domingo, 26 de abril de 2015

Um tedio de Pensamento

 
No tédio das palavras que não galopam
Apertadas pelo chicote da imaginação
Picadas pelas esporas do pensamento
Espero puras substâncias que dopam
Momentos de puro êxtase e excitação
No já agora, ou dentro de um momento!
 
Mordaz querer nas longas noites escuras
Cinzento luar, lobos que se silenciam,
Sono ausente nos trabalhos forçados
Ruas vazios, calçadas negras e puras,
Candeeiros apagados que não refletiam,
Cães vadios que ficam apenas deitados!
 
Raiva aparente na distante vontade,
Pensamento que voa em plena cidade,
Voltas perdidas sem conta aparente,
Longos passeios no quarto ausente,
Insónia forçada no meio de gente,
Distante, cansada, de cama decente,
Tempo perdido pensando em rimas,
Acordado pensando nas últimas,
Palavras que debito sem um sentido
Sentado no nada maltratado juízo,
Martelado ruido de longínquo gizo,
Telefones prementes anafado ruido,
Silencio da noite assim poluído,
Correndo ao leito assim repousar,
Fazer este pensamento assim acabar!
 
Noites longas, escuras sem fim
Ficar acordado obrigado assim
Trabalho distante, na ignorância da noite
Por ti que dormes ignorando o acoite
No descanso no dia onde não dormia
Pelo ruido que em casa o vizinho fazia
Deitado na cama em dias de sol
Dormir na solidão do gélido lençol,
Que por ti clama na saudade do calor,
No terno feitiço que separa o amor!
 
Alberto Cuddel
 
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