quarta-feira, 31 de maio de 2017

Às vezes, leio-me e comento-te...





Às vezes, leio-me e comento-te...

Na imensidão do pensamento
Penso, às vezes penso
Penso que me basto
Nas palavras que produzo
Às vezes, penso,
Penso que sou tão ignorante
E depois? Depois leio-te
Leio-te a ti poeta
Que me contas outra vida
Outras rimas, outras terras
Amores novos e virgens
Leio-te, na minha originalidade
E sinto-me pequeno,
Infinitamente pequeno
Plagiador até,
As palavras que escrevo
Não são novas em mim
Não brotaram do meu ser
Mas do que li,
Do que contigo aprendi
Ao ler-te também a ti…
Repouso em ti poeta
A consciência,
O cinzento pensar
Que bebo nas tuas
Eloquentes palavras
Soltas, livres, vivas
Nas frases, nas rimas
Na sofreguidão da fome
De te ler, de te interpretar,
E comentar, na ânsia
Pagã, de sentar-me à tua direita,
Lendo-te e encontrando-me
Na significância da tuas
Puras e elaboradas palavras!

Lisboa, 05 de Março de 2016
Alberto Cuddel


Enviar um comentário