segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Escolhi Amar-te porque me Amava IX

… há dias assim, em que nada acontece, em que o tempo segue o seu curso sem qualquer dignidade de registo, sem factos, sem qualquer memória digna de registo. Mesmo assim na absoluta normalidade indigna de qualquer mensurável registo, sinto-me, sabendo que me sinto, amo-me, amando-me amo-te também a ti, por te saber existir em mim, somos!
… mesmo sem memória, sem qualquer facto, sem ardentes desejos, sem paixões assoberbadas que nos retiram o folego, existimos um no outro, num simples beijo ao adormecer, num terno abraço ao acordar, num carinho na face, numa frase, num ”tudo correrá bem”; num “não te preocupes tanto”; sei que estás, sei que conto contigo, que estarás sempre ao meu lado.
… mesmo sem memória, é nesses momentos inglórios que mais te amo, por te saber sondando, indagando, compreendendo-me na tua bondade, o meu tempo, o meu espaço, mas sempre ali, ao meu lado…
Escolhi amar-te porque me amava, por saber que nesse amor, existimos, em todos os nossos momentos…
 
M. Irene Cuddel

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