domingo, 25 de outubro de 2015

Escolhi Amar-te XXXIII



Quem nunca escolheu amar todos os dias não conhece o tamanho da dor que é amar e ser amado, Amar-te doí, faz sofrer, nunca ninguém amarará tanto que não sinta a dor, que não se faça sofrer, verter pérolas de cristal lacrimal pelo amado. Amar é sofrimento, tanto maior, tanto maior a correspondência entre almas que se amam…
Doí amar-te quando estás ausente, doí amar-te quando não estou presente, doí amar-te quando não me vejo no teu olhar. Doí ver o nascer do sol sem te ter no meu abraço, doí ver o por do sol sem que esteja em teu regaço.
Doí a saudade que tenho de mim quando ontem te amava, doí saber-me distante de todos os outros eus que te amaram, doía em mim o ciúme que tive do fruto do nosso amor, quando o adormecias no teu colo, quando o cuidavas e mimavas, doía saber que sabia, que era de mim cuidavas, no prolongamento do meu eu em ti.
Doí saber que te irei sonhar na solidão, doí saber que te amarei na distância de ser em mim, doí saber que permaneceras em mim até ao fim e mesmo assim serei amado novamente, num amor novo quando nossas almas se unirem formando o amor pleno na eternidade da decisão diária, onde a dor de amar se extinguirá no tempo.
Escolho amar a dor que me causa amar-te, tenho medo da dor de te deixar de amar, amo a dor de te querer em mim e ainda assim estar distante, tenho dedo da dor de que um dia estejas ausente.
Doí amar-te, mas também a ele doeu todo o amor que tem por nós, e por nós sofreu, apenas por nos amar!
Escolhi Amar-te a cada dia de novo, mesmo na dor na saudade e ciúme, que dos meus eus que ontem te amaram eu mantenho!
Alberto Cuddel®
 

sábado, 24 de outubro de 2015

Escolhi Amar-te XXXII

Escrevi-te tantas vezes sem que realmente tivesse algo a dizer-te, algo a contar-te, apenas pelo prazer de me saber em tuas mãos, de saber que teus olhos iriam percorrer cada traço, cada curva da minha feia e horrível caligrafia, que mesmo assim amavas.
Escrevi prosas, contos, poemas anedotas até, por te saber longe e saudosa, quantas vezes impregnadas com a água de colonia que tanto adoravas, escrevia, escrevo apenas para me saber lido, numa avarenta forma de monopolizar o teu tempo, que nesses parcos minutos é apenas meu, só meu, só minha, escrevo e sorrio, por te saber sorrir ao ler!
Escrevo, como agora, sem que realmente me ocorra nada a revelar-te, a na derradeira certeza que apenas te amo, mesmo que o escolha fazer todos os dias de novo!
Trago no peito o raiar de cada dia,
Trago no olhar alegria da tua vida!
 
És espelho do que sou,
Alma do profundo sentir,
Decisão tecida no dourado querer,
Entrelaçado de gestos perdidos no tempo,
Queres inamovíveis do teu sempre viver,
Carinhos, vontades sempre a repetir,
No cuidar, na dadiva da efémera flor,
Repito a cada dia, a aurora prometida,
Novo nascimento, nova conquista,
Nos caminhos que percorremos,
Guiados pelo eterno luar,
Do mistério carnal,
Que no une sem palavras,
Na demanda empreendida,
A cada dia, cada noite,
Pelo sempre caminho da nossa vida!
 
Exercício este de conquista,
Ver-me a mim pelo teu olhar,
Louco, altruísta e irrealista,
Por ti sentir a vontade de me Amar!

Alberto Cuddel®

Escolhi Amar-te XXXI

Nos tempos primeiros fomos em nós professores, fomos em nós alunos, na ânsia de aprendermos em nós as milhares de formas de conjugar o verbo amar, repetíamos sem parar todas as conjugações possíveis, nem era preciso marcar nos trabalhos de casa, perfeitos e dedicados alunos.

Nos tempos seguintes fomos aprendizes, estagiários de uma relação, aprendendo, gravando, entrosando vivências, ansiedades, desejos, entrando nos sonhos e aspirações um do outro. Até ao dia, aquele fatídico dia, aquele dia em que o antes podia terminar, o depois era posto em causa, tudo numa simples palavra, tudo numa pergunta, tudo numa resposta, três letras, para um futuro, três letras para o fim de um passado.

Chegou o dia, depois de dias e noites, de noites e dias decidindo, talvez certo, talvez errado, nem o tempo, nem todo o tempo do mundo nos daria a resposta, pois só o tempo passado o saberá, e esse tempo ainda estará para vir.

Chego, e como chego? Do alto do meu orgulho escanzelado na força da juventude, inconsciente disseram, ou talvez maduro de mais, de um sentir decidido e arrumado, perfeitamente consciente de que o mundo, ai o mundo! -O mundo poderia acabar de ali a pouco, tudo há distância de apenas três letras. E depois de um beijo nervoso e palavras circunstanciais, ai vai…

-Aceitas passar o resto dos teus dias a meu lado, aceitas casar comigo?

Silêncio…

Procuro no teu olhar uma resposta, nas são teus lábios que ma dão, no doce abrir de um sorriso, três letras: - Sim….

 Alberto Cuddel®

quinta-feira, 22 de outubro de 2015

Escolhi Amar-te "XXX"



Escolhi amar-te há 8295 dias, serão muitos? Talvez se os contássemos possam ser, mas não para mim, não para ti, amamo-nos de novo a cada dia, a cada noite… Celebremos hoje o dia na noite, celebremos no corpo, com o corpo a decisão da alma. Deixa que nossos corpos se encontrem, que nossos corpos se procurem, que preencham o espaço vazio entre nós, que celebrem a vida, o encontro, a decisão, deixa que se amem livremente, sem que a mente os iniba.
-procuro-te onde antes me procuravas, encontro-te onde antes me encontravas, espero-te em mim onde antes me esperavas, pois em ti também escolho amar-te.
Celebremos apenas o desejo divino da fala gestual, corpos que se encontram, no diálogo do tato, da sensibilidade da pele, onde as palavras se calam, onde as respirações se encontram, as batidas se sincronizam, onde as falas não se articulam, onde as frases são sussurradamente gemidas.
Celebremos apenas no encontro do tempo, onde nossos corpos se anulam, na celebração máxima do verbo Amar. Celebremos pois apenas na luminescência sedutora do perfume dos nossos corpos, onde nem a luz é necessária!
Alberto Cuddel®

Escolhi Amar-te XXIX




Dias há em que as longas noites se fecham em si mesmas, nas trevas apenas brilha a ténue luz do teu cansado e doce olhar, preso no meu antes de um abraço adormecido. Amei-te quando as noites se mantinham acordadas, quando a juventude do nosso amor nos permitia roubar o tempo à noite, pedir leves empréstimos ao dia que se aproximava.

Hoje, escolho amar-te a cada dia, mesmo pagando as suaves prestações das noites roubadas, dos dias corridos, no abraço em que nos abraçamos no calor do nosso cansaço!
Alberto Cuddel®
 
 

terça-feira, 20 de outubro de 2015

Escolhi Amar-te XXVIII



Não digas nada, não, não fales, escuta apenas o silêncio do teu olhar! Não, não me toques, permite-te apenas olhar o som em tua mente, que minhas mãos produzem ao acariciar-te o corpo. Não, não me ames, permite apenas que seja eu, que seja eu amar-te, amar-te-ei, por mim, por ti, até que se fundam as almas, até que se fundam os corpos, até que seja eu que te amo em ti, até que sejas tu que me ames em mim.
Hoje sou, apenas estou, presente a teu pedido, no local exato, na hora marcada, aqui estou, ávido e sedento de te encontrar em mim, no abraço, no entrelaçado dos corpos, sofreguidão do beijo, que nos consome o ar existente em nós, e hoje, também hoje, sou, estou para ti, por ti, em ti, por eu não ser, ou estar, se um nós não nos consumir por inteiro!
Ama-me apenas, na verdade absoluta, de que o amor é divino, assim nos unimos, em amor, unindo os corpos ao prazer da alma!
 
Alberto Cuddel®
 
 

segunda-feira, 19 de outubro de 2015

Pensamentos Soltos - 46 Soneto Solto



Seja o amor vago, em ti intento,
Saber de mim em ti por dentro,
Mirada assaz fugaz num tiro certo,
Rosas perdidas, pétalas ao vento!
 
Verdes folhas nos frutos caídos,
Distantes do mundo, assim de tudo,
Marés em vida, mar distante -surdo,
Desabrochar no grito assim vividos!
 
Nascer do sol triste apagando,
- eu triste, triste pela vida fora,
Peregrino em ti caminhando,
 
Recrio nas cinzas de passadas eras,
Corpo na alma, num sonho, sem hora,
Ladrão, sedutor roubando quimeras!
 
Alberto Cuddel®
 
 

Escolhi Amar-te XXVII


Pode o tempo ser gasto, no desgaste temporal das discrepâncias de humor, nem sempre aprazíveis em mim, em ti, em nós, posso desnorteado perder o norte do rumo traçado, uma pausa temporal. Podemos imiscuir-nos na fase lunar de mundos paralelos onde os nossos quereres e vontades não se cruzam, mas no limite, na nossa derradeira fronteira da nossa infelicidade, encontramo-nos um no outro, voamos, encontramos em nós o que nos fez nascer um no outro.

Encontramo-nos no abraço intemporal que nos trouxe até aqui, no beijo jurado onde selado fora o nosso segredo, no regaço teu onde adorno o meu pensamento, onde deposito e regateio as minhas ansiedades, onde me acalmas, me fazes ver em ti e por ti, o quão distante estava meu mundo, o mundo de sonhos e de vãs ilusões, onde sem a tua bussola me perco, guiado por estrelas disformes e complexas.

Paras o tempo, apenas um pouco, para que no solavanco do comboio da vida eu caia, apenas para que me possas levantar, para me iluminares com o teu brilho de estrela da manhã, para no sopro da vida do teu beijo me ressuscites, para que possa nascer no teu corpo, na essência do teu perfume.

Renasço em ti, no teu corpo celeste, sou em ti pó estelar que moldas na força gravitacional da tua aura, encadeio-me nas fórmulas da física universal, num amor teológico e matemático, sabendo que se em ti existo, sem ti apenas persisto, na louca vontade de te encontrar e de te fazer nascer em mim.

No reinicio dos tempos, que parados estiveram, sobressalto temporal, quem ama, reclama presença, da ausência sentida, pela busca do encontro na fisicalidade das coisas, na noite, no dia, na manhã, na tarde, no agora, no já de ti que em mim sobrevive, recordo, insisto, persisto, escolho amar-te, hoje e sempre a cada dia!
Alberto Cuddel®

Podem acompanhar toda a série Escolhi Amar-te  aqui neste blog ou em alternativa em: http://infinitamente-nosso.blogspot.com.br

quarta-feira, 14 de outubro de 2015

Escolhi Amar-te XXVI


Só me faltam dizer as palavras que não querem que sejam ditas, as palavras que mesmo ditas são duras e não gostam de entrar no ouvido, mas eu vi, eu vejo, e mesmo eu, eu próprio olho para o lado, agora aqui distante penso, quão diferente podia ter sido se eu tivesse escolhido ama-lo. Se não fosse por mais nada, para me salvar a mim Maria, pois também eu preciso ser salvo todos os dias. Fico a imaginar as lágrimas que correram, o quão triste e sisudo ficou o rosto, no seu rosto triste e frio daquele que nos salva, e que no seu rosto eu não reconheci. 

A vida às vezes devia parar, alertar-nos, não deixar passar, a vida devia derrubar-nos quando decidimos olhar para o lado e esquecer de também ali devíamos amar, são elos os frutos das nossa erradas escolhas, do assobiar para o lado quando devíamos escolher, e simplesmente deixamos isso para todos os outros que se arrebatam olhando o seu umbigo, amando-se a si próprios acima de todas as coisas. 

Escolho, como qualquer um de nós pode escolher nada fazer, partir ou ficar, não fazer nada ou ajudar, ou apenas olhar para o lado, seguindo nas suas vidas miseráveis lamentando-se da sua má sorte. Podia simplesmente ter escolhido ama-lo, e ter-me salvo um pouco mais um dia. 

O amor pode ser a maneira ou a forma mais simples de nos encontrarmos em nós próprios e ainda assim desisti de o amar, de me encontrar na humanidade triste desolada sem nada ai deitada naquela rua, pedindo apenas um trabalho, um pouco de comida. 

Onde para a minha humanidade, a minha escolha de Amar o próximo, o irmão, se não o amo, como podes acreditar na minha escolha Maria, como posso escolher Amar-te a cada dia, como me posso anunciar como fiel ao Pai, se meramente olho para o lado, onde não me incomoda a miséria humana da falta de amor. 

Hoje não escolhi e falhei, passarei outro dia, reparando a falha de hoje, e sim, amanhã escolherei ama-lo!.. 



terça-feira, 13 de outubro de 2015

45- Sem título

 
Crescem as palavras na escrita continua,
Luas cruzam os céus sob a neblina matinal,
O sol que espreita no varal, poético quadro,
Rimas esquecidas, uma rosa oferecida,
Despertar no teu abraço, esquecido sonhar
Estrelas saltitantes do teu doce olhar
O ruido do padeiro- pão quente, quente
Corre, corre- a escola não pode esperar,
Não há chuva, um nada de vento,
Corre, corre, pequeno almoço para dentro,
O branco do teto, que me prende na cama
O abraço desfeito pela pessoa que ama
Manhã, apenas mais uma manhã,
Igual a ontem, igual à da amanhã,
Já despachado a porta bateu,
Junta-me a mim, aqui como eu,
Abraço-me em ti, abraço dormente
Não vou trabalhar talvez por doente
Preguiça de mim, entregue por fim
Por não ter acordado,
Se sequer estar deitado,
Da noite de trabalho
Talvez só sonhado,
Bom dia amada,
Finalmente a chegada!
Alberto Cuddel®

 

Escolhi Amar-te XXV



Existem palavras difíceis de dizer, de escrever, frases caladas, escondidas, inconfessáveis, numa vã tentativa de ocultação de evidentes evidências…
Não, eu nunca me apaixonei por ti Maria, nunca aconteceu a faísca, o amor ao primeiro olhar, o primeiro olhar, acidental, casual, com a raiva a inundar-me o cérebro, como o odioso pensamento  desse dia, pensava que nada mais havia a pensar, que nunca mulher nenhuma me conquistaria, absorto nesse meu pensar, olhei o teu olhar sem o ver sorrir, pois nada retive na minha distraída e absorvida retina.
Não, eu nunca me apaixonei por ti Maria, nunca senti as borboletas nos estomago, não tive sequer tempo para a ansiosa espera, tudo foi tão concisamente decidido na nossa demasiada maturidade juvenil. Decidi amar-te na segunda vez que te vi, primeira vez que verdadeiramente nos olhamos, em que nossos olhos demoradamente conversaram em profundidade, decidi amar-te na receção das tuas primeiras letras, na correspondência linguística de um sim, um definitivo sim, em que a distância nada significava.
Não, eu nunca me apaixonei por ti Maria, nunca o poder da paixão tomou conta do meu corpo, no desespero exacerbado do tempo que nos mantinha afastados, nunca senti uma paixão finita em crescendo, até ao limbo do desejo absoluto de me realizar apenas em ti. Tudo foi naturalmente partilhado, medos e conquistas. Tudo foi tão naturalmente decidido, ponderado escolhido, numa decisão repentina de agora ou nunca, não, não, eu nunca me apaixonei por ti Maria, pois escolhi amar-te na primeira vez que nossos olhares se beijaram.
Alberto Cuddel ®
 

segunda-feira, 12 de outubro de 2015

Escolhi Amar-te XXIV



“Amar é Também amar a Estrada não Só a Companhia.” In: Queres casar comigo todos os dias Barbara? de Pedro Chagas Freitas.

Por quanto tempo caminhas a meu lado sem parar? Sigo-te e presigo-te, rodeando, ladeando, decidindo, aceitando o que o caminho nos traz, pelo caminho que nós levamos, ora correndo, ora arrastando.

 Quantas vezes nos deixamos de amar um pouquinho, para amar também o caminho, para parar, para dar a mão a um amigo, para amar apenas uma flor nascida na borda, solitária e fora de tempo.

Por quanto tempo caminhas a meu lado sem parar? Escolhi amar-te, não apenas a ti, o teu ser, o teu corpo, a tua família, mas também a estrada, o caminho, as decisões, a ações, as vitorias, as derrotas, as conquistas. Decidi Amar-me também a mim através de ti, assim como te amas por mim, nos passos firmes, seguros, apoiados em nós e na divina testemunha que nos selou como uno.

Por quanto tempo caminhas a meu lado sem parar? Perseguimos juntos o caminho, a estrada, numa corrida à felicidade, e ela? Que se encontra em nós, como sempre em nós esteve, mesmo antes de o nós existir, apenas de demos alimento para que mais largo, mais plano, mais fácil o caminho se torna!

Amamo-nos, no caminho, no eu, no nós, na busca percorrida, que se encontra sentada na esplanada da nossa vida. Escolho Amar-te a ti, a mim, e ao caminho que percorremos, ora correndo, ora arrastando, ora parando e admirando a beleza do presente, ou apenas dobrando as costas, ajudando um indigente!
 
Alberto Cuddel®
 

sábado, 10 de outubro de 2015

Escolhi Amar-te XXIII

Bendita e sacrossanta decisão de me casar em ti todos os dias Maria. No teu sim faço-me marido, na construção do ser uno me dás o nome de pai, nos fazemos carne fora de nós, num eu externo demonstração física da decisão diária de nos amarmos no matrimónio.
O que nos une é uma loucura diária de uma aprendizagem inventada na cama, manhãs que nos irrompem como penhascos entre nós, separação propositada, no sofrimento atros, que nos separa de nós no trabalho. Visto-me de ti, na partida levo-te colada ao meu corpo, nas malhas tecidas do perfume do teu corpo colado ao meu, do sabor de teus lábios, levo-te comigo, como contigo vou.
Ai de mim, ai de ti Maria, se eu te amasse apenas com o coração, decidi amar-te, escolhi amar-te com a cabeça que tantas vezes bateu na parede, escolhi amar-te com as mãos, os pés, os lábios, os olhos, escolhi amar-te com todo o meu corpo, dorido e tremulo, como em ressaca no afastamento te ti. Perco-me diariamente no olhar da multidão amando-te sozinho procurando encontrar-me apenas em ti.
Bendita e sacrossanta decisão de me casar em ti todos os dias Maria. No teu sim faço-me marido, no perfume dos espinhos por onde penosamente me arrasto na tua ausência em mim, em ti renasço no teu olhar de desejo, nas asas do teu elevo com que me amas me deito, e amo-te como se apenas o hoje existisse!
 
Alberto Cuddel®
 
 

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

Escolhi Amar-te XXII


Quantas vezes senti a perder-me de ti, numa qualquer fútil discussão orgulhosamente mantida até à exaustão dos sentidos, como purga da felicidade, contraponto ao sofrer auto infligido, pelo narcisista pecado de eu querer encontrar-me em mim e não apenas em ti. A escolha de Amar-te não pode, não deve ser constante fonte de alegria, devo sofrer-me também em ti, no suporte cabal de que uno somos fazedores da paz. Como é bom fazermos a paz entre quatro paredes, com os seus despudorados olhos sobre nossos corpos.
 
De todas as vezes que nos perdemos um do outro nas espaçadas discussões intermináveis, por um qualquer supérfluo motivo, acabamos sempre na desculpa de nos encontrarmos num abraço intemporal de um beijo, na troca de sorrisos das mãos que se perdem nas caricias da alma, tentando encontrar para si um corpo.
 
Quantas vezes em nós encontramos a furiosa discussão entre Deus e o Diabo, em que nenhum dos dois sai a perder, se na fé Deus nos concilia, no abraço da carne o demo nos eleva aos prazeres do abraço frenético da carne.
 
Perdemo-nos tantas vezes, apenas para nos procurarmos, como se jogássemos como crianças às escondidas por entre os individualismos da vida, encontramo-nos para corrermos freneticamente um para o outro, sorvendo-nos mutuamente, como se nos quiséssemos beber, ficar permanentemente um no outro, como se pudesses possuir-me em ti, no corpo e na alma.
Sabemos que somos um no outro, mesmo assim discutimos, por um intrépido prazer de sermos por uns momentos individuais, na purga absoluta do medo de deixarmos de ser apenas nós mesmos, e verificarmos que no singular, apenas nos encontramos vazios um do outro!
 
Alberto Cuddel®
 

 


quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Revivo!


Revivo nas voltas e voltas
De um torto ponteiro que me faz viver
Revivo na lembrança presente
Que não me deixa esquecer
Revivo presentes passados futuros
Revivo desejos insanos e impuros
Revalido o meu querer no reflexo
Que me imponho ao me ver
Revivo na entrega que faço
No amor com que me entrego
A mim no tempo e no espaço
Revivo em mim para me dar
Na luz da alma que emano
Sou eu que me dou não é engano
Nada me possui nada me tem
Pois eu apenas vivo
Porque hoje novamente me dei!..
 
Alberto Cuddel®
 


segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Escolhi amar-te XXI


O tempo é demasiado curto, demasiado denso, para o desperdiçar em futilidades orgânicas de uma relação que acusa o desgaste temporal das engrenagens sujas pelo excesso de cansaço acumulado na labuta constante do veraneio do ano! O amor pode muito bem ser gasto ou ganho de tempo, apenas depende de ti, como me sentes em mim, pode apenas ser alguém que nos olha e pede um abraço, no silêncio do sorriso de um olhar cabisbaixo, para nos deixarmos proteger, do tempo gasto e nos protege mesmo.
 
Tudo o que se quer com tanta força é apenas acaso, decisão diária da escolha matutina, se calhar é isso, quero-te desde que te vi, desde que te escolhi ver em mim, e assim me conseguiste ver através do meu olhar. Se tu soubesses que nunca calcorreei as pedras da calçada em vão, que fiques permanentemente ciente, que nunca meus pés se moveram em outra direção que não me levasse a ti. Mas a verdade é que  invejo, os teus passos ordenados a caminho da plenitude do meu eu, da vingança feroz de me escolheres de entre a multidão, da massa humana, fervilhante no auge hormonal que te escolhia, a cada dia, ou apenas por um dia, para te possuir ali no minuto!
 
O segredo é conseguir gerir, sonhar novos sonhos. Sonhos que consigam ocupar o espaço em branco deixado pelo sonho perdido de liberdade de escolha, por conscientemente abdicar em ti escolher outra pessoa. Escolher é Amar-me como se me tivesses descoberto agora, como se nunca me tivesses amado. Cada olhar um primeiro olhar, e a cada olhar, um novo brilho na pele, um novo corpo descoberto, uma nova curva na alma. O amor consiste na capacidade de encontrar todas as paixões num só corpo, e entregar todo o corpo, de toda a alma à paixão, como se todo o sexo, nos unisse num novelo intemporal sem fim!
 
Por onde vais quando não te vejo? Quando te ausentas de mim em direção a este? Onde roubas toda minha liberdade, absolutamente toda por um beijo, deixando-me suspenso, como num limbo, no sono adormecido dos deuses, até que por um beijo me despertes, pedindo que escolha, apenas mais um dia, desejas, procuras, imploras, que escolha amar-te!
 
Alberto Cuddel ®
 
 
 
 
 
 
 
 
 


Card By Alberto Cuddel - A Noite Convida


sexta-feira, 2 de outubro de 2015

"Escolhi Amar-te" - XX

Perco-me quando olho o interior do teu olhar, tudo é tão diferente, tudo é tão real, no teu jeito simples, no teu meio louco e sensual talvez jeito de ser, preenches-me no teu intrépido sorriso num domínio absolutamente natural em ti. As vezes duvido de mim, será assim tão normal amar-te...
 
Perco-me no calor envolvente do teu abraço, esquecendo o resto do mundo, vivo nele, vivo em ti, amo-me por ti, pelo teu olhar, pelos teu gestos, pelo carinho do teu toque, é em ti que me amo também a mim, as vezes duvido de ti, será assim tão normal tu poderes amar-me...
 
Perco-me no teu sonhar, no grito abafado das tuas mãos, perco-me no teu mundo, nos teu pedidos, que no meu intimo recuso, mas que na realidade os satisfaço, perco-me nas voltas na cama, sabendo-te ao meu lado, peco-me nos pensamentos vagos que tu me preenche no caminho de casa, nas imagens desenhadas a carvão das formas de teu corpo com que me enches as noites, mesmo assim duvido de mim, será assim tão normal amar-me por ti...
 
Perco-me em ti, sem a mínima vontade de me voltar a encontrar, pelo menos não sozinho, não existas, não sejas, ama-te apenas em mim, permite-me navegar sem rumo nas vagas sumptuosas do teu ser, das tuas vontades, deixa que me perca sem tempo para que nos encontremos a cada dia novamente, mesmo assim duvido, será assim tão normal amar-te?...
 
         Escolhi amar-te, para te poder encontrar em mim a cada raiar de um qualquer novo dia!...
 

Card By Alberto Cuddel


42 - um quase poema



 


Um quase poema desinspirado,
Nasce da aspiração inglória e vã,
Da mão tremula e teimosa do poeta,
Pela incauta vontade de escrever,
Na lembrança escritos passados,
Na busca constante,
Num horizonte distante,
Procura incerta,
Espera desconcertante,
Uma saudosa saudade,
Uma culposa vaidade,
Uma confissão prometida,
Um outro nome,
Uma outra vida,
Um querer absoluto,
Um desejo absurdo,
Um poema de amor,
O choro, prantos de dor,
Um peito aberto,
Um coração concreto,
Uma alma exposta,
Esperando em ti,
Ler uma mera resposta,
Questiono-te em mim,
Onde encontrarei em ti,
A minha morada, o meu fim….
 
Alberto Cuddel
 

quinta-feira, 1 de outubro de 2015

Presente exclusivo para os Seguidores dos Blogs

                           

No mês de Outubro, os Blogs:

http://escritanoface.blogspot.pt
http://infinitamente-nosso.blogspot.com.br

Estão presenteando, exclusivamente, os Seguidores dos dois blogs, com a coletânea composta com 79 poemas do autor e escritor, Alberto Cuddel, intitulada "Palavras Desconexas", em formato PDF. 

Sobre o livro:

Palavras Desconexas é uma compilação de poemas publicados pelo autor entre os meses de agosto e novembro de 2014, os poemas selecionados revelam varias facetas do poeta, entre paixões desmedidas, quedas e desilusões, sempre com o plano religiosos em fundo. Sendo que o mesmo traça um percurso que até roça o autobiográfico, muito disserta sobre o amor e a sua falta de correspondência, paixões proibidas, desejos e devaneios.

Sobre o poeta:

Alberto Cuddel pseudónimo de António Alberto Teixeira de Sousa nascido a 14 de Janeiro de 1973, no concelho de Baião, na margem norte do rio Douro, cedo rumou ao litoral no concelho de Vila do Conde, estudou até ao 12º Ano. Casou em 1995 tendo ir residir para o concelho da Maia, local onde permaneceu até 2008. Rumou à área metropolitana de Lisboa, onde atualmente reside Castanheira do Ribatejo no concelho de Vila Franca de Xira.

Começou a escrever poesia em 1993 sem nunca ter editado qualquer obra própria, já participou em algumas antologias, escreve essencialmente sobre
o amor, as desilusões da vida, o quotidiano do sofrimento humano. Tem na sua cara-metade a fonte da inspiração. Cada momento da vida é um poema, com toda a carga emocional que isso acarreta, mas não sabe viver de outra forma.

Bibliografia

Participação nas Antologias:
Os Poetas d’Hoje volume II
O Som dos Poetas
A Lagoa e a Poesia
Palavras de Veludo
Quando O Amor é cego

E para degustar desta incrível coletânea...

Perdidas Palavras

Perdidas palavras sem sentido,
Que nos fazem adivinhar o querer,
Fuga anunciada da imaginação alinhada,
Correndo na areia molhada,
Brisa no rosto, espuma arrebatada,
Sol caindo no horizonte,
E eu aqui em queda preso a ontem,
Ruminando sentimentos,
Remoendo por dentro,
Pedras que quero esquecer,
Que debaixo dos pés contínuo a manter…
Caí, saí…
Abandona-te ao presente,
Solta-te
Faz-te gente….
Ama,
Sê diferente…
Esquece…
Agora,
Sim…
Ama por ti…
Sem as amarras das palavras,
Que nos tempos passados,
Te condicionavam como vassalos,
De um senhor que te amarrava…

Na cruel mentira traída!



. Ser Seguidor dos dois Blogs,
. Enviar e-mail para:

infinitamente.nosso.blogger@gmail.com

Informando o nome do usuário que aparece como seguidor dos blogs, e o e-mail para o envio do arquivo.

Como se trata de um presente pessoal dos blogs para seus seguidores, está vedado o compartilhamento em redes sociais, sem autorização expressa do autor. 

Os participantes receberão a coletânea, no momento do encerramento da promoção, no final do mês, e por ordem de envio da confirmação do cadastro como seguidor dos blogs, através do e-mail da promoção.

Card By Alberto Cuddel


"Escolhi Amar-te" - XIX



Chego a casa com vontade de fazer sexo, não amor, hoje não é isso que tenho vontade, mas sim sexo. Na vontade de explorar todo o teu corpo, todas as sensações, oculto o teu olhar no meu, impeço a visão de meu corpo, quero potenciar o cheiro, o sabor, a audição, o tato, explorar em ti, em mim… quero-te aqui, agora, na pressa do desejo, explorar em ti o sabor das frutas, dos frios, dos quentes, sem importância de local, não importa, quero-te apenas, na pura transferência de prazer corporal.

Chego a casa com vontade de fazer sexo, não amor, hoje não é isso que tenho vontade, mas sim sexo. Quero-te imóvel, arrancar de teu corpo vagarosamente as vestes que me impedem de te ter, desabotoando lentamente cada botão, penetrando o meu olhar no teu, respirando o teu ar, sentindo o teu calor, quero ouvir o som do ziper correndo, vagarosamente como a água num ribeiro. Poder sentir um arrepio do teu corpo ao arrancar-te a ultima peça de roupa.

Chego a casa com vontade de fazer sexo, não amor, hoje não é isso que tenho vontade, mas sim sexo. Quero-te com um desejo incontrolável de mim, poder mapear o teu busto no toque dos lábios, sentir o sabor doce e salgado da tua pele, fazer tremer todo o teu corpo na ansia de me teres em ti, sentir-te suster a respiração, respirar em mim.

Chego a casa com vontade de fazer sexo, não amor, hoje não é isso que tenho vontade, mas sim sexo. Quero que me arranques a roupa no desejo de me teres, de me possuíres com teu, na exploração dos prazeres da carne, apenas prazer, sem culpas, sem pudores, sem tabus, quero-te, queremo-nos, como loucos sedentos um do outro!

Chego a casa com vontade de fazer sexo, não amor, hoje não é isso que tenho vontade, mas sim sexo, chego a casa e tu não estás, afinal de que me serve a vontade… mesmo assim… contínuo a escolher Amar-te!