sábado, 17 de junho de 2017

Vida por viver…

Vida por viver…

Tão longe e distante o fim dos dias
E a minha pressa de vida…

Expressão intelectual da emoção,
Indistinta da vida, dessa que corre lá fora
Na juventude correria das horas
E a vontade de ser e fazer, tudo e coisa nenhuma
Na ideias abertas que me aprisionam,
As ciências distorcidas e filosofias vãs
E eu? Quem sou, sem te perseguir
Formo-me na consciência cabal
De irei ser, o tudo que de mim farei
Na consciência de que tudo me condiciona…

Vida,
É com esse sonho que fazemos arte.
Outras vezes com a emoção
A Paixão é a tal forma forte que,
Embora reduzida a acção, a acção,
A que seduz, já não a satisfaz!

E a vida, essa coisa esquisita
Que passa diante de mim
Dia a pós dia…
Terei pressa,
Calma, tempo…
Mas ainda a irei sonhar,
Viver, sentir
Apaixonar,
Amar…
Sem pressa…
Bem devagar…

Alberto Cuddel




sexta-feira, 16 de junho de 2017

Ao teu serviço

Ao teu serviço

Prostro-me por terra, não como escravo
Mas como disponibilidade, ao teu serviço
O maior entre nós, não é o que é servido
Mas o que se dá pelos outros, chamam-lhe amor…

Neste quarenta dias caminhamos contigo,
Hoje caio por terra quando te ajoelhas sozinho,
Bem antes da instituição da refeição sagrada,
Deste-nos uma grande lição,
Não devemos contigo comungar,
Com a alma vazia de nada…

O pó que de meus pés retiras,
É o pó da longa e dura estrada,
Lavando o pecado que conhecias,
Com essa água abençoada!

Ao inverter os papeis Cristo
Coloca-se ao serviço dos homens
E nós? Nossas mãos? Que doação?
Sofre na carne a dolorosa paixão,
Para nos dar um exemplo…
“Eu vos dei o exemplo,
para que façais o que eu fiz’”

“Se não te lavar,
não terás parte comigo”.
Não poderás comungar,
Nem ascenderás ao paraíso!

Prostro-me diante de vós
Com pequeno que sou
Também eu sou servo
Também eu sou mãos
Também eu sou instrumento
Também eu sou pecador!



Alberto Cuddel



quinta-feira, 15 de junho de 2017

O cheiro das coisas

O cheiro das coisas

Soube que amava
Quando senti o cheiro das coisas
Quando as largas narinas se encheram de margaridas
De rosas, de papoilas, de jasmins, de lírios
E de merda, das ovelhas que percorreram o carreiro…
Mesmo assim corria para ti…
Agora sei a que cheiram as coisas
Interessam-me os cheiros, e o teu
Às vezes cheiro-te mesmo antes de te ver…
Outras, não me incomodam os cheiros
Da tua indisposição…
Mas hoje, hoje interessam-me os cheiros,
Esses, e os outros…
Mesmo que a coisa seja a mesma
Apenas com um cheiro diferente…



Alberto Cuddel

quarta-feira, 14 de junho de 2017

Sede…



Sede…

Tenho sede de liberdade
E fome de pensamento
Tenho ganas de leitura
E desejos de conhecimento!

Longínquo vai o tempo
Da longa palmatória
E de todo o contratempo
De saber a oratória!

Juntei letras, vogais, consoantes
Pensamentos soltos
Formatados por ideias constantes!

A liberdade do meu pensar
Está no que de mim abdico
Pensamentos impingidos
Já os deixei longe no penico!

A sede que sinto,
Nasce da fome que tenho
Numa liberdade de pensamento
Que hoje não abdico!

Alberto Cuddel

12/04/2017
14:51







terça-feira, 13 de junho de 2017

Longe...

Longe…

A vida corre distante, longe
Fora dos muros que me prendem
Fora da maternidade que me formata…
As paredes oprimem
A tinta dos livros, as paginas
A vontade de ir, partir
Saber e conhecer…

Ao longe a vida
Uma triste miragem
Um rebanho,
Formigas num carreiro…

Mas ler é uma maçada
Não dá que comer
E aprender não serve de nada
Nem nos ensina a viver

E eu na minha triste e longínqua ignorância
Acreditei…

Alberto Cuddel
12/04/2017
Às 10:52


segunda-feira, 12 de junho de 2017

Liberdade de pensamento por entre paredes estreitas

Liberdade de pensamento por entre paredes estreitas

Liberdade do pensamento naturalmente servo da mulher
De um homem desastrado do papel formatado
Dos hediondos canais sociais que te formatam
Não és livre de pensar sem desejos nem convicções
Ser dono de si mesmo sem influência
Tudo em ti te condiciona, direcciona…

O pensamento como uma entrada no cárcere,
A triste a monotonia de tudo o que aprendeste
Sem que tenhas sede, fome, vontade de saber
Tudo te aprisiona dentro dessa caixa de cálcio.

A liberdade é um caminho de normas impostas
E sobrepostas a ti mesmo, igual a tantos outros,
Não buscas livros malditos escondidos ao lado
De tantos outros formatados em folhas brancas
Onde voa livre o pensamento preso entre capas!

A liberdade de pensamento é o caminho estreito
Por entre paredes altas e portas fechadas
Procuras as chaves nas páginas arrancadas
Nas matérias não dadas…
Mas bibliotecas com pó, nos livros escondidos
Na história que não é contada,
Na radio que não é escutada,
E ai serás livre, para pensar e decidir…

Alberto Cuddel
12/04/2017 às 10:40


domingo, 11 de junho de 2017

Preto e branco da vida



Preto e branco da vida

Deixei que a recta me perseguisse vagamente,
Que as palavras flutuassem nas lágrimas estendidas,
Que o serrilhado das frases me ferisse a alma…

Sob o espelho dos dias, deitas-te ingloriamente
Caído em manto de glória, aplaudem-te as vogais
As consoantes, essas olham-te de cima, és poeta
Pequeno… pequeno…

Nos brilhos tirados a ferros, em páginas brancas
Antologias da vida em peso de ouro
E delicias-te na escuta, dos sons rebatidos nas pedras
De uma sala cheia de esperanças, e repleta de nadas…

Alberto Cuddel
10 de Abril de 2017
22:51