quinta-feira, 25 de maio de 2017

Revolta-te, não te sentes…


Revolta-te, não te sentes…

Do meu tronco nascem ramos que vos abraçam
Nevoeiros de algodão que pisais nos sonhos
Águas mansas desaguam na foz dos ribeiros
Não cuidem madrugadas salvas que a morte
Reina em beirais esquecidos do tempo ausente
Distantes consciências que vos suportam a almas!
Hoje, o hoje mera consequência de um ontem
Sonhos perdidos no tempo, sonhados por dois
Talvez três, no calor de uma inveja assolapada
As uniões forjam-se no calor da união confluente
Desejos mundanos e carnais que unem os corpos
Almas carentes de uma forte mão que as ampare!
O silêncio? Não como o dos homens que se calam
Mas o silêncio social que tudo levianamente aceita
Quietos, as mãos e os braços baixos, sem revolta
Ignorância infantil que assusta os outros sábios
Esses que ontem formaram para que leccionassem
O amanhã que os vossos avós no passado sonharam
Dando voltas no leito de pinho, esses revoltam-se!
Jamais te sentes, ficar sentado é aceitar a totalidade
Da ignorância egoísta dos que vos regem os dias
Pensa, reflecte nas doutras palavras que nos ecoam
Naquelas que vos aplacam os dias e voz vos dão
Para que o pão e a alegria de ser dia, não vos faltem
Do meu tronco nascem ramos que vos abraçam
Na guerra ou cuidas do ideal, ou morres tentando!

Para que o futuro tenha a esperança de um nascimento!



Frase:
Poesia é: ver o mundo com os olhos da alma e descreve-lo apenas na ponta dos dedos!



Alberto Cuddel

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