quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Porque me Amava XV



… como as perolas, revelei-me em toda a minha beleza, após o sofrimento atroz que produziste em mim…

Nem nos meus mais negros pesadelos sonhei sofrer o que sofri, no erro de sentir uma culpa em mim, mas não, não era eu a culpada. Foi em ti que encontrei a culpa, a leviandade com que cometeste erros, uns após outros. Nunca poderia suspeitar, que o meu cansaço, que o meu ligeiro afastamento, fosse por ti tão ignobilmente aproveitado, ou que simplesmente que te deixasses cair, nas malhas, nas teias, tão ardilmente tecidas e construídas à tua volta, por aves necrófagas que esvoaçavam sob a tua cabeça.

Fui traída, não no corpo, não no sentir, mas na alma, deixaste-te enfeitiçar pelas doces e disponíveis palavras, de quem sob ti orbitava numa pérfida capa de amizade, conhecendo-te nas letras que debitavas. Revelaste em ti a tua humilde pequenez de homem, tão perfeitamente imperfeito quanto a tua restante espécie…

Desenganem-se todos quantos suspeitam que no teu erro eu deixaria de ver em ti o que via, tornas-te grande, fizeste de mim ainda maior do que alguma vez suspeitei ser, ao te humilhares no erro, humildemente também o admitiste e imploras-te perdão, tornei-me maior ao em mim te conceder o perdão, não porque te amava, mas porque me amava a mim também em ti.

Em todos os erros aprendemos, eu aprendi, cresci, tomei-me atenta, não ao teu comportamento, mas ao nosso bem-estar. Atenta à decisão que assumimos de nos amarmos diariamente. Nesse erro crescemos, aprendemos, tornamo-nos mais uno, o erro não nos enfraqueceu, fortaleceu-nos…

Escolhi amar-te na tua imperfeição porque me amava…

M. Irene Cuddel®


Ps: obrigada a todas quantas almejaram tomar de mim, a minha vida, por nos fazerem mais humanos, por revelarem em mim, o lado mais belo, sedutor, superior, que uma mulher pode alguma almejar a ser. Hoje somos “casal maravilha”, não porque nascemos assim, mas por tudo o que nos uniu…


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