quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Exercício poético I


 Exercício poético I

 

“O dia nasceu, cansado sentou-se

Esperou pensativamente a noite

Na solidão das estrelas, adormeceu…”

 

Percorro com a nudez dos dedos

A distância que medeia outras horas

Desvendo roupas e outros segredos

Nas lágrimas que caem quando choras!

 

Fundimos a noite na linguagem silenciosa,

Na cama solitária vestida de rubras sedas,

Lua tímida, anafada ocultamente receosa,

Escondidos por entre arbustos e veredas!

 

Cai a noite, beijo salgado, cansado, dormente

Saudade ausente, lábios teus escritos na noite

Gemem as pedras, as ervas, cala-se outra gente

Cai o vento na alma, a brisa nos cabelos, acoite!

 

Corre a água em direcção ao mar,

Dormente ser cativo, doce (a)mar,

Olhar infinito, nuvens, tempestades,

Azul, céu estrelado, tuas vontades!

 

Com os dedos assim vestidos de luxúria

Percorro o tempo e a negra escuridão

O vazio da alma sofrimento da penúria

Devoto crente, triste e humana desilusão!

 

O dia nasceu, cansado sentou-se

Os pássaros irrequietos voaram

Mas o homem, tristemente negou-se,

 

Esperou pensativamente a noite

Vozes dormentes na mente soaram

Veloz pensamento assim afoite

 

Na solidão das estrelas, adormeceu

Sonhos de menino, humanas vontades

Palavras duras, puras, certas verdades

De alma despida o ser Amor, enalteceu!

 

Alberto Cuddel®
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