domingo, 25 de setembro de 2016

Sonhos de menino




Sonhos de menino

Ainda ontem de mão estendida
Sonhava em mim novo mundo
Criança sem maldade e destemida
Gravado no coração amor profundo.

Ainda ontem, não conhecia o mal
Tudo o que o homem pode fazer
Para sua plena satisfação pessoal
Destrói sonhos, deixa o outro morrer.

Ainda ontem era feliz, inocência
Sem muito por nada já sorria
Ao amigo oferecia indulgência.

Hoje homem, o mal tomou forma
Perdia toda a inocência já feria
Por um qualquer prazer desforma.

Alberto Cuddel®
23/09/2016
In: Palavras que circulam - XVII





sábado, 24 de setembro de 2016

Ciclicamente


Ciclicamente
 
Nefasto tempo
Equinócio que me desbrava
Uma folha esvoaça
Nos ventos da memória
Dourada, gasta pela vida
No chão morre sob o peso
Dos duros passos da humanidade
Alimento amorfo de nova vida…
 
Alberto Cuddel®
23/09/2016
In: Palavras que circulam - XVII

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

Pecado…




Pecado…

Visão plena e absoluta de teu corpo,
Pecaminosos desejos carnais no sopro
Criado vaso perfeito no ser materno
Uso absoluto, supremo prazer eterno!

Rendido à pecaminosa visão
Não me vejo agora arrependido,
Condenado pelo fogo da paixão!

Alberto Cuddel®
22/09/2016

In: Palavras que circulam - XVI

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

Desinspirado






Desinspirado

Adormeci no silêncio que me grita na alma, busco palavras novas, ainda não escritas, para um novo poema imaginado ontem, nas águas turvas de um ribeiro seco, sem qualquer inspiração!
A musa que amanhã me dará de beber, hoje distante, ausente, nada me lembra, nada me sente!
Quedo-me quieto, esperando como quem espera um autocarro que passou, mesmo antes de ter chegado, olhar distante e vago. Não há dor em mim que me molde, tão pouco que solde ditongos ausentes de palavras diferentes e estranhas arrancadas as entranhas, de uma triste alma muda!
Mesmo assim a desavergonhada da secretária arqueia de pernas abertas sob o peso do meu corpo...

Alberto Cuddel®
14/09/2016
11:05
In: Palavras que circulam - XV



terça-feira, 20 de setembro de 2016

Novo Olhar



Novo Olhar

Quebrou-se em nós o vaso da virgindade
Nascem novas cores na arte do mundo
A vida em nós brotou, nascemos de novo!

Alberto Cuddel®
11/09/2016
In: Palavras que circulam - XV



segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Apaixonadamente minha





Apaixonadamente minha

Trazes no peito as silabas do meu ser
Presença da perpetuação da minha existência
Nos lábios o doce sabor dos meus beijos
Tatuado na alma o calor dos meus desejos

Talvez escutes em ti o eco dos meus versos
Talvez sorrias ternamente na lembrança,
Talvez percorras a face sentindo-me em ti
Talvez ordenes as lágrimas a não caírem

Sabe-me eternamente teu, ausente assim
Num lapso de tempo, mero desencontro
No espaço e tempo que ocupas a mente
Que me anseia em ti saudosamente

O teu futuro, o meu futuro ligados
Rubra chama que crepita no teu seio
Ardentemente apaixonado, ligado
A mim ser em ti plenamente amado


Alberto Cuddel®

In: Palavras que circulam - XV


sexta-feira, 16 de setembro de 2016

Obviamente…





Obviamente…

Obviamente a noite é escura
Obviamente o dia é todo luz
Obviamente as escadas sobem
Obviamente também descem
Obviamente a saudade dói
Obviamente o amor constrói…
Obviamente sou porque penso
Obviamente penso…
Obviamente sinto…
Obviamente pressinto…
Obviamente amo…
Amor que obviamente te dou…


Alberto Cuddel®
In: Palavras que circulam - XV



quinta-feira, 15 de setembro de 2016

Falsas Palavras



Falsas palavras

Verdadeiramente escrevo falsas palavras
Minto verdadeiramente sobre o que sinto
Palavras arrancadas a ferro quando as lavras
E cultivas os sentires ausentes de ti, minto!

Sob o céu ensolarado de Dezembro, chove
Nem folha, nem pedra, a brisa nada move
Sorris na morte, palavras tristes que choram
Janela aberta, casa onde as virgens moram!

Perdi-me de ti, saudade de te ter a meu lado,
Ardo em desejo, eu longinquamente choro
Em tempo de paz, para quê a arma soldado!

Choro os beijos dados, na tua palma da mão
Sorrio às tristes paredes da rua onde moro,
Triste virgem minha dos cânticos de Salomão!

Alberto Cuddel®
In: Palavras que circulam - XIV


quarta-feira, 14 de setembro de 2016

Tempo



Tempo

A volatilidade do tempo
Tanto o tempo passa
Como tanto passa o tempo
Sendo aproveitado o tempo
Tempo de bom proveito
Mesmo que passe o tempo
Não é perdido o tempo que passa
Sendo nosso todo o tempo...

Alberto Cuddel
In: Palavras que circulam - XIII


segunda-feira, 12 de setembro de 2016

Entre um sono e o acordar



Entre um sono e o acordar 

A sedução do dia
Cansaço da noite
Paixões do corpo
Desejos da alma
Vida tão aqui ao lado
Segues desamparado
O rumo incerto da horas
Contando minutos para o despertar...
 
Alberto Cuddel
In: Palavras que circulam - XI


domingo, 11 de setembro de 2016

Passeias pela vida





Passeias pela vida

Andas na estrada plana
Rua estreita afunilada
Sentes a vida pulsar nos dedos
Suor que te escorre a cada passo
-corre, corre, grita
Castelos edificados
Muralhas caídas
Derrubadas
Um coração aberto
Sequioso e ávido…
Corre, geme, súplica…
Nas pétalas que desfolhas pela vida…


Alberto Cuddel®

In: Palavras que circulam - XI


sábado, 10 de setembro de 2016

Ciclo





Ciclo

Vem a chuva, vem o vento
Vem as águas que rebentam
Vem o sol, vem o calor
Vem o nascer e depois a flor
Vem nuvens, noites e dias
Vem a as paixões e novas vidas
Vem e vão, partem e chegam
Um ciclo, um verdadeira repetição
Vem, vão
Chegam,
Partem…
E existem apenas os que ficam!

Alberto Cuddel®
In: Palavras que circulam - X

sexta-feira, 9 de setembro de 2016

Tempo





Tempo,

Nos segundos que passam
Conto minutos e horas da rua
Conto saudades verdades tuas
Conto nuvens e almas singelas

No tempo em que não durmo
Fito o tecto, e o nada
E penso, penso que me lembre
Que o nada, pensado fora
Por outra jornada!

Na solidão de um abraço
Aperto o peito
Que tristemente chora
Ausência do teu recado!...

Alberto Cuddel
30/08/2016
In: Palavras que circulam - IX


Um último poema, a verdade




Um último poema, a verdade

Presunçosamente escrevi-me
Reinventado versos, criando-me
Fazendo-me ser o que nunca fui
Fazendo-me poeta das tuas ideias
Da tua alma, da tua forma obtusa de sentir
Presunçosamente enalteci-me
Aos pícaros pecaminosos do ego
Sou um nada poético, apenas actor
Imitador profundo das palavras
Dos sorrisos e das lágrimas
Que mostras e vertes…

Já mais foi honesto na escrita
No que intentei escrever a tinta
Num escuro e anafado legado
De palavras difusas sem estilo definido,
Escrevendo noites pútridas da solidão
Ventos sombrios que cortam a alma
Puritanos e eróticos pensamentos
Saudoso amor deste mundo infernal!

Menti,
Menti-me descaradamente,
Menti-te despudoradamente,
Não sou poeta, nem qualquer coisa que o valha
Não sinto o que escrevo, não escrevo o que sinto,
Invento e reinvento sentimentos roubados
Nas conversas de café, no comboio, no cabeleireiro,
No choro de uma moça abandonada,
No grito do pai que perdeu o filho,
Na mãe que se contorce de dor,
Na lua, falsa, ladra da luz…
No sol, quente que nada produz…
Nas ondas do mar, que vem, que vão,
E tornam a voltar!

É oportuno que, em mim os sorrisos,
Me lembrem os que choram, que, assim,
Meu riso não ofenda a mágoa dos que sofrem:
Mas que eu entenda em mim o sentido do sofrimento,
Sabendo eu que não me iguala, mas que nos torna iguais...
Não me considero melhor do que aqueles que ficaram para trás
Porque o dia virá em que não serei diferente, apenas memória
Nem jornada, nem história, apenas versos difusos de um sentir
Ausente e distante dos meus muitos eus que ultrapassei na caminhada,
Os outros farão de mim
O que eu por ti fiz
E nada de facto, será feito por mim,
Se eu agora não o fizer… farei das palavras caminho
Sem que nunca chegue em mim a concluí-lo...

Na falsidade que me assiste, verdadeiramente apenas me inscrevo
Nas mentiras esquerdas e direitas que poetizo!

Alberto Cuddel®
In: Palavras que circulam - VIII

Eternamente





Eternamente

Nada do que foi criado é eterno
- palavras soltas no caderno
Sentes fingindo a saudade
-ausência de um hoje certo amanhã
A cadencia verbal, sonoridade
-palavra gritadas ao vento matinal!

Sopras a vida, gritando e gemendo
-choro que me acorda, sangue da vida!

Alberto Cuddel®
In: Palavras que circulam - VII


terça-feira, 6 de setembro de 2016

Ontem choveu




Ontem choveu

Tantas vezes choveu ontem,
Mesmo assim com chuva saio de casa,
Percorro ruas e vielas, passeios estreitos,
Mas não procuro ninguém,
O meu olhar hoje não te procura,
Porque ontem choveu,
E eu sei onde estás, onde estavas,
Onde te encontrei
E te deixei à espera,
Há minha espera.
Ontem choveu,
E eu não te procurei…

Alberto Cuddel®
In: Palavras que circulam - VI






segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Sustento no peito o teu sonho!

Sustenho no peito o teu sonho!

Cai em mim o silêncio das estrelas
A noite escorre pelas paredes do quarto
Ouço-me, no profundo e vazio silêncio
Correm longe as palavras nos teus lábios
Dormes, sustentadamente no meu peito
Sentir que te emana da alma, ilumina-me
Corres pelos sonhos,
Como te vagueiam as mãos,
Pelo meu corpo despido…
Na tua companhia, estou só, sozinho,
Acordado sustentando teu sonho!...

Alberto Cuddel®
In: Palavras que circulam - V

domingo, 4 de setembro de 2016

Circulam



Circulam

Na solidão apressada da noite,
Ouço gritos ensurdecedores da multidão,
Caminha solitariamente, rumo ao desespero,
Muro erguido entre cada homem,
Ego diabólico de umbigo erguido,
Desespero para que escutem,
Para que parem, olhem a seu lado,
Irmãos, nem de sangue,
Percorrem apreçados
Estranhos caminhos circulares
Jamais levarão a lugar algum
Espezinhando quem tristemente
Cai à sua frente pelo caminho!

Alberto Cuddel®
In: Palavras que circulam - IV

sábado, 3 de setembro de 2016

Poesia Oculta




Poesia oculta


Pudesse eu fechar-me em mim próprio
Construindo paredes perfeitas,
Pedras finamente cortadas empilhadas
Que afastasse de mim a luz e o mundo!

Pudesse eu ser apenas verso
Apenas rima e poesia, enclausurado
Nas frias e secas palavras despidas
Engavetado no mofo de fechadas gavetas!

Pudesse eu ser segredo oculto da branca beleza
Em folhas negras escritas a branco,
Em folhas brancas escritas a negro,
Tinta seca, palavras arrastadas nunca lidas!

Pudesse eu…
Mas arrasto-me pela devassidão dos olhares
Pela interpretação de humanos ávidos e sedentos
Vasculham as letras, os espaços, os silêncios
Procuram-me a essência, o âmago, procuram-me
Esperam encontrar-me a alma, a calma,
A devassidão prazerosa da vida, a formula do amor,
O mapa da felicidade, ou apenas ler-me,
Compreender-me no ato altruísta que de mim dou
Ao escrever-me nos seus pensamentos!
Pudesse eu ficar fechado numa gaveta,
Poder até podia, mas seria eu apenas e só
A falta da doce luz de ser poesia!

Alberto Cuddel®

In: Palavras que circulam - III