quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Tempo de espera



Tempo de espera

Galopa em mim o tempo
Doce sabor de longo beijo
Os minutos cadenciados
Marcam o tempo mediano
Desejo temperado pelo querer
Sal que se aflora no sangue
Na idade do olhar, que se infama
Pelo sentir que não só na alma
Mas que ao corpo reclama
O tempo que na ausência
Se perde, nos minutos que esperamos
Horas, dias, meses, anos…

Alberto Cuddel


terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Amo-te novamente hoje…


Amo-te novamente hoje…

Já te amei de tantas formas, e mesmo assim existem uma infinidade de formas de te amar todos os dias. Lembras-te deles? Sim desses que nos disseram que quem ama já mais se pode apaixonar todos os dias pela mesma mulher? Infelizmente eles tinham razão, não é possível apaixonar-se todos os dias pela mesma mulher, pelo simples facto de que a mulher que hoje acorda ao meu lado, não é a mesma que ontem comigo acordou!
Mesmo assim amo-te a cada dia novamente, na árdua tarefa diária de te amar e de me apaixonar por ti todos os dias!
De nada se me aproveita o brilho do sol se ele não reflectir o teu brilho, e mesmo assim dizem que o sol é infinito, talvez seja infinito então tudo isto que sinto…

Alberto Cuddel

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

Soneto de Amor!





Soneto de Amor!

No todo amor que de mim intento
No antes propósito, assim o tanto
No olhar, alma todo o teu encanto
Confirmado fiel, todo o pensamento.

Sopro certeiro, sempre louva o momento
No amor divino que se espalha no canto
Na saudade, rezo ao Deuses o meu pranto
Meu pesar, nasce o nosso contentamento.

Tudo de mim que ainda em ti procure
Toda a carne e alma que em nós vive
Pelo sentir que na carne sempre dure.

A dor feliz, deste ser que hoje ama
Força da decisão que em mim tive
Amor-perfeito que em Deus me chama!


Alberto Cuddel


domingo, 22 de janeiro de 2017

De tudo o que por amor





De tudo o que por amor

De tudo o que por amor existe
Assim me foi dado,
Não conquistado, possuído
Apenas dado…

De tudo o que por amor se fala
Já tudo me foi dito,
Não invento, não testemunho
Apenas escutado…

De tudo o que por amor em mim coubesse
Assim fui amado,
E desse amor, só poderei de mim
Para ti partilhar…

De tudo o que por amor persiste
Neste pobre coração humano
Só assim pode ser cantado,
Quando pelas mão é dado…

Alberto Cuddel

sábado, 21 de janeiro de 2017

Sonhas?



Sonhas?

…será que sonhas, ter posse absoluta de meu corpo?
Nas loucas noites de abstinência de mim,
Será que me sonhas na loucura do teu leito
Nos movimentos frenéticos das palavras
Aquelas que se enrolam e desenrolam na língua
Que mapeia longamente o sabor da tua pele?
Será que me sonhas, os movimentos das mãos
Percorrendo demoradamente toda a tua alma
A tua doce essência, a tua ávida pele?
Será que me sonhas os lábios?
E a declamação perfeita do teu prazer,
Será que me sonhas
Preso entre as tuas longas pernas
Num abraço perfeito
Nos movimentos circular dos astros?
Será que me sonhas orgasmicamente
Num gemido
Que ecoa nas paredes despidas do quarto?
Será que me sonhas?
Ou simplesmente dormes como um anjo
Nas noites de solidão?


Alberto Cuddel

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Às vezes esqueço-me de amar



Às vezes esqueço-me de amar

Por quem se abrem os meus lábios?
Seja noite ou um qualquer dia
Penso que ninguém, apenas em mim
Acto egoísta de querer,
Como se todas as flores do jardim
Nascessem apenas para mim
Como se o sol se erguesse da noite
Apenas por mim…

[às vezes esqueço-me de amar]
Nem régia visão do triste fado
Lembra-me e me recorda
Da sofreguidão dos dias
E as horas em que desespero
Na egoísta forma com que te desejo
Por quem se abrem os meus lábios?

(…)
Caio por terra genuflectindo
No sofrer atroz da condenação
Que emana do teu doce olhar
Às vezes esqueço-me de te amar!

Alberto Cuddel

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Amor apenas ontem



Amor apenas ontem

Já nem a memória me seca os olhos
Tão pouco o sabor a morangos
Dos teus húmidos lábios…
Já nada é suportável na tua voz
Tão pouco o silêncio que me fere

Tanta coroas compostas justamente
De violetas, de rosas e açafrão
Com que, a meu lado, dormias
Se te deixasse partir, irias…

Dói-me alma, sim; e a tristeza
E o silencio torpe da tua voz
E um corpo inerte e frio ao meu lado
Nada sente nem no corpo
Tão pouco na alma que jaz
Vaga, inerte e sem motivo,
Mesmo que o amor que,
No coração me poisou,
Dilacerado e trôpego
Absorto em tua beleza,
Não sei se morro ou se vivo,
Porque a vida,
Essa mesma que agora me abandonou…


Alberto Cuddel

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Noite ordinária…



Noite ordinária…

Ainda assim haverias de querer na tua cama
Que te amasse com toda a minha alma?
Enquanto procuravas palavras doces
Líquidas, ásperas, deleitosas, libidinosas
Obscenamente prazerosas, era assim
Tudo do querer que procuravas
Mas não menti gozo prazer lascívia
De cabelos bem agarrados e corpo arqueado
Não ocultas a alma que procura prazer
De querer minha alma na tua cama?
Orbitam serrados teus olhos azuis
No gemido profundo que lanças
Rejubilas nas formas do teu corpo
Hirtas dos orgasmos profundos que proclamas
Na tua amada memória de coitos e de acertos.
Procura de novo, encontra-me, obriga-me
Ama-me na plenitude do teu Sexo…


Alberto Cuddel

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Sopro




Sopro

Quantas vezes soprei em ti, felicidade
[e esperei pacientemente]
Arrogância feminina, como fiel amestrado
Entre lágrimas sofri calado
[ainda há homens que sentem]
Solidão castradora do faroleiro
Levando a luz ao mundo
Indicando o rumo, caminho
E ele? Apenas, quedo, esperando…

Enjeitei-me nos sonhos que gritam
E nos outros que se inquietam
Na sedução matreira de quem
De longe pressente a carência
De uma dura castração física do ser…

[malvados bichos esses de serem mães]
Rubros lábios sedutores
Apelos ao pecado da carne
Deita-te, sacia-te – só te ama quem te sacia a “fome”
Andarilho do tempo, tentações ardilosas
Ao longe chamam ninfas…

Sopro que retorna
Que me desperta
Que me desvenda
A total verdade
Do ser em mim
Felicidade…

Como fazer amor?
Sempre apenas espero
O sopro que me acorde…

Alberto Cuddel

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Segredo




Segredo

Encontrei-me onde sempre me perdi,
Toda minha alma coabita no teu beijo
No toque salvífico dos teus lábios
Ébrio no ser pecado ávido no desejo

Caberia todo o meu corpo
Alma que formamos no segredo
Ignorância condenada, pelos deuses
Abrem-se, olhos, lábios por Eva ao Adão
Condena Vénus o homem à paixão
Desejo que perpétuo da fusão!

- Amor, meu doce amor…
[como desejo possuir todos os teus orgasmos]
Bebo sofregamente nos teus lábios
A poesia que me incitas
No movimento das ancas!



Alberto Cuddel







domingo, 15 de janeiro de 2017

Complexo




Complexo

Complexamente perfeito,
Nasce do nada, de um olhar
De um querer imperfeito
Mesmo que o bom senso
Na sua imperfeita humanidade
O negue a pés juntos
Nasce…

Mesmo que nascido das cinzas da dor
Manipulado no sorriso no momento
Nasce, decididamente certo e cego…

Perdesse nos minutos do tempo
Perdendo o tempo e as horas
No pensamento direccionado,
Morrendo a paixão a cada dia…

Ele nasce…
Do nada, bebendo
Matando a fome nos lábios
Nos corpos, alimentando-se
Abrindo os olhos, aceitando
Complexamente egoísta
Na dádiva de si mesmo…

Num olhar,
Numa palavra,
Num toque, num sorriso
No dialogo, na voz,
Na saudade, na dor,
Na felicidade, ele…
Complexamente nasce…

O Amor!

Alberto Cuddel

sábado, 14 de janeiro de 2017

Que amor?

Que amor?

Com Luís o fogo que arde
Palha que se consome, alimento
Longínquo, gelo amor que não se toca
Apenas sente inatingível…

Sofrer de gozo entre palavras,
Menos que isto, sons, arquejos, ais,
Um só espasmo, pela visão
Imaginária dos sonhos…

Amor é morrer um no outro
Pleno sonhos húmido de corpos
Numa paz plena, 
Dormindo como deuses,
Acordando no inferno diário
Dos homens de maus fígados…

Quem ousará dizer que ele é só alma?
Quem não sente a alma desabrochar
Num corpo em delírio
Até se tornar puro gemido?

Que amor é esse?
Que me dás e eu não sinto?

Alberto Cuddel

sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

O (a)mar!

O (a)mar!

Enrolam-se
No embalo das ondas
Que se desenrolam 
No areal da vida
O salgado sabor
Dos teus rubros
E finos lábios
Braços que te envolvem
Como espuma que abraça
As rochas hirtas aos céus
Por onde vais (a)mar?
Que te estende na areia 
No tempo em que almas
Estendem a brancura
Do nosso amor marinho
Brisa que teu perfume
Impregna no meu corpo
Águas que meu fogo
Aplacam na tua doçura
Oriental do ser
Em mim (a)mar!

Alberto Cuddel

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Ridiculamente





Ridiculamente

Quantas vezes ridiculamente escrevo
Reafirmando o que ridiculamente sinto
Hoje, ridiculamente escolho-te a ti
Amar é ridiculamente uma escolha
Que definitivamente faço a cada dia!

Os que ridiculamente amam,
(Não se escondem)
Mostram-se em actos ao mundo
Não lamentam as flores que morrem
Numa qualquer jarra por um acto de amor!

Os que ridiculamente amam
(Sentem em si a dor da saudade)
No beijo de despedida diária
Morrem por dentro, até ao encontro
Amando ridiculamente a dor do tempo!
Os que ridiculamente amam,
(Os que são postos à prova)
Diariamente rejeitam prazeres infinitos
E dores atrozes dos pecados carnais
Mas dói, serem ridicularizados
Por ridiculamente amarem
Na certeza de todo amor
É ridiculamente compensado
Nos dois que ridiculamente
Se comprometeram no dialogo
Das almas e dos corpos!



Alberto Cuddel
#ComoFazerAmor


quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

No Tempo






No tempo

Amei-te desde sempre em mim
Mesmo que o sempre tenha sido
Um tempo perdido na memória
Apenas o que lembro de ontem
E ontem foi todo o meu tempo!

…Talvez seja eu possuído de virtude
Uma mera crente e doce inquietude
Onde me deposito na vontade Amar
Novo e firme em cada azul do teu olhar!

Vivo na plácida certeza de encontrar
Na alma pura e terna de todo teu ser
Verdadeira e paciente forma de amar
Mesmo quando eu não sei esperar!

… Talvez me perca no tempo
Naquele tempo em que vejo
Dias e noites desfilarem
Sem que o amor se revele
Na fisicalidade dos corpos
Que apenas se desejam!

Alberto Cuddel
#ComoFazerAmor

Como Fazer Amor



Reflexão porque eles também pensam e sentem…




Como fazer Amor:


Pensei em escrever uma carta de amor, sabes? Uma daquelas que levam às lágrimas qualquer mulher? Mas tantos o fazem, existem milhares desses textos brilhantes de escritos pelos actores das doces palavras dos sedutores desejos, dos que escrevem mesmo que no seu íntimo não deixem de ser apenas palavras. Parece-te que me revolto com isso, talvez sim, talvez me sinta amargurado por ver escrito tanto amor, que tantos seguem e lêem e não o vivem na plenitude. Por isso isto não será uma carta de amor, talvez um conselho, talvez uma dica, talvez seja nada, mas é com certeza o que tento viver a cada dia. Então cá vai:



Como fazer Amor:

A nobre arte de fazer amor para muitos é uma mera satisfação do ego, do eu, do sentir-se amado(a), não podiam estar mais errados, fazer amor é um acto pleno de doação. Fazer amor é todo o gesto que oferecemos ao outro, fazemos amor na cozinha, quando ajudamos ou preparamos o jantar, quando lavamos ou arrumamos a louça, quando pomos a máquina da roupa a lavar, quando estendemos ou apanhamos a roupa. Fazemos amor na sala quando a arrumamos, quando nos sentamos ao lado da pessoa amada a ver telenovelas, filmes series, futebol, mesmo que não tenhamos interesse, quando no final ajustamos as almofadas no sofá, Fazemos amor no quarto quando fazemos a cama, quando não deixamos a roupa no chão, quando limpamos. Fazemos amor quando vamos às compras, quando esperamos pacientemente que escolham (e elas demoram a escolher), quando simplesmente conduzimos estrada fora e as escutamos, quando oferecemos o nosso trabalho para que comprem o que desejam mesmo que para nós não tenha sentido. Fazemos amor no cabeleireiro quando esperamos pacientemente que elas se arranjem (tenho testemunhas), que se tornem diferentes, mais desejadas. Fazemos amor quando calamos algo que iria magoar, que iria criar conflitos desnecessários. E perguntam e quanto ao resto? Qual resto? Na cama não façam amor, na cama satisfaçam plenamente o ser amado, não pensem só em vocês, doem-se totalmente ao prazer, sem restrições, e acima de tudo se alguma coisa vos corrói o íntimo, seja ela qual for, então façam amor e pratiquem sexo oral, falem… só assim poderão saber o que não está bem e o que pode ser melhorado…e já agora o prazer é um meio de cultivar a vossa união entre vós e com a vida, a cada casal realizado o mundo melhora!


Alberto Cuddel