domingo, 22 de janeiro de 2017

De tudo o que por amor





De tudo o que por amor

De tudo o que por amor existe
Assim me foi dado,
Não conquistado, possuído
Apenas dado…

De tudo o que por amor se fala
Já tudo me foi dito,
Não invento, não testemunho
Apenas escutado…

De tudo o que por amor em mim coubesse
Assim fui amado,
E desse amor, só poderei de mim
Para ti partilhar…

De tudo o que por amor persiste
Neste pobre coração humano
Só assim pode ser cantado,
Quando pelas mão é dado…

Alberto Cuddel

sábado, 21 de janeiro de 2017

Sonhas?



Sonhas?

…será que sonhas, ter posse absoluta de meu corpo?
Nas loucas noites de abstinência de mim,
Será que me sonhas na loucura do teu leito
Nos movimentos frenéticos das palavras
Aquelas que se enrolam e desenrolam na língua
Que mapeia longamente o sabor da tua pele?
Será que me sonhas, os movimentos das mãos
Percorrendo demoradamente toda a tua alma
A tua doce essência, a tua ávida pele?
Será que me sonhas os lábios?
E a declamação perfeita do teu prazer,
Será que me sonhas
Preso entre as tuas longas pernas
Num abraço perfeito
Nos movimentos circular dos astros?
Será que me sonhas orgasmicamente
Num gemido
Que ecoa nas paredes despidas do quarto?
Será que me sonhas?
Ou simplesmente dormes como um anjo
Nas noites de solidão?


Alberto Cuddel

sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Às vezes esqueço-me de amar



Às vezes esqueço-me de amar

Por quem se abrem os meus lábios?
Seja noite ou um qualquer dia
Penso que ninguém, apenas em mim
Acto egoísta de querer,
Como se todas as flores do jardim
Nascessem apenas para mim
Como se o sol se erguesse da noite
Apenas por mim…

[às vezes esqueço-me de amar]
Nem régia visão do triste fado
Lembra-me e me recorda
Da sofreguidão dos dias
E as horas em que desespero
Na egoísta forma com que te desejo
Por quem se abrem os meus lábios?

(…)
Caio por terra genuflectindo
No sofrer atroz da condenação
Que emana do teu doce olhar
Às vezes esqueço-me de te amar!

Alberto Cuddel

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Amor apenas ontem



Amor apenas ontem

Já nem a memória me seca os olhos
Tão pouco o sabor a morangos
Dos teus húmidos lábios…
Já nada é suportável na tua voz
Tão pouco o silêncio que me fere

Tanta coroas compostas justamente
De violetas, de rosas e açafrão
Com que, a meu lado, dormias
Se te deixasse partir, irias…

Dói-me alma, sim; e a tristeza
E o silencio torpe da tua voz
E um corpo inerte e frio ao meu lado
Nada sente nem no corpo
Tão pouco na alma que jaz
Vaga, inerte e sem motivo,
Mesmo que o amor que,
No coração me poisou,
Dilacerado e trôpego
Absorto em tua beleza,
Não sei se morro ou se vivo,
Porque a vida,
Essa mesma que agora me abandonou…


Alberto Cuddel

quarta-feira, 18 de janeiro de 2017

Noite ordinária…



Noite ordinária…

Ainda assim haverias de querer na tua cama
Que te amasse com toda a minha alma?
Enquanto procuravas palavras doces
Líquidas, ásperas, deleitosas, libidinosas
Obscenamente prazerosas, era assim
Tudo do querer que procuravas
Mas não menti gozo prazer lascívia
De cabelos bem agarrados e corpo arqueado
Não ocultas a alma que procura prazer
De querer minha alma na tua cama?
Orbitam serrados teus olhos azuis
No gemido profundo que lanças
Rejubilas nas formas do teu corpo
Hirtas dos orgasmos profundos que proclamas
Na tua amada memória de coitos e de acertos.
Procura de novo, encontra-me, obriga-me
Ama-me na plenitude do teu Sexo…


Alberto Cuddel

terça-feira, 17 de janeiro de 2017

Sopro




Sopro

Quantas vezes soprei em ti, felicidade
[e esperei pacientemente]
Arrogância feminina, como fiel amestrado
Entre lágrimas sofri calado
[ainda há homens que sentem]
Solidão castradora do faroleiro
Levando a luz ao mundo
Indicando o rumo, caminho
E ele? Apenas, quedo, esperando…

Enjeitei-me nos sonhos que gritam
E nos outros que se inquietam
Na sedução matreira de quem
De longe pressente a carência
De uma dura castração física do ser…

[malvados bichos esses de serem mães]
Rubros lábios sedutores
Apelos ao pecado da carne
Deita-te, sacia-te – só te ama quem te sacia a “fome”
Andarilho do tempo, tentações ardilosas
Ao longe chamam ninfas…

Sopro que retorna
Que me desperta
Que me desvenda
A total verdade
Do ser em mim
Felicidade…

Como fazer amor?
Sempre apenas espero
O sopro que me acorde…

Alberto Cuddel

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Segredo




Segredo

Encontrei-me onde sempre me perdi,
Toda minha alma coabita no teu beijo
No toque salvífico dos teus lábios
Ébrio no ser pecado ávido no desejo

Caberia todo o meu corpo
Alma que formamos no segredo
Ignorância condenada, pelos deuses
Abrem-se, olhos, lábios por Eva ao Adão
Condena Vénus o homem à paixão
Desejo que perpétuo da fusão!

- Amor, meu doce amor…
[como desejo possuir todos os teus orgasmos]
Bebo sofregamente nos teus lábios
A poesia que me incitas
No movimento das ancas!



Alberto Cuddel