domingo, 31 de julho de 2016

A que sabe o amor?

A que sabe o amor?

Desconheço o seu sabor,
Diz o poeta: - romãs…
De teus lábios não brotam caroços
Talvez mel, talvez fel
Na aspereza das palavras,
 - Olha só a roupa espalhada.
 [quero amar-te não quero saber da roupa
Quero sorver de ti o amor,
Quero beber o teu sabor, tua essência…
      [óh deus me dê paciência…

Quero traçar teu corpo num abraço,
Quero erguer-te no espaço,
Rodopiando bailando,
Percorrendo teu cheiro!
Deitar-me em ti,
Viajar no teu vale,
Sentir o teu sal,
Dar-te amor,
Sentir seu sabor!

Acolhe-me em ti,
Como o vaso a orquídea,
Deixa que floresça,
Num gemido, num sussurro,
Deixa que cresça,
Que se torne intenso,
Que se forme movimento,
Que seja cadencia,
Que seja grito, espasmo, prazer,
Deixa que gema,
Que escutem as paredes,
Que que se envergonhem os lençóis,
Da falta pudor
Louco dos amantes!

A que sabe o Amor?
Não qualquer sabor,
Não apenas a mar,
Mas a ti, a mim, ao acto de amar!
Doce, suave, encorpado, salgado,
Amargo, húmido, desejado, beijado!
 A que sabe o amor?
A tudo,
Quando bem partilhado!

Alberto Cuddel®
In: Tudo o que ainda não escrevi 51


quarta-feira, 27 de julho de 2016

Dizer “Amo-te” não é um mero dever,

Dizer “Amo-te” não é um mero dever,


Este inferno de partir - ah... E eu parto!
Por onde foi a vontade… quem ma roubou?
Esta ignóbil certeza, trabalho, coisa que me consome
Que vida? -  A vida que em nós se constrói –
Fogo que me arde, cinza que esvoaça
Quando? Quando? Por quanto tempo?


Eu sei, sei, mas ainda assim quero,
Reconhecer tacteado o teu mundo,
Não sei por quanto tempo te ausentas,
Ou as historias que nunca vivi
Nunca foi um sonho – ou se meramente sonhei?
Oh! Que enfadonho é este partir...
Que me obrigam, aí de mim! Quero recuar?


Só me lembra que não irei, fico
Eu decidi...  tornou-se luz dentro de mim,
E os meus olhos, que enxergaram além,
Em leituras do teu corpo, clamam firmes
Que faço ao saber? Fico, vou, deixo-me?
-só sei que nada sei!
Mas nessa hora nem sequer comecei!

Alberto Cuddel®
In: Tudo o que ainda não escrevi - 50

Às vezes, leio-me e comento-te...



Às vezes, leio-me e comento-te...
 
Na imensidão do pensamento
Penso, às vezes penso
Penso que me basto
Nas palavras que produzo
Às vezes, penso,
Penso que sou tão ignorante
E depois? Depois leio-te
Leio-te a ti poeta
Que me contas outra vida
Outras rimas, outras terras
Amores novos e virgens
Leio-te, na minha originalidade
E sinto-me pequeno,
Infinitamente pequeno
Plagiador até,
As palavras que escrevo
Não são novas em mim
Não brotaram do meu ser
Mas do que li,
Do que contigo aprendi
Ao ler-te também a ti…
Repouso em ti poeta
A consciência,
O cinzento pensar
Que bebo nas tuas
eloquentes palavras
soltas, livres, vivas
nas frases, nas rimas
na sofreguidão da fome
de te ler, de te interpretar,
e comentar, na ânsia
pagã, de sentar-me à tua direita,
lendo-te e encontrando-me
na significância da tuas
puras e elaboradas palavras!
 
Alberto Cuddel®
In: Tudo o que ainda na escrevi 49




movimento


movimento
 
Peito que se inclina,
Pernas que se movimentam
Olhares que se fixam,
Braços que se enrolam!
 
Sonhos partilhados
No balanço do tempo,
Amor compartilhado,
Assim vamos vivendo!
 
Alberto Cuddel®


terça-feira, 26 de julho de 2016

Amar


Amar
 
Amar! só d'um amor que tenha vida...
Não que sejam só tímidos os beijos
Sem que fique pelos delírios e desejos
Mas pela acção duradoura e esclarecida!
 
Amor que vive e brilhe! Luz fundida
Que venha de mim – nunca desejos
Nem artes do corpo – teus arpejos
Amor entregue como forma de vida!
 
Amor realizado em nós, noite do dia
Realizado sorrindo, firmeza dos braços
Nevoeiro das palavras, sempre fantasia...
 
Nem de mim o sol ou a lua erguida...
Nem corpos celestes, vazios espaços
Com posso ser nada se o amor tem vida?
 
Alberto Cuddel®

segunda-feira, 25 de julho de 2016

Corpos… apenas isso


Corpos… apenas isso

 

Cenário do desejos mudos e quedos,

- Raios de lua afagam-te os cabelos.

Lábios húmidos, desejo de beijos,

Lua sonâmbula adormecida,

Ondulantes formas de mulher,

Perpetuamente dormente…

Olhar cego e reto como destino

Entre o cansaço do dia e o desejo de carne,

Tolhem o olfato as nuvens pardas de baunilha,

Mãos que se cruzam junto ao peito

Entre o abraço dos corpos,

O calor que apenas restou!

 

Olhemos as horas,

E o tempo que resta,

Ceus rasgados pelos raios de sol!

 

Alberto Cuddel®




sexta-feira, 22 de julho de 2016

Em Papel Branco


Em Papel Branco

 

Em papel branco

        Rabiscos letras

 Tinta,

 Formam-se versos

        Do fundo de mim.

 

 Enquanto dizem:

     - O AMOR não existe!

 Grito:

     - E Eu? Como posso não existir!

 Que faço eu com o sentir...

Com a decisão de te amar todos os dias?

 

 Deliro:

      - Deixa-me viver mesmo que enganado!

 Eu e o e o sentir que explano,

       Em papel branco.

Sob a rubra paixão!

 

Alberto Cuddel®


quarta-feira, 20 de julho de 2016

Ciclo!





Uma branca parede
O vermelho escorre
O povo já com sede
A oposição já morre!

Ensaio armado, pelo teu poder
Tudo se faz, tudo se arquitecta
Tudo se justifica, e eles? A ver,
Esperando, estanque morte certa!

Velha, egotista olhando o umbigo
Europa, fogem as ilhas ocidente,
A oriente discordas correm contigo
E nós? Seguimos a vida indiferente!

Negras nuvens cobrem brancas paredes
A história é um ciclo, um dia repete-se!

Alberto Cuddel®

Actualidade preocupa-me...


domingo, 17 de julho de 2016

Conflito…







Além do tempo, vive em ti o sonho
Lágrimas que caem, no eterno conflito
Entre a realidade e o querer do desejo
Leve como as pétalas no seu perfume
Na brisa esvoaçam, no vento perdem-se
Bailam como borboletas manhã primaveril
Nos verdejantes prados de flores
Tudo muda no vento, na tempestade
Até nova calmaria, nova bonança! 

Alberto Cuddel®


sábado, 16 de julho de 2016

imagem do meu eu


Eu poema!
Há poemas que não se definem
Há poemas que apenas definem
Há poemas abstractos
Com imagem pudicas
Com frases empíricas
Poemas com rimas
Poemas com primas
Poemas comigo
Poemas contigo
Poemas de amigo
Poemas sem teu
Poema sem meu
Poemas com eu
Há poemas que são lidos
Poemas que são sentidos
Poemas vistos
Poemas de comentados
Poemas concentrados
Poemas com fotografia
Poemas sem caligrafia
E há poemas sem nada
E de nada um poema!

Como muitos(as)
TAMBÉM EU ME MOSTRO,
SABENDO QUE QUANDO ME PROSTO
NÃO É A TI QUE VENERO!

Alberto Cuddel®


sexta-feira, 15 de julho de 2016

Lanço poemas


 

Em tudo o que faço e refaço.

Meus pedaços em troca de laços

Dar o que em mim ainda há

Tanto sofro como choro

Tanto rio como sorrio!

De que me afasto se me basto

Chega! Agora basta!

 

Odes delirantes de alfobres

Berçários de versos, reversos

Saudades…

Amores, paixões, desejos profanos,

Sonhos e dores…

E arde em silêncio a candeia

Que me ilumina e incendeia

Chama que dança –lua cheia,

- triste e amargurado poeta

Por onde arrastas teus versos

Peregrinos, lançados pela janela

Ao colo de uma donzela,

Sofre em si abstinência do corpo

Lágrimas que lhe correm no leito

Pelos tremores do desejo,

- Tudo por nada, apenas por um beijo!

 

Ai poema, poema,

Onde me levas, debruado na noites

Em cama de estrelas, sonho vê-las,

Palavras soltas, diretas, concretas,

Rimando apenas na beleza do seu busto,

Nos versos procuro e rebusco, o sim,

O não, o amor, a paixão, ou apenas a visão

De te ver passar mais uma vez,

Lançando-te poemas para o colo!

 

Alberto Cuddel®


quinta-feira, 14 de julho de 2016

Espelho da Alma




 

“que as nossas Almas sejam Alfa na menina dos nossos olhos”
Eliomar Marinho
Nunca saberei definir o tangível do teu ser,
Espelho da alma onde de mim iras beber,
Reténs na retina a tristeza e o lamentos,
Faíscam sorrisos, gozos, alegrias e os momentos,
Abre-me no espelho da alma, o que de ti retenho,
Nos alfas pensamentos, sonhos primeiros!
 
Nas pálpebras fechadas e pesadas solta-se a voz,
Calada nos beijos impalpáveis, bebidos nos lábios
Movimentos oxidados dos desejos futuros, -leio-te
No olhar fechado, no movimentos dos dedos,
Expõem em mim a alma, os teus medos e segredos!
 
Ainda assim que nossas almas sejam Alfa,
Que nossas almas sejam beta, sejam alfabeto,
Que se espelhem na menina dos nossos olhos!
 
Alberto Cuddel®




quarta-feira, 13 de julho de 2016

Às vezes em dias perfeitos





Às vezes em dias perfeitos, apenas a tua ausência
Tolhe-me o fogo que me arde nas veias,
Pergunto-me se sente o mesmo?
Ou sequer pensas na mera existência do sentir
Que em mim dói na dormência atroz de me faltares?
Sinto-me, disformemente amputado de ti,
Faltas-me, para que eu em mim exista na plenitude!
Faltas-me,
como as flores num jardim
como a lua na noite
como um veleiro sem vento
faltas-me inclusive nos sonhos
que teimosamente mantenho
mesmo que acordado
consciente da falta
do teu perfume no meu corpo!
Chegas-me, completas-me, compões-me
Fazes-me… assim és, dor da ausência
Por eu próprio não me ter,
Pergunto-me se tu também não te tens?
Ou que quer sou em ti ausência,
Ou apenas apêndice, como um qualquer adorno
Que apenas te faz mais, mais tu?

Às vezes em dias perfeitos, perco-me
Como se perdesse, como se te perdesse
Por apenas amar com o emaranhado de pensamentos…



Alberto Cuddel®

In: Tudo o que ainda não escrevi



terça-feira, 12 de julho de 2016

Deixei cair o olhar

Deixei cair o olhar

Deixei cair o olhar, na volúpia da tua blusa,
Adormeci no longo azul que me cantava,
Deixei que minha mão caminhasse fogo adentro,
Que te encontrasse,
- que desenhasse mundos sem fim,
Que descobrisse em ti o universo gemido…

Deixei cair o olhar, lascivamente na tua saia,
Acordei dormente do sonho da mente,
Deixei que meu corpo se dobrasse,
Caísse por terra e te bebesse em tragos,
- que escutasse o rubor do teu rosto,
Que descobrisse em ti outra gramatica,
Outra forma de dialogo, e um universo de estrelas!

Deixei cair o olhar, sequiosamente nos teus lábios,
Suspenso na miséria e na grandeza de quem ama,
Neles alimentei a alma, na calma de me saber desejado!
- Deixei em ti cair o olhar, e para mais ninguém o levantei!


Alberto Cuddel®