quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Escolhi Amar-te porque me Amava VII


…sentei-me na sombra do desespero, procurando em ti uma admissão do pecado, busco a cada gesto teu a face profunda do arrependimento, quero saber em mim se verdadeiramente me amas, se é em mim e por mim que te vês amado. Quero sentir em mim o amargo sabor do teu pedido de perdão.
…quis perdoar-me, para que te perdoar a ti. Tornei-me exercito verdadeiramente armado, de todas as armas possíveis, decidi conquistar-te, no Amor, na fidelidade quebrada por ti, na nossa felicidade que alguém quis roubar. Soltei-me, fera inconsolavelmente sedutora, arrebatei para mim, todo o teu desejo, todo o teu másculo fulgor, toda a tua ânsia…
…sentamo-nos frente a frente num diálogo surdo, todo o passado, presente e futuro exposto diante de nós, deixei que os sentimentos, os meus, os teus, os nossos, tomassem conta dos nossos corpos, da pele, dos poros, dos membros, do olhar, dos lábios, das formas… no perdão que nossos corpos desejavam, amamo-nos como loucos famintos, como se o ontem não tivesse acontecido, como se o amanhã não fosse acontecer.
…no perdão que te dei tornamo-nos um, como tantas vezes dizes pelo menos até amanhã, pois o amanhã, um dia vai deixar de existir…
Escolhi Amar-te mais uma vez porque me amava também em ti…
M. Irene Cuddel®
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