quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Sem tempo nas horas vagas…

Sem tempo nas horas vagas…

Todas as minhas horas vagas estão ocupadas
Oras cheias de tudo ou então vazias de nadas
Nunca tive tempo para mim nas horas vagas!
Mesmo que num qualquer cadeirão beba licores
Não vejo ou sinto em mim outras tristes dores
Nem tão pouco palavras que riem em alegrias
Ou palácios vivos saltitantes em risos e cores!
Não tenho tempo que se sobeje ao por do sol
Ou rainhas que me esperem nas madrugadas
O movimento perpétuo dos campos de girassol
Os beijos e braços de mulheres desalvoradas!
Todas as horas fundem-se na minha alma
No peso dos lençóis sobre meus pés frios
Sem tempo para me julgares com calma
Sou só completo como um porto sem navios.
Tortura-me todo o tempo que ainda perco
Na procura do tempo antes em mim disperso
Mesmo o relógio parado esta duas vezes certo
O tempo que gastos corre em sentido inverso!
 
Podias escrever um poema de amor
Mas sem tempo nas horas vagas…
Escrevo-o nas paredes por onde for
Perdendo o tempo em pequenos nadas!
 
@Alberto Cuddel
#DepressaoPoetica

Prometo

Prometo

Prometo fazer de cada noite manhã
de cada manhã o nosso dia
Prometo fazer subir e descer marés
acabar em cada entardecer com a monotonia!

Prometo ser poema
ser página em branco
Prometo sem ti ser pena
onde escrevemos novo plano!

Correm prometidas as águas
dos rios em direcção ao mar...

Prometo amada...
não amor, não fachada
mas um caminhar de mão dada!

Prometo quebrar todas as promessas
se a promessa for quebrada...

ainda assim prometo
ser teu, a cada madrugada!

Alberto Cuddel

Poema negro escrito a branco!


quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Sem tempo



Sem tempo


Nos poemas pequenos não há tempo
Apenas um sentir incompleto
Que nos mastiga a carne por dentro…

Alberto Cuddel

sexta-feira, 3 de fevereiro de 2017

Podia ser prazer!




Podia ser prazer!

Toma-me os braços,
Inibe-me o movimento dos pulsos
Deixa que as mãos apenas sintam o ar
Esse que sopras no gemido os teus lábios…

Venda-me…
Impede-me de te olhar
De te sentir na alma o contorno…

Comprime-me
Contra o leito
Sobe o peso movimentado
Do teu corpo freneticamente apaixonado…

Apenas não me deixes só…
Neste escuro silêncio que me aprisiona o peito!


Alberto Cuddel
#ComoFazerAmor