quinta-feira, 5 de maio de 2016

Verdes Anos


Verdes anos,
Corres colina abaixo
Sob um doce teto de algodão,
És pureza, subtileza juvenil
És flor, que perfuma o meu jardim!
No olhar,
Doce malicia de mulher,
Felina, matreira, segura,
Arrebatas em ti,
Corpo doce mel,
O vigor, o desejo,
Rebolando, na erva macia,
Onde deste em mim,
Origem à vida!
Alberto Cuddel
 

quarta-feira, 4 de maio de 2016

Na fútil margem do desejo


Na fútil margem do desejo
Amo-te
Não como se ama apenas
Amo-te em ti
Em mim,
Quero-te
Como o rio procura o mar,
Sonho imiscuir-me em ti
Na tua feminina salinidade,
Anseio raiar do sol,
Preencher-te no calor dos corpos,
Sou, existo no querer,
Não nas articulações literárias,
Mas no gemido do prazer
Na certa força, que é em nós
Movimento de vida,
Prazer e porta de saída,
Na liberdade de te amar,
Fundindo, aromas de rosas,
Entre odores almiscarados
Corpos em abandono, extenuados!
 

Alberto Cuddel®

domingo, 1 de maio de 2016

Textos Dispersos I

I- Sem arrependimentos!

 
Não gemo chorosas lágrimas, pelo que fiz, pelo arrependimento do que vi, ou mesmo disse, nem pelo perfume das rosas que ficaram abandonadas num qualquer canteiro de um jardim que não conheço. Tão pouco soluço sussurrando perdões por atitudes tidas e atos irrefletidos, não lamento o cheiro da terra molhada nas primeiras chuvas de setembro que perdi, apenas por ter as narinas impregnadas com o perfume do teu corpo. Não lamento as deprimentes palavras chutadas em arremesso nas altercações por um nada sem importância, jamais me arrependerei dos erros cometidos que me fizeram crescer, nem tão pouco me arrependo do tempo roubado ao descanso e ao ócio do tempo em que nada foi feito, tão pouco de ter perdido na memória o cheiro da goma do fato que naquele outro dia enverguei, em mim recordo apenas o cheiro da flor da laranjeira, e o doce odor da tua pele. Não, não me arrependo do que fiz, mas do tudo o que deixei por fazer…
 
Alberto Cuddel
 
Textos dispersos - I
 
 

Lançamento

em varias plataformas 
como Wattpad, Facebook, 
Google+, e Blog Pessoal
de um novo projecto 

Textos em prosa poética, sobre tudo e sobre nada, escritos por: 
M. Irene e Alberto Cuddel
(unidos na cama, unidos nas letras)


Os textos serão publicados semanalmente sempre ao Domingo!
Estejam atentos ao decorrer do dia de hoje, muitas surpresas vão surgir!




segunda-feira, 25 de abril de 2016

Rir, é bom rir…


 

Descubro todos os dias,

Que me posso rir,

Rir de mim próprio,

Rir, comigo mesmo,

Que é melhor rir que chorar,

Que podemos chorar de rir,

Que rimos dos medos,

Para encobrir segredos,

Que rimos por nada,

Que rimos de nada,

Que rimos por apenas ver rir,

Que sorrir não é mentir,

Que sorrir pode encobrir

Lágrimas que a alma decanta,

Mas rimos para que os outros

Não chorem connosco…

 

Então rio de mim,

Mesmo que em mim

As lágrimas contidas

Lubrifiquem apenas o olhar!

 

Alberto Cuddel®

terça-feira, 5 de abril de 2016

Poema Pequeno

Poema pequeno
Um poema pequeno
Como as coisas pequenas
Pode conter coisas grandes
Ou metade
E acrescentar
Ou dividir
E somar!
 
Num poema pequeno
De palavras pequenas
Pode caber o mundo
Um ano ou um segundo
O já ou a eternidade
Ou a perda e a saudade!
 
Num poema pequeno
Cabem os pequenos poemas
Todas as palavras e temas
Puritano, um tudo obsceno,
Nele pequeno explanar
Cabe o mundano
O corriqueiro
O prazer
O insano
O ligeiro
Ou o saber!
 
Num poema pequeno
Sem muito dizer,
Dizemos tudo
Sem nada nele escrever!
 
No meu poema pequeno
Não quero dizer muito,
Apenas que o amor é pleno!
 
Alberto Cuddel®

Porque me Amava XXX


Porque me Amava XXX
De mim para ti…
Hoje esvazio-me… esvazio-me de mim, do meu eu, do que em mim recebi, do que em mim armazenei, do amor que recebi, da memória do amor que dei, da pressa do dia, da monotonia, da vida, da fome, da sede, da vontade, do desejo…
Hoje esvazio-me… e já vazia, poderei voltar a encher-me, de ti, de mim, de amor, de vontade, de fome, de sede, de vida, de querer… e quando estiver quase, quase no ponto… doar-me-ei numa troca mútua e profunda a ti…
Nesse momento, tudo se congrega, tudo se mescla, numa espiral infinita, onde o Amor, a vida, a fome, a sede, os sonhos, a vontade, o querer, o prazer, abandona a nossa mesquinha individualidade, tudo passa, tudo chega, tudo abandona o eu, passando indefinidamente a nosso, nunca cheios, nunca vazios… não numa união de mim para ti, mas numa fusão completa de ti em mim…
 
M. Irene Cuddel