segunda-feira, 25 de abril de 2016

Rir, é bom rir…


 

Descubro todos os dias,

Que me posso rir,

Rir de mim próprio,

Rir, comigo mesmo,

Que é melhor rir que chorar,

Que podemos chorar de rir,

Que rimos dos medos,

Para encobrir segredos,

Que rimos por nada,

Que rimos de nada,

Que rimos por apenas ver rir,

Que sorrir não é mentir,

Que sorrir pode encobrir

Lágrimas que a alma decanta,

Mas rimos para que os outros

Não chorem connosco…

 

Então rio de mim,

Mesmo que em mim

As lágrimas contidas

Lubrifiquem apenas o olhar!

 

Alberto Cuddel®

terça-feira, 5 de abril de 2016

Poema Pequeno

Poema pequeno
Um poema pequeno
Como as coisas pequenas
Pode conter coisas grandes
Ou metade
E acrescentar
Ou dividir
E somar!
 
Num poema pequeno
De palavras pequenas
Pode caber o mundo
Um ano ou um segundo
O já ou a eternidade
Ou a perda e a saudade!
 
Num poema pequeno
Cabem os pequenos poemas
Todas as palavras e temas
Puritano, um tudo obsceno,
Nele pequeno explanar
Cabe o mundano
O corriqueiro
O prazer
O insano
O ligeiro
Ou o saber!
 
Num poema pequeno
Sem muito dizer,
Dizemos tudo
Sem nada nele escrever!
 
No meu poema pequeno
Não quero dizer muito,
Apenas que o amor é pleno!
 
Alberto Cuddel®

Porque me Amava XXX


Porque me Amava XXX
De mim para ti…
Hoje esvazio-me… esvazio-me de mim, do meu eu, do que em mim recebi, do que em mim armazenei, do amor que recebi, da memória do amor que dei, da pressa do dia, da monotonia, da vida, da fome, da sede, da vontade, do desejo…
Hoje esvazio-me… e já vazia, poderei voltar a encher-me, de ti, de mim, de amor, de vontade, de fome, de sede, de vida, de querer… e quando estiver quase, quase no ponto… doar-me-ei numa troca mútua e profunda a ti…
Nesse momento, tudo se congrega, tudo se mescla, numa espiral infinita, onde o Amor, a vida, a fome, a sede, os sonhos, a vontade, o querer, o prazer, abandona a nossa mesquinha individualidade, tudo passa, tudo chega, tudo abandona o eu, passando indefinidamente a nosso, nunca cheios, nunca vazios… não numa união de mim para ti, mas numa fusão completa de ti em mim…
 
M. Irene Cuddel

 
 

Porque me Amava XXIX

Porque me Amava XXIX

… mesmo sendo tu debaixo das luzes dos holofotes, também eu lá estou, vivendo em ti!

Mesmo vendo-te a ti ali diante de mim, não estas só, és parte de mim, vivo ali em ti, como espelho da minha própria existência, és porque também eu sou, sou as palavas que escreves, sou os sons que docemente emanam dos teus lábios, sou batida sincronizada de um músculo cardíaco, sou inspiração, não sou menos nem mais, existo em ti, no ser que és, por Amor, a ti, pelo Amor que em mim depositas!

Escolhemos simultaneamente quem somos, como existimos um no outro, não numa algraviada escolha democrática do sentir, mas como um, somos Eu, não um nós, mas um Eu!

No passado teria sentido amar-me, amares-te, mas hoje? Hoje apenas amamo-nos um no outro! Hoje o eu e o tu, apenas assim existe, num passado longínquo onde nos abandonamos um no outro!

M. Irene Cuddel
 
 
 
 

domingo, 3 de abril de 2016

Porque me Amava XXVIII

Porque me Amava XXVIII
 
Sentada na borda do nosso leito, hoje vazio de ti…
 
Sorrio, deixo-me levar pelos pensamentos, não pela angustia da tua ausência, mas pelas memórias gravadas no meu coração, pelo sabor do beijo de despedida, pela alegria das vitórias, por um Amo-te fora de horas, por saber teus também meus sonhos, por saber tuas as minhas vitórias!
 
Sentada na borda do nosso leito, deixo-me levar, no sonho, navego pelo teu corpo, pela memória do teu cheiro impregnado em mim, pelo sonho de um amanhã, nos projetos que juntos sonhamos, que juntos inscrevemos em nós.
 
Aqui, agora, não entendo como pode alguém deixar de amar, como pode alguém arrancar parte de si mesmo, abandonar as escolhas que fez, que sonhou, que juntos sonharam! Sinto a tua falta, mas sei que me pertences, e que levaste contigo também parte de mim. A vida insiste em separar-nos, mas a cada tentativa, mais comprometidos um no outro nos tornamos, Amo-te por que me amo em ti!
 
M. Irene Cuddel®
 
 
 
 

Porque me Amava XXVII


Porque me Amava XXVII

 

Recordamos hoje, que não envelhecemos, que nos merecemos, que no fundo não crescemos, somos quem fomos, como e onde fomos…

Ultrapassamos barreiras, transpusemos fronteiras, amainamos tempestades, sofremos saudades, dialogamos, silenciamos, falamos calados, gritamos sentados, passeamos de mão dada, às vezes bem afastada, mas não crescemos, somos quem fomos, como e onde fomos…

Amamo-nos, na feracidade do fogo juvenil da paixão, amamo-nos com a calma de dois velhos amigos ao pôr do sol, como amantes, amigos, namorados escondidos, mais um dia, por um dia. Amar é a forma mais simples de coabitar contigo em mim. Coabitamos um no outro por uma decisão consciente de assim nos amarmos um no outro, há tempo suficiente para ter a certeza de que queremos continuar a viver e amar assim…

 

M. Irene Cuddel®

Porque me Amava XXVI


Porque me Amava XXVI

 

… os dias esse sucedem-se, e as noites essas gelam-nos os ossos!

 

Os dias sucedem-se, um após outro, mesmo assim na nossa monotonia, amamo-nos. Já não arrebatadoramente na febre da paixão, mas na consciência de que nos amamos até à exaustão, nos parcos momentos que em que nos concedemos tempo! O tempo é a melhor oferta que alguém pode oferecer, o tempo é em nós o bem mais precioso, o tempo que te dou, que me dás, que entregamos por amor, o que damos ao nosso filho.

 

Podes oferecer-me flores, jantares, noites extenuantes de um maravilhoso sexo, mas o que mais aprecio de ti é o tempo que me ofereces, em que te dedicas em exclusividade a mim, em que te refugias do mundo em mim, em que eu passo a ser eu a plenitude do teu mundo!

 

Sou em ti o céu em que vaporosamente vagueias, as estrelas ardentes e distantes, o luar que te guia ao calor do meu corpo, sou o tempo em que me diluo na oferta do teu amor! Somos licorosamente mel num mundo arrogantemente individual, onde piscinas de fel e inveja nos ladeiam, e sob uma capa de êxtase e prazer, que nos clamam para  a desgraça e infortúnio…

 

Somos amantes, amigos, crentes e convencidos que somo, se existimos no tempo que nos damos! Ofereço-te a ti o meu tempo porque em ti me amo!

 

M. Irene Cuddel®