quinta-feira, 23 de junho de 2016

Abstrações da leitura


Abstrações da leitura
 
Tão insolentes são os corpos amorfos que me desejam,
E a vontade de teus beijos,
Noite, essa por onde vagueiam uivando!
 
Tão dormentes os pensamentos que vos trouxeram
E a dor dos meus sentimentos
As palavras que desdenham, o dia com esperança!
 
Tão sem futuro os sonhos nus caídos no leito
O prazer sonhado, gemido no quarto
Apenas finjo, um prazer que não tenho para dar!
 
Tão viçosas as vestes da primavera, o cheiro, odor
Paixão pela qual me entrego as palavras
Roubadas a um qualquer poeta pela mente de quem lê!
 
Tão calmo o mar, nas correntes veraneias onde repousas
Construindo castelos na areia, sonhas família
No doce canto arrebatador da sereia!
 
Alberto Cuddel®

Soletro




 

Soletro soluços por entre lágrimas,

                - Olho o mar, e a ausência deixada

Jamais pesquei saudades,

ou homens com verdades

inscritas a ferro e fogo no peito,

sem medos, pudores, afeições,

tudo pela vontade e desse jeito,

(nunca ao primeiro olhar paixões)

Gravei, soletrei na areia o teu nome,

Lavado e levado pelas lágrimas

Que soluçando soletro!

 

Alberto Cuddel®

segunda-feira, 20 de junho de 2016

Sei que me procuras


Sei que me procuras

 

Sei que me procuras

Nas horas extraviadas da vida

Nas autoestradas feridas

Amargura consciente em que me dou

No negro soalho polido do palco

Disperso nas rimas e palavras perdidas

Num coração dilacerado pelo fingir!

 

Sei que me procuras

Mas na verdade, não finjo, não minto,

Imagino parte do tudo o que sinto,

As hiperbolizadas lagrimas derramadas,

São meras gotas cristalinas, caídas e suadas,

Não me procures na desgraça, na vingança

Mas na solidão de uma praia deserta,

Apinhada de gente no verão!

 

Sei que me procuras,

Como procuras a felicidade,

Na saudade da perfeição,

Não estou lá, apenas aqui,

Escrevendo na doce paixão

Do sentir declamado pela imaginação!

 

Alberto Cuddel®


domingo, 19 de junho de 2016

Por três vezes…


 Por três vezes…

 

Sobem-me aos lábios duvidas estranhas

Sim, não, incertas negras montanhas,

Noites distantes, ausentes e suplicantes

Caem sob os telhados gotas brilhantes

Sentires alheios, sonhos e passos  perdidos,

E por três vezes me negas o beijo

triste e caído, dormente desejo…

 

Alberto Cuddel®


sábado, 18 de junho de 2016

Sei o teu nome


Sei o teu nome

 

Sei o teu nome,

mesmo que não tenha principiado

que o tempo parado, não se tenha iniciado.

 

Sei o teu nome

Na posse que me concedes a liberdade

Olhar que me toma, que me edifica e acalma

 

Sei o teu nome

Escrito nas ruas por onde passo

No tudo o que sinto,

No tudo o que faço!

 

Sei o teu nome

Chamo-te, desde ontem

Chamo-te, no mundo

Fortalece-me na virtude

De me chamares também

Pelo meu… Sei o teu nome!

 

Alberto Cuddel®


Minuto


Minuto

 

nunca pedi o tudo,

nem que fosse meu, cada segundo,

apenas a serenidade

a liberdade da entrega

a cada lugar deserto

distante de mim, tão perto

se amo, aplaca em mim as dores

caídas na saudade vertida no olhar!

           - amo, se amo!

mas doem-me as noites distantes

a cada minuto que passa…

 

Alberto Cuddel®


sexta-feira, 17 de junho de 2016

Pensei escrever-te um poema, uma carta

Pensei escrever-te um poema, uma carta

Que recordasse o dia
A chegada, a partida
Das lágrimas secas
Dos motes, das veredas
Do amor, da paixão
Dos sonhos
Que nunca
Se realizarão!

Pensei escrever-te um poema, uma carta
Que te falasse do dia, da noite
Dos desejos, do trabalho
Do calor, do soalho
Do jardim, das flores
Das que floriram no teu olhar
Da vontade inconsolável de te amar!

Pensei escrever-te um poema, uma carta
De um amor que tenha vida
De sussurros, arfados arpejos
De loucas mãos e frutados desejos
De uma noite longínqua esquecida,
De corpos suados nos abraços
Dos brados perdidos nos espaços!

Pensei escrever-te um poema, uma carta
Mas porque escrever
Se não tenho o que dizer
E tu, vontade nenhuma
Para a ler!

Alberto Cuddel®