Entre o partir e o ficar, o sair a encontrar,
Entre a espada e a parede, desejos sem rede,
Noites estas de incúria, desmedido sentir,
Vivendo o feitiço da lua, nula sorte a tua,
Eu na noite, tu no dia, apenas um olhar,
Um sentir a amarga saudade, que noite,
Noite da saudosa aurora, do dia, encontro,
O doce toque do beijo, o calor de tua pele,
O parar o tempo e ficar, entre a despedida,
O doce e terno movimento do verbo amar!
 
Revolvo passados agindo pelo futuro,
Conforto de pensamento limpo e puro,
Por um presente em tudo diferente,
Vivido rodeado por muita outra gente!
 
Detém-nos a longínqua e ténue visão,
De alguém que recusa e diz não,
Que vencendo a morte se faz nascer,
Uma pequena flor em liberdade,
Na longa solidão da planície a crescer,
No aconchego deixando Saudade!..
 
Alberto Cuddel ®