quinta-feira, 8 de junho de 2017

O Adeus…

O Adeus…

Perdi o comboio que passava,
No tempo que passa entre uma morte e a vida,
Nada hoje me contenta, nem a partida que desejava,
Tudo me soa a partida, nunca a uma chegada!

Carris, longamente estendidos, enferrujados
Pelos dias que passam, e outos desajeitados
Vi-te partir, com a esperança no olhar
Mas nunca mais, no comboio te vi chegar,
Esse morreu longe por decreto, decrépitos,
Esses que nos roubam a vontade de ir…

Toda a partida é uma morte,
Até nova chegada,
Mas o comboio que te serpenteava
A ti natureza em declínio,
Esse morreu, nunca mais voltou!

Eu, no meu olhar descrente
Fito a neblina, e escuto
As vezes filosoficamente
Ouço em minha mente,
O doce martelar ferroso
Do comboio em que te vi partir,
O progresso,
Incúria desumana,
Morreu longe,
Na esperança da vida
Dos antepassados
Que te esventraram
Para que o cavalo de ferro,
Um dia te levasse…
Sem um adeus…
Sem um até sempre…



Alberto Cuddel
04/03/2017 00:30


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