domingo, 3 de abril de 2016

Porque me Amava XXVI


Porque me Amava XXVI

 

… os dias esse sucedem-se, e as noites essas gelam-nos os ossos!

 

Os dias sucedem-se, um após outro, mesmo assim na nossa monotonia, amamo-nos. Já não arrebatadoramente na febre da paixão, mas na consciência de que nos amamos até à exaustão, nos parcos momentos que em que nos concedemos tempo! O tempo é a melhor oferta que alguém pode oferecer, o tempo é em nós o bem mais precioso, o tempo que te dou, que me dás, que entregamos por amor, o que damos ao nosso filho.

 

Podes oferecer-me flores, jantares, noites extenuantes de um maravilhoso sexo, mas o que mais aprecio de ti é o tempo que me ofereces, em que te dedicas em exclusividade a mim, em que te refugias do mundo em mim, em que eu passo a ser eu a plenitude do teu mundo!

 

Sou em ti o céu em que vaporosamente vagueias, as estrelas ardentes e distantes, o luar que te guia ao calor do meu corpo, sou o tempo em que me diluo na oferta do teu amor! Somos licorosamente mel num mundo arrogantemente individual, onde piscinas de fel e inveja nos ladeiam, e sob uma capa de êxtase e prazer, que nos clamam para  a desgraça e infortúnio…

 

Somos amantes, amigos, crentes e convencidos que somo, se existimos no tempo que nos damos! Ofereço-te a ti o meu tempo porque em ti me amo!

 

M. Irene Cuddel®
 

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