quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Livro disponível!

Quantas vezes temos um sonho, que com o tempo vamos abandonando, e que por várias razões deixamos de lado.
Outros porém perseguem-nos como se fosse esse o nosso destino, lutamos dia após dia para o realizar, para atingir o ponto onde tudo se conjuga para que seja realidade. 
Hoje um desses sonhos torna-se realidade, “Entre Pontos e Vírgulas, Poesia” é hoje uma realidade. A partir de hoje disponível para envio, não perca esta oportunidade de ter este meu primeiro livro a solo, o Amor, a vida, a saudade, o erotismo, a que já se habituou a ler on-line, agora em livro, mais do que desejar boa sorte e parabéns aproveite para solicitar já o seu.

Envie mensagem privada ou em alternativa contacte para o e-mail albertocuddel@gmail.com.

Para portugal transferência bancaria outros países PayPal, envio por correio!




sexta-feira, 14 de outubro de 2016

Livro Entre Pontos e Vírgulas, Poesia! Em pre-reserva!

É com muita alegria que vos dou conhecimento de que o livro Entre Pontos e Vírgulas, Poesia!
Já está na Editora MPEdições, e em Novembro estará à venda!
Um livro com a poesia a que já vos habituei,
Onde o amor, a sedução, a saudade, a fantasia, e muito erotismo marcam presença!

Brilhantemente ilustrado pela amiga Miká Penha, Prefacio por João Bernardino!

Na perversão dos meus olhos
Bebo formas linguísticas
Húmida satisfação da alma
Dedos que nervosamente tacteiam
As frases sussurradas nos gemidos
Movimentos perversamente redondos
Que te satisfazem na leitura solitária
De toda a poesia nascida na alma...


Para reservar o seu exemplar enviar email para:






domingo, 25 de setembro de 2016

Sonhos de menino




Sonhos de menino

Ainda ontem de mão estendida
Sonhava em mim novo mundo
Criança sem maldade e destemida
Gravado no coração amor profundo.

Ainda ontem, não conhecia o mal
Tudo o que o homem pode fazer
Para sua plena satisfação pessoal
Destrói sonhos, deixa o outro morrer.

Ainda ontem era feliz, inocência
Sem muito por nada já sorria
Ao amigo oferecia indulgência.

Hoje homem, o mal tomou forma
Perdia toda a inocência já feria
Por um qualquer prazer desforma.

Alberto Cuddel®
23/09/2016
In: Palavras que circulam - XVII





sábado, 24 de setembro de 2016

Ciclicamente


Ciclicamente
 
Nefasto tempo
Equinócio que me desbrava
Uma folha esvoaça
Nos ventos da memória
Dourada, gasta pela vida
No chão morre sob o peso
Dos duros passos da humanidade
Alimento amorfo de nova vida…
 
Alberto Cuddel®
23/09/2016
In: Palavras que circulam - XVII

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Pecado…




Pecado…

Visão plena e absoluta de teu corpo,
Pecaminosos desejos carnais no sopro
Criado vaso perfeito no ser materno
Uso absoluto, supremo prazer eterno!

Rendido à pecaminosa visão
Não me vejo agora arrependido,
Condenado pelo fogo da paixão!

Alberto Cuddel®
22/09/2016

In: Palavras que circulam - XVI

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Desinspirado






Desinspirado

Adormeci no silêncio que me grita na alma, busco palavras novas, ainda não escritas, para um novo poema imaginado ontem, nas águas turvas de um ribeiro seco, sem qualquer inspiração!
A musa que amanhã me dará de beber, hoje distante, ausente, nada me lembra, nada me sente!
Quedo-me quieto, esperando como quem espera um autocarro que passou, mesmo antes de ter chegado, olhar distante e vago. Não há dor em mim que me molde, tão pouco que solde ditongos ausentes de palavras diferentes e estranhas arrancadas as entranhas, de uma triste alma muda!
Mesmo assim a desavergonhada da secretária arqueia de pernas abertas sob o peso do meu corpo...

Alberto Cuddel®
14/09/2016
11:05
In: Palavras que circulam - XV



terça-feira, 20 de setembro de 2016

Novo Olhar



Novo Olhar

Quebrou-se em nós o vaso da virgindade
Nascem novas cores na arte do mundo
A vida em nós brotou, nascemos de novo!

Alberto Cuddel®
11/09/2016
In: Palavras que circulam - XV



segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Apaixonadamente minha





Apaixonadamente minha

Trazes no peito as silabas do meu ser
Presença da perpetuação da minha existência
Nos lábios o doce sabor dos meus beijos
Tatuado na alma o calor dos meus desejos

Talvez escutes em ti o eco dos meus versos
Talvez sorrias ternamente na lembrança,
Talvez percorras a face sentindo-me em ti
Talvez ordenes as lágrimas a não caírem

Sabe-me eternamente teu, ausente assim
Num lapso de tempo, mero desencontro
No espaço e tempo que ocupas a mente
Que me anseia em ti saudosamente

O teu futuro, o meu futuro ligados
Rubra chama que crepita no teu seio
Ardentemente apaixonado, ligado
A mim ser em ti plenamente amado


Alberto Cuddel®

In: Palavras que circulam - XV


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Obviamente…





Obviamente…

Obviamente a noite é escura
Obviamente o dia é todo luz
Obviamente as escadas sobem
Obviamente também descem
Obviamente a saudade dói
Obviamente o amor constrói…
Obviamente sou porque penso
Obviamente penso…
Obviamente sinto…
Obviamente pressinto…
Obviamente amo…
Amor que obviamente te dou…


Alberto Cuddel®
In: Palavras que circulam - XV



quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Falsas Palavras



Falsas palavras

Verdadeiramente escrevo falsas palavras
Minto verdadeiramente sobre o que sinto
Palavras arrancadas a ferro quando as lavras
E cultivas os sentires ausentes de ti, minto!

Sob o céu ensolarado de Dezembro, chove
Nem folha, nem pedra, a brisa nada move
Sorris na morte, palavras tristes que choram
Janela aberta, casa onde as virgens moram!

Perdi-me de ti, saudade de te ter a meu lado,
Ardo em desejo, eu longinquamente choro
Em tempo de paz, para quê a arma soldado!

Choro os beijos dados, na tua palma da mão
Sorrio às tristes paredes da rua onde moro,
Triste virgem minha dos cânticos de Salomão!

Alberto Cuddel®
In: Palavras que circulam - XIV


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Tempo



Tempo

A volatilidade do tempo
Tanto o tempo passa
Como tanto passa o tempo
Sendo aproveitado o tempo
Tempo de bom proveito
Mesmo que passe o tempo
Não é perdido o tempo que passa
Sendo nosso todo o tempo...

Alberto Cuddel
In: Palavras que circulam - XIII


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Entre um sono e o acordar



Entre um sono e o acordar 

A sedução do dia
Cansaço da noite
Paixões do corpo
Desejos da alma
Vida tão aqui ao lado
Segues desamparado
O rumo incerto da horas
Contando minutos para o despertar...
 
Alberto Cuddel
In: Palavras que circulam - XI


domingo, 11 de setembro de 2016

Passeias pela vida





Passeias pela vida

Andas na estrada plana
Rua estreita afunilada
Sentes a vida pulsar nos dedos
Suor que te escorre a cada passo
-corre, corre, grita
Castelos edificados
Muralhas caídas
Derrubadas
Um coração aberto
Sequioso e ávido…
Corre, geme, súplica…
Nas pétalas que desfolhas pela vida…


Alberto Cuddel®

In: Palavras que circulam - XI


sábado, 10 de setembro de 2016

Ciclo





Ciclo

Vem a chuva, vem o vento
Vem as águas que rebentam
Vem o sol, vem o calor
Vem o nascer e depois a flor
Vem nuvens, noites e dias
Vem a as paixões e novas vidas
Vem e vão, partem e chegam
Um ciclo, um verdadeira repetição
Vem, vão
Chegam,
Partem…
E existem apenas os que ficam!

Alberto Cuddel®
In: Palavras que circulam - X

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Tempo





Tempo,

Nos segundos que passam
Conto minutos e horas da rua
Conto saudades verdades tuas
Conto nuvens e almas singelas

No tempo em que não durmo
Fito o tecto, e o nada
E penso, penso que me lembre
Que o nada, pensado fora
Por outra jornada!

Na solidão de um abraço
Aperto o peito
Que tristemente chora
Ausência do teu recado!...

Alberto Cuddel
30/08/2016
In: Palavras que circulam - IX


Um último poema, a verdade




Um último poema, a verdade

Presunçosamente escrevi-me
Reinventado versos, criando-me
Fazendo-me ser o que nunca fui
Fazendo-me poeta das tuas ideias
Da tua alma, da tua forma obtusa de sentir
Presunçosamente enalteci-me
Aos pícaros pecaminosos do ego
Sou um nada poético, apenas actor
Imitador profundo das palavras
Dos sorrisos e das lágrimas
Que mostras e vertes…

Já mais foi honesto na escrita
No que intentei escrever a tinta
Num escuro e anafado legado
De palavras difusas sem estilo definido,
Escrevendo noites pútridas da solidão
Ventos sombrios que cortam a alma
Puritanos e eróticos pensamentos
Saudoso amor deste mundo infernal!

Menti,
Menti-me descaradamente,
Menti-te despudoradamente,
Não sou poeta, nem qualquer coisa que o valha
Não sinto o que escrevo, não escrevo o que sinto,
Invento e reinvento sentimentos roubados
Nas conversas de café, no comboio, no cabeleireiro,
No choro de uma moça abandonada,
No grito do pai que perdeu o filho,
Na mãe que se contorce de dor,
Na lua, falsa, ladra da luz…
No sol, quente que nada produz…
Nas ondas do mar, que vem, que vão,
E tornam a voltar!

É oportuno que, em mim os sorrisos,
Me lembrem os que choram, que, assim,
Meu riso não ofenda a mágoa dos que sofrem:
Mas que eu entenda em mim o sentido do sofrimento,
Sabendo eu que não me iguala, mas que nos torna iguais...
Não me considero melhor do que aqueles que ficaram para trás
Porque o dia virá em que não serei diferente, apenas memória
Nem jornada, nem história, apenas versos difusos de um sentir
Ausente e distante dos meus muitos eus que ultrapassei na caminhada,
Os outros farão de mim
O que eu por ti fiz
E nada de facto, será feito por mim,
Se eu agora não o fizer… farei das palavras caminho
Sem que nunca chegue em mim a concluí-lo...

Na falsidade que me assiste, verdadeiramente apenas me inscrevo
Nas mentiras esquerdas e direitas que poetizo!

Alberto Cuddel®
In: Palavras que circulam - VIII

Eternamente





Eternamente

Nada do que foi criado é eterno
- palavras soltas no caderno
Sentes fingindo a saudade
-ausência de um hoje certo amanhã
A cadencia verbal, sonoridade
-palavra gritadas ao vento matinal!

Sopras a vida, gritando e gemendo
-choro que me acorda, sangue da vida!

Alberto Cuddel®
In: Palavras que circulam - VII


terça-feira, 6 de setembro de 2016

Ontem choveu




Ontem choveu

Tantas vezes choveu ontem,
Mesmo assim com chuva saio de casa,
Percorro ruas e vielas, passeios estreitos,
Mas não procuro ninguém,
O meu olhar hoje não te procura,
Porque ontem choveu,
E eu sei onde estás, onde estavas,
Onde te encontrei
E te deixei à espera,
Há minha espera.
Ontem choveu,
E eu não te procurei…

Alberto Cuddel®
In: Palavras que circulam - VI






segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Sustento no peito o teu sonho!

Sustenho no peito o teu sonho!

Cai em mim o silêncio das estrelas
A noite escorre pelas paredes do quarto
Ouço-me, no profundo e vazio silêncio
Correm longe as palavras nos teus lábios
Dormes, sustentadamente no meu peito
Sentir que te emana da alma, ilumina-me
Corres pelos sonhos,
Como te vagueiam as mãos,
Pelo meu corpo despido…
Na tua companhia, estou só, sozinho,
Acordado sustentando teu sonho!...

Alberto Cuddel®
In: Palavras que circulam - V

domingo, 4 de setembro de 2016

Circulam



Circulam

Na solidão apressada da noite,
Ouço gritos ensurdecedores da multidão,
Caminha solitariamente, rumo ao desespero,
Muro erguido entre cada homem,
Ego diabólico de umbigo erguido,
Desespero para que escutem,
Para que parem, olhem a seu lado,
Irmãos, nem de sangue,
Percorrem apreçados
Estranhos caminhos circulares
Jamais levarão a lugar algum
Espezinhando quem tristemente
Cai à sua frente pelo caminho!

Alberto Cuddel®
In: Palavras que circulam - IV

sábado, 3 de setembro de 2016

Poesia Oculta




Poesia oculta


Pudesse eu fechar-me em mim próprio
Construindo paredes perfeitas,
Pedras finamente cortadas empilhadas
Que afastasse de mim a luz e o mundo!

Pudesse eu ser apenas verso
Apenas rima e poesia, enclausurado
Nas frias e secas palavras despidas
Engavetado no mofo de fechadas gavetas!

Pudesse eu ser segredo oculto da branca beleza
Em folhas negras escritas a branco,
Em folhas brancas escritas a negro,
Tinta seca, palavras arrastadas nunca lidas!

Pudesse eu…
Mas arrasto-me pela devassidão dos olhares
Pela interpretação de humanos ávidos e sedentos
Vasculham as letras, os espaços, os silêncios
Procuram-me a essência, o âmago, procuram-me
Esperam encontrar-me a alma, a calma,
A devassidão prazerosa da vida, a formula do amor,
O mapa da felicidade, ou apenas ler-me,
Compreender-me no ato altruísta que de mim dou
Ao escrever-me nos seus pensamentos!
Pudesse eu ficar fechado numa gaveta,
Poder até podia, mas seria eu apenas e só
A falta da doce luz de ser poesia!

Alberto Cuddel®

In: Palavras que circulam - III

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

Sonho




Sonho

Podem as asas caírem
O voo circular terminar
O movimento quedar
Não resigno à mortalidade do corpo!

Trémulas mãos seguram-me a alma
A vida esvai-se nos círculos da morte
No mundo resido, doce perfume exala
Do ser que te sonhou a triste sorte.

Embala-me a alma em nuvens de algodão
Descendes de mim mar da realidade
Ascende em ti a doce e fulgosa paixão
Aplaca no teu corpo a dor da saudade!


Alberto Cuddel®
In: Palavras que circulam - II



Exercício poético V



Exercício poético V

“Nos jardins desertos da alma
Mariposas de luz revoam
Sugando o néctar da brutalidade
Beijando coração coagido de criança”
Lace Luiza

O triste arrastar dos pés pelo chão
As lágrimas que lhe tingem a roupa
Denunciam o sofrimento do coração
Mão pesada sem noção nada poupa.

Abandono voraz, criança largada ao mundo,
Para quê? Porquê? Sangue do teu sangue,
Tempo passado nem pensaste um segundo,
Antes tu entregue á morte, que ao dengue.

Perdem-se por ruas estreitas, meninos de rua,
Arrastando descalços, latas vazias de esmolas
Por uma responsabilidade só e exclusiva tua.

Não olhas para o lado e segues o caminho,
Pede pão, carinho, alegria e umas solas,
Mas triste de mão estendida continua sozinho!

Alberto Cuddel®

Na gaveta


Na gaveta
 
Em vagas horas
Em que o silêncio se estende
Vagueia redondo o pensamento
Perdido por entre os espaços da mente.
 
Nuamente na orfandade latente
Perdem-se ideias, sentir que mente,
Seguem correntes e brisas modistas
Sem conteúdo, apenas comodistas
Cópias, ideias curtamente repetidas
Ideias sombrias e sujas, escorregadias
Politicamente e socialmente aceitáveis
Mornas, travestidas de conceitos morais
Ideias em versos tristes, sem apoios sociais!
 
Em vagas horas
Em que silêncio se estende
Escrevo e escondo
Pensamento redondo
Que me liberta a alma,
Ao pó, na escuridão da gaveta,
Poesia escrita a tinta preta,
Tantas vezes tingida de sangue!
 
Alberto Cuddel®
In: Palavras que circulam - I


domingo, 28 de agosto de 2016

Exercício poético IV





Exercício poético IV


“Faz da minha pele o teu calor,
Que já de mim, teu corpo embrulha.
Quente como brasa – Essa fagulha...
Queima em sentir teu néctar incolor.”

luan kleyton

Desço de mim pelo sangue fervente,
Poente sentir, abandonado dormente,
Almas que pela manhã anoitecem,
Lágrimas caídas em si só arrefecem,
Descontextualizo cada virgula escrita,
Cada palavra gemida em si prescrita,
Calo palavras vãs, onde no olhar me cego,
De nada me aproveita se tudo esqueço,
No engano serrano, nada de ti conheço,
Se de mim conheço, tudo escrevo, nada nego,
Peco-me das rosas, com que perde a alma,
Labirinto do sentir, das ideias sem saída,
Perdido na morte, perdido na tua vida,
Caio sobre folhas mortas, espero calma,
No mundo cinzento onde me deito,
Não me atrevo por sonhos diversos.
Em busca do teu corpo perfeito,
Inscrito na arrogância dos meus versos!

Olha-me os olhos, vê o que não vejo
Alma cansada, abrasadoramente dormente...
No meu corpo, definha de ti o desejo,
Cala-me a voz, e o sonho que hoje ainda mente!

Alberto Cuddel®

Exercício poético III




“Quantas vezes o silêncio
Grita agitando as palavras
Que ainda não foram escritas!”

Pode ser o silêncio o mero acanhamento da tacanhez envergonhada das tuas palavras politicamente incorrectas, revestidas pela emoção da inverdade em ti contida, ou uma mera e raivosa vendeta pessoal, ou meramente na tua insignificância nada tens a dizer.

Silêncio corrói e mina,
Silêncio destrói e contamina,
Silêncio priva e medita,
Silêncio congrega e facilita,
Silêncio essa mera ausência de som
Essa mera ausência de ti…

Alberto Cuddel®
Exercício poético III

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Exercício poético II


 Exercício poético II

“Na marginalidade da noite,
Despedi-me do luar,
Vesti-me de estrelas,
E no embalo do sonho,
Parti rumo a novo amanhecer!... “
 
Sírio de Andrade

Nem envolvido neste falso silêncio
Caído e esmagado pela escuridão
Os sonhos que de mim em ti presencio
São no amor consciência e servidão!

Mesmo que desagúe nos teu olhos
Das tristes estrelas luzeiro e farol
Lençóis, mãos inquietas entre folhos
Adornado soldado de ti, encimado virol!

Subo nas horas descendo no horizonte
Por entre pedras e almofadas choradas
Tristemente marcadas as noites na fronte
Acordar solitário, manhãs bem marcadas!

“Na marginalidade da noite, “
Encontro-me inquieto, imperfeito
Movimento em si quieto
Luar oculto por um olhar afoito!

"Despedi-me do luar, "
Na transparência da alma
Sobe a águas da vida,
Em ti encontrei a calma!

“Vesti-me de estrelas, “
Por mim, por ti, nunca por elas,
Pela luz que me dás, amor,
Visto-me na manhã até ao sol por!

“E no embalo do sonho,”
Nasço por ti todas as noites
Faço-me crente e servo
Do corpo celeste com que me embalas!

No dever da vida que me desperta
Despedida chorada quase certa
“Parti rumo a novo amanhecer!... “

Alberto Cuddel®
In: Exercício Poético - II

Exercício poético I


 Exercício poético I

 

“O dia nasceu, cansado sentou-se

Esperou pensativamente a noite

Na solidão das estrelas, adormeceu…”

 

Percorro com a nudez dos dedos

A distância que medeia outras horas

Desvendo roupas e outros segredos

Nas lágrimas que caem quando choras!

 

Fundimos a noite na linguagem silenciosa,

Na cama solitária vestida de rubras sedas,

Lua tímida, anafada ocultamente receosa,

Escondidos por entre arbustos e veredas!

 

Cai a noite, beijo salgado, cansado, dormente

Saudade ausente, lábios teus escritos na noite

Gemem as pedras, as ervas, cala-se outra gente

Cai o vento na alma, a brisa nos cabelos, acoite!

 

Corre a água em direcção ao mar,

Dormente ser cativo, doce (a)mar,

Olhar infinito, nuvens, tempestades,

Azul, céu estrelado, tuas vontades!

 

Com os dedos assim vestidos de luxúria

Percorro o tempo e a negra escuridão

O vazio da alma sofrimento da penúria

Devoto crente, triste e humana desilusão!

 

O dia nasceu, cansado sentou-se

Os pássaros irrequietos voaram

Mas o homem, tristemente negou-se,

 

Esperou pensativamente a noite

Vozes dormentes na mente soaram

Veloz pensamento assim afoite

 

Na solidão das estrelas, adormeceu

Sonhos de menino, humanas vontades

Palavras duras, puras, certas verdades

De alma despida o ser Amor, enalteceu!

 

Alberto Cuddel®

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Poesia na gaveta


 Poesia na gaveta
 
Poemas guardados
São nados mortos poéticos
São versos abandonados
Sentimentos secos, esqueléticos
 
Poesia é vida, livre, sentida
Poesia é emoção, quando lida
Escondida, é apenas desabafo
Sem voz, um sussurro, um bafo!
 
Poesia de gaveta, é um eu escondido
Um sentir ausente assim reprimido,
Palavras ocultas da luz, não são escritas
Desenhadas, pensadas, circunscritas!
 
Permite-me ser poeta, sentindo
Lendo, sentindo o teu viver
Permite-me conhecer-te coexistindo
Na tua sensitiva forma de ver!
 
Deixa que as palavras voem
Que o pó de dissipe,
Que os versos vivam…
 
Alberto Cuddel®
In: tudo o que ainda não escrevi 66



domingo, 21 de agosto de 2016

Rasgo folhas do meu caderno,




 

Rasgo folhas do meu caderno,
Procuro no seu interior a essência,
O poder de um sentimento terno,
Mas a escrita fica-se pela aparência
Da corrida tinta que te cobre!
 
Rasgo folhas do meu caderno,
Procuro apagar de mim o passado,
Memória de tudo o que é externo,
Assim definitivamente algemado,
Nas palavras que declamo ao vento!
 
Rasgo folhas do meu caderno,
Vitórias e derrotas do teu sentir,
Vida de um despiciente inferno,
Mim ainda continuam a coexistir,
Versos que finjo escrever na areia!
 
Rasgo folhas do meu caderno,
Esqueço de mim a existência,
Sentir em mim amor materno,
Finjo sentir de ti a aparência,
Palavras redondas que escrevo!
 
Rasgo folhas do meu caderno,
Queimo de ti na luz do olhar,
Romances que em mim alterno,
Encarno em mim o saber amar,
Esqueço abandonado caderno vazio!
 
Alberto Cuddel®
In: Tudo o que ainda não escrevi 65


sábado, 20 de agosto de 2016

Li-te


Li-te
 
Se tu lesses metade do que escrevo
Encontrarias em mim o que descrevo
O que sinto, e o que finjo da tua dor
Escrevo-te como sinto sendo eu actor
Das tuas próprias palavras, perdidas
Eternizadas nas páginas das vidas
Fingidas e ocultas na alma reprimida!
 
Encontras em mim, o teu eu
Não metade de ti, mas alguém que leu
O sentir oculto do teu gestos
Dureza das lagrimas que te caíram do rosto!
 
Alberto Cuddel®
In: Tudo o que ainda não escrevi 64

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Vives

Vives

Nos caminhos da memória
Esqueço e lembro,
Pedras que guardo nos bolsos
Balões presos nos punhos,
E uma bola que saltita entre os pés,
Lembro e esqueço,
Quantas vezes querendo esquecer
O nada que ainda lembro
Ou apenas lembrar
O tudo que ainda que esqueço!
No caminho da memória
Faço-te viver
Para que a história da vida
Não me faça esquecer!

Alberto Cuddel®

In: Tudo o que ainda não escrevi - 63

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Hoje em tudo diferente…

Hoje em tudo diferente…

Momento inconstante e tudo muda,
O sol que dá lugar à chuva, os olhares,
Os gestos reprimidos, as lágrimas, o sorriso
Do nada, nada muda, tudo diferente, sem gente!
Existirá no mundo maior mentira
Do que o silêncio, as árvores a florirem,
Existirá maior traição
Que o sentir da palavras fora de tempo?
Haverá algo mais verdadeiro
Que escrever silêncios,
Com palavras nos versos?
Onde existir vontade, tudo muda
Tudo é verdade, acaba a mentira!
Ficam apenas o cantos dos pássaros,
Memória da água em ribeiro seco
O desejo do beijo, e um céu encoberto
Como lençóis cobrindo corpos estrelados,
E o silencio,
O silencio abafado da respiração ofegante
Nos dedos entrelaçados olhando o tecto!

Alberto Cuddel®
In: Tudo o que ainda não escrevi - 62

Alberto Cuddel na Radio


Noites de Poesia
No próximo dia 22/08 segunda-feira, entre as 20:00 e as 23:00 Hora de Lisboa, Alberto Cuddel estará na Radio Marinhais no Programa Noites de Poesia de Alfredo Batista, aproveite para conhecer melhor o poeta e conhecer também a sua poesia na sua própria voz. Programa emitido também via Internet, no seguinte link: 


segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Incertas certezas


Incertas certezas
 
Certamente que a incerteza existe
Coisa certas desistem,
As incertas persistem,
O sonho vive, antes que morra!
 
As pedras da calçada gastas do uso
Pelo caminho percorrido
Levam, trazem, param e convivem
Antes que o caminho se feche
Sem levar a lugar nenhum!
 
Alberto Cuddel®
In: Tudo o que ainda não escrevi
 
Foto By: M. Irene Cuddel