quinta-feira, 4 de agosto de 2016

Dói-me a tua ausencia


Doí-me a ausência
 
Procuro palavras perdidas
Explicação para lágrimas vertidas
Para a escorregadia calçada da saudade
Procuro nas mentiras a luz da verdade
Encontro paredes negras e sombrias
Que me asfixiam na solidão do quarto
Gritos noturnos de um qualquer parto
Clareiras de hirtos pinheiros mansos
Grasnar aflitivo de alvos gansos
Partida, rumo ao sul calor do verão
Sussurro para mim mesmo dores de paixão
Sonho teu rosto esquecido no adeus
Do jardim, nem memória, nem um jasmim
Nem rosas ou margaridas,
Apenas uma janela fechada,
Um amontoado de silêncios
Uma chuva miudinha que me lava a alma,
E as lagrimas salgadas, essas são calma!
Por nada, apenas estou assim,
Diferente, morto em mim!
 
Alberto Cuddel®
In: Tudo o que ainda não escrevi - 55

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