segunda-feira, 30 de novembro de 2015

Escolhi Amar-te LII

Dias há em que apenas espero em suspenso, a vida segue pardacenta, numa qualquer imobilidade temporal, nada acontece, nada de novo, em que o Amor perde todo o seu significado, em praticamente esquecemos todos os comos, todos os porquês…

Dias há em que se nada fizer, nada acontecerá, e mesmo que o faça, talvez mesmo assim, nada mudará. Talvez seja do tempo, do tempo afastado, em que nem saudades sinto, ou de as sentir apenas fiquei assim, imune, imune ao tempo que passa sem que efetivamente pense em nada. 

Dias há em que a afetividade máscula ou não, desaparece, nem sequer desejo, nada… ou um tudo reprimido, à espera de uma fonte de ignição, um toque, um olhar, uma palavra, mas agora, no imediato? Nada… não sinto vontade de ir, muito menos de ficar.

Dias há em que se não decidisse amar-te, efetivamente nada sentiria, talvez segundo os especialistas seja isto uma depressão momentânea, mas não, é apenas um lapso temporal em que eu, simplesmente deixei de existir! Pois como diz o ditado “quem não se sente não é filho de boa gente”. Talvez seja isso, deixei de existir na tua ausência, quando deixo de pensar-te em mim. 

Dias há em que para saber-me existir, devo apenas procurar-me, para me poder encontrar em ti!
 
Alberto Cuddel®

«Tudo é um momento – nada é verdadeiramente real!”


Tudo na vida são momentos,
Estórias e apenas alguns reais,
Momentos que ficam na memória!

Gota de orvalho, no lapso temporal,
Reflexo de teu alvo rosto espelhado,
Brisa que te agita, movimento liberal,
Terra molhada, brota envergonhado,
Horizonte longínquo, no sol nascido,
Acordam, revivem, da noite erguida,
Brotam flores em botão, amanhecido,
Força natural que renova toda a vida!

Tudo é instante, momento, inconstante,
Tudo é igual, diferente, ilusão, realidade,
Tudo é sentido, pressentido, excitante,
Tudo é uma mentira, engano, verdade!

Tudo é etéreo permanente, como a rosa,
Tudo é belo, completo, apenas instante,
Brisa do bater de asas de uma borboleta,
Peixe em poça de água na baixa maré,
Nada parece que é, e o tudo que parece,
Na nossa realidade nada foi, nada é!...

Tudo é sentido no momento,
Tudo nos parece ser natural,
No parco nosso entendimento,
Nada é verdadeiramente real!

Alberto Cuddel®

domingo, 29 de novembro de 2015

Escolhi Amar-te LI


Escolher amar-te foi provavelmente a decisão mais inteligente que tomei enquanto ainda era um idiota!
Antes mesmo de me saber eu, escolhi descobrir-me em ti, no teu abraço perdi o limite do perigo, abriste-me o horizonte do teu olhar ao meu, inflamaste-me em nova coragem no teu beijo, reencontrei as cores do mundo, não do meu mas do nosso, que dia-a-dia edificamos na alma.
Encontro em ti a cura e a minha doença, a cura dos medos e a doença do ser destemido em ti, perdi o medo de te amar em mim com todo o meu ser, encontro no teu sorriso a desculpa perfeita para saltar para abismo que és tu. Nem precisas de sorrir muito, ou pedir ternamente, basta que teus olhos mo peçam.
Perdi de mim a ignorância da paixão, a euforia juvenil das hormonas, hoje não eu, não tu, amamo-nos febrilmente no corpo e loucamente na alma, mais no corpo com a alma, ou com a alma no corpo…
Escolhi Amar-te para que o eu desse lugar ao tu, para que o tu passasse a ser eu, e o nós se tornasse a primeira pessoa do singular!
 
Alberto Cuddel®
 
 

100 (cl) sentimentos destilados na alma!

Sangue da alma escorrendo no rosto,
filhos em pranto por alimento materno
conjugação imperfeita, sonho proposto
interno sentir, sofrido manifesto externo.
 
Irrigado querer, antídoto, inflamada alma
lágrimas nunca choradas, dor, angústias
choro lágrimas a rir, aquando choro a calma
paixão no filho do homem, escorridas hóstias.
 
Lágrimas caídas, dentro, oculto lado errado
águas caídas, manso adeus meu ser infeliz
enxugadas no ermo querer erro perdoado.
 
-quentes, silenciosas... ardentes na dor
fonte na vida gerada, num ontem – feliz
olhos marejados de lágrimas,  ainda Amor.
Alberto Cuddel®

sexta-feira, 27 de novembro de 2015

Escolhi Amar-te L


Há dias assim, sinto-me capaz de tudo, com vontade de nada. Em que me sinto mais vivo que nunca, mas morto no querer, mais forte no desejo, mas mais fraco no sentir. Dou por mim procurando o meu ego num sítio muito distante, distante de ti, distante de mim.
Assim encontro-me em ti quando me perco de mim…- dizem que não somos metade um do outro, mas apenas formamos um. Quando estou gelo, tu és fogo, quando se apaga o desejo, ofereces-me o fogo reavivado e opressor no calor do teu beijo, como que me beijasses a alma.
Escreve em mim a sedução do desejo, do profano e erótico querer, proclama em quatro paredes o gemido que se sopras ao ouvido, a sedutora forma com que me envolves em teus braços ao despir-me a alma. Contorcionista em meu corpo, escalas em mim, no rubor de meu rosto, extasiado, anestesiado na volúpia do teu desejo.
Arrebatas-me definitivamente para ti, para em ti me redescobrir e encontrar-me quando me perco de ti. Hoje escolhe-me a mim, para que eu te volte a escolher a cada dia!
 
Alberto Cuddel®

quinta-feira, 26 de novembro de 2015

Escolhi Amar-te XLIX



No uno que formamos divergimos, numa visão antagónica das palavras, regemo-nos por uma incompreensível divergência de dicionários, livros em tudo semelhantes, em tudo diferentes, livros com o sexo estampado na capa. As palavras têm sexo, o seu significado varia segundo o género que as escuta, que as lê.
O meu sim, pode ser o teu não, o teu não pode ser o meu sim, quantas vezes dialogamos surdamente palavras inatendíveis pelo congénere, pelo simples facto de não as entender no profundo significado com que foram produzidas.
Como posso respeitar-te se no meu dicionário essa palavra significa: acatamento, obediência, submissão, medo do que os outros podem pensar de nós. Enquanto para ti : Apreço, consideração, deferência, sentimento que nos impede de fazer ou dizer coisas desagradáveis a alguém.
Quantas vezes despejamos um no outro mensagens e vocábulos numa qualquer língua codificada apenas percetível ao nosso género individual, entendemo-nos na gestualidade das palavras, na demonstração silenciosa na mensagem, no verdadeiro dialogo e no divino elo de ligação o AMOR.
Talvez Deus tenha criado o Amor como elo de diálogo entre géneros, para que Adão e Eva pudessem comunicar, tão semelhantes e tão diferentes…
Somos divinamente agraciados na escolha sintomática do dia-a-dia, a escolha de nos amarmos, permite que me comunique em ti, como se parte de mim te pertencesse, na fusão das almas eliminasse o género…
Escolhi Amar-te a cada dia para que possamos falar um no outro!
Alberto Cuddel®
 

Pecado

 

Visão plena e absoluta de teu corpo,
Elevação puríssima do sentir eterno
Pecaminosos desejos carnais no sopro
Criado vaso perfeito do ser materno
 
Ser perfeito, de suprema elevação
Pensamentos levados na imaginação
Beijo a beijo perco-me no teu infinito
Firmeza querer vontade de granito
 
Sedentos pecados lívidos e carnais,
Deste mesquinho impuro e pecador
Ávido sedento de toques marginais,
 
Rendo-me perante a visão do pecado,
Amenizado na entrega ao sonhador
Personalizado em ti, meu ser amado!
 
Alberto Cuddel®

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Escolhi Amar-te XLVIII



Todos os dias vivemos convencidos de que temos tempo, que o mesmo não se esgota, que o mesmo não flui como areia por entre os dedos, até ao dia em que somos confrontados com a dura realidade, um familiar, um amigo, um colega, simplesmente não chegou a casa.


Nesse dia tudo é por nós posto em causa: 

Quanto valem as incoerências da vida?
A pressa, o cuidado, a má disposição,
Indisposição, preocupações, problemas,
Perder tempo, correr contra o tempo,
Se um dia o tempo pode extinguir-se!

Sem que tenhamos tempo para um adeus, um Amo-te, um pedido de perdão, uma bênção, um perdoo-te… A cada dia quero mostrar a ti: Esposa, Filho, Pai, Mãe, Sogro, Sogra, Irmão, Irmã, Cunhado, Cunhada, Amigo, Amiga, Colega, Conhecido, desconhecido, a cada um de vós quero dizer, mostrar o quanto vos amo, o quanto me fazem falta, pedir-vos perdão e perdoar-vos, para que quando o meu tempo se extinguir, para quando o teu tempo se extinguir, eu saiba, tu saibas, que ele foi vivido na sua total e absoluta plenitude!

 
Escolho Amar-te a cada dia, pois a cada dia posso adormecer no tempo que tenho para nunca mais acordar!

Escolhi Amar-te XLVII


Do tudo que esperas de mim, o nada que te posso oferecer… apenas eu completamente imperfeito, nos defeitos com que me aceitas…


Encontro na solidão gélida do nosso leito, o tempo para a reflexão necessária à saudade que sinto. Não, não sou um marido perfeito, nunca te prometi sê-lo, o tempo encarrega-se de me mostrar todos os defeitos que encontro em mim ao pensar-te, já mais serei perfeito, recuso-me a ser perfeito. É na verdadeira imperfeição que nos encontramos e nos completamos, para sermos melhores, para nos amarmos mais a cada dia, no faustoso encontro em que nos regemos sem tempo, o tempo que nos resta para nos encontrarmos.

Este tempo maldito, em que os minutos parecem horas, no afastamento imposto, tempo solitário que é em nós gloriosa chave de meditação sobre o “nós”. Solidão imposta pela tua ausência, encontro em mim, a necessidade absoluta de ti, em ti sou melhor, sou eu.

Sinto a tua falta, nunca nos devíamos afastar por uma imposição de escolhas laborais que nos impuseram. Não, não por um incontrolado e impensado lapso temporal, que nos fazem viver como conto de fadas, um no dia com o sol, o outro na noite com a lua… porra onde anda o Eclipse?

Sim tenho defeitos, mas que importam, se não estás aqui para me corrigir? Sinto a tua falta, do teu beijo, do teu abraço, do calor do teu corpo, do sexo, do dormir de conchinha… sinto a tua falta!

Do tudo que esperas de mim, o nada que te posso oferecer…

apenas eu completamente imperfeito, nos defeitos com que me aceitas, e mesmo assim distante temporalmente, escolho amar-te todos os dias e moldar-me a mim em ti, como te moldas a mim nas minhas imperfeições…

Alberto Cuddel
https://www.wattpad.com/story/51907170-escolhi-amar-te 



sábado, 21 de novembro de 2015

Escolhi Amar-te XLVI



Ao segundo olhar, nossos corpos estremeceram no louco desejo erótico de nos unirmos, no mais animalesco ato de fidelidade sincronizada, dando forma, eliminando as barreiras da linguagem, falando no silêncio dos gemidos do amor. Não somos maníacos, mas a verdade exposta do nosso sentir é que nos desejávamos amar um no outro antes mesmo de nos conhecermos.

O desejo envergonhado desenhado no rubor nos nossos rostos adolescentes, as mãos húmidas do nervosismo, um primeiro beijo em ti, senti, não vi, não viste, apenas o sentimos, na alma, no estremecer dos nossos inocentes corpos…

Encontramo-nos todos os dias no movimento ardente da palavra escrita, no desejo consumado na ponta da caneta em brasa que se arrastava no papel, depósito de sonhos, devaneios eróticos do nosso amor sonhado e confirmado a dois, nas respostas e contra-respostas, da sedução do perfume do papel…

Para finalmente nos encontrarmos, frente a frente, despidos de tudo, despidos do mundo, vazios, apenas confirmados perante a testemunha divina que testemunhou e confirmou o desejo de nos pertencermos. Encontramo-nos na noite onde nascem todas as primaveras, onde todos pássaros cantam em coro a alvorada, como trompetas anunciando a confirmação, a consumação de unir o desejo de nossas almas também no corpo, revelando o mistério divino, confirmado na profecia bíblica e os dois formarão uma só carne, um só espirito.

Em nós que nos escolhemos amar, pelo menos até amanhã, confirmemos hoje, que ainda hoje nos desejamos fazer uno o querer, no silêncio gemido que ecoa nas nossas almas desde o dia em que nossos olhos pela segunda vez se beijaram.
 
Alberto Cuddel®
 
Pode acompanhar todos os textos em:
 

 

sexta-feira, 20 de novembro de 2015

Escolhi Amar-te XLV

Procurava-te para que me completasses… muitos discordam, muitos concordam, para muitos é indiferente, mas para mim, para ti, para nós não. Escolhi amar-te não porque me bastava, não porque estava cheio, não porque tinha amor para dar, mas porque me encontrava apenas a meio, com espaço para te receber, para me poder moldar em ti.
Mesmo na constante dormência do sono, inquieto-me na busca de ti, como se te pudesses ausentar de mim, queria dormir em ti, viver apenas na dádiva de amor coberto pelos lençóis. Acordo constantemente em mim, como um agarrado a um vício, na fome de te escrever, de te inscrever em mim, de deixar escrito e gravado, a louca forma de te amar.
Procurava-te para que me completasses… mas acordei, contigo entrelaçada em mim, como se me prendesse, para que não me afastasse, para que nem um pedacinho de amor pudesse cair fora de nós, queria adormecer em ti, neste leito onde cabe o nosso mundo, não quero acordar sem que te tenha, sem que estejas ao meu lado, sem que dês e me recebas!
Procuro-te nos sonhos, naqueles em que teimosamente acordas, foges de mim, simplesmente para estender um varal de roupa, para que as nossas vestes, lado a lado possam apreciar o nascer dos primeiros raios de sol, enquanto nos entrelaçámos no amor que nos confirma, no mundo horizontal, cobertos por nuvens de algodão.
Ainda assim nosso amor não é perfeito, nunca será ser perfeito, pois somos humanamente imperfeitos, e tantas vezes discutimos, eu discuto, tu discutes, sobre nada, das insignificâncias da vida, quem sabe num divino prepósito, de nos reconciliarmos mais fortes, mais capazes, mais vazios um do outro, para que nos possamos preencher no prepósito da escolha de amar e ser amado…
Alberto Cuddel®

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

Escolhi Amar-te XLIV


Esperei que Deus te criasse para aprender amar, não que ainda não o soubesse, mas não o tinha escolhido, amava, pelo cheiro, pelo tom de voz, pelo alimento e carinho, não por escolha, não para que me encontrasse ou completasse em ti, mas por gratidão divina à vida que me foi por ela concedida, Amo-te Mãe, Amo-te Pai, mas não escolhi amar-vos, apenas amo-vos.

Esperei que Deus te criasse, que te conduzisse a mim, para poder escolher amar-me em ti, não me amo o suficiente para que abdique de escolher amar-te, amo-te para que possa amar-me a mim no amor que recebo, já mais poderia receber se me amasse completamente por mim próprio.

Esperei que Deus te criasse, que cavalgasses uma tarde de outono, em que as nuvens pairavam opressivamente baixas no céu, para que o meu céu se abrisse, para que tu entrasses em mim no primeiro vislumbre da tua aura. Mistério irresolúvel de Deus, em ti me tornava eu, não completo, não melhor, mas eu. Em ti parte de mim adquiria a identidade perfeita, na busca constante pela felicidade.  

Esperei que Deus te criasse, para que se cumprisse a profecia do nosso destino escrita em outras reencarnações, para que se cumprisse o milagre de poder sonhar em ti a minha, a tua, a nossa vida.  

Esperei que Deus te criasse, para que pudesse escolher amar-te cada dia, não por meras e belas palavras, mas pela ação de o demonstrar reinventando o ato de te amar em mim, por ti!
Alberto Cuddel®

quarta-feira, 18 de novembro de 2015

Escolhi Amar-te XLIII

Existiam em mim, vários de nós antes de escolher Amar-te para sempre, apesar de sempre ser apenas um até já, momento em que fecho os olhos sem saber se irei acordar, apenas numa certeza, irei contigo, em ti sonhar. Dos muitos “Nós”, ou “Eu’s” que em mim se debatiam rumo à vitória, existia um que apenas te queria, apenas te queria possuir o corpo, como um premio de conquista após a feroz batalha da sedução, na perfeita certeza de que o amor é prazer.

Existia um “eu” tímido, inseguro, jovial e inocente, fruto da educação machista de uma sociedade que impõem a afirmação do homem pela conquista do objeto sexual, idealizado na jovem virgem seduzida.

O “eu” romântico, carinhoso, afetuoso, revelado apenas por breves momentos, no recato da nossa solidão, imposta por um namoro tradicionalista e fora de tempo, relembrando tempos idos, no recato do lar.

A composição dos meus “eu’s” nos teus, revelou uma educação madura do nosso sentir, do aprisionamento da paixão, alimentando-a até ao dia em que se soltaria em pleno. Muitos dos meus “Eu’s”, dos teus “Eu’s”, foram por um “nós” barbaramente assassinados, para que nos pudéssemos confirmar um no outro.

Pedimos perdão, fomos divinamente perdoados, ajoelhados lado a lado junto ao altar, pedimos perdão, e fomos recompensados com o dom da nossa união. Crime horrível e tão bárbaro aos olhos dos apaixonados pela individualidade pensante que tão horríveis desgostos causa, na incapacidade se satisfação dos sonhos individuais no amor.

Depois da morte e enterro dos Eu’s nasceu em nós outro crime, o crime de sequestro agravado, sequestramo-nos mutuamente, em cada saída, em cada refeição, em cada sonho, cada projeto. Sequestramo-nos mutuamente, vivendo um no outro em todo e qualquer momento! Escolhi Amar-te no dia em que velamos os nossos muitos eu’s…
 
Alberto Cuddel®
 

sexta-feira, 13 de novembro de 2015

Escolhi Amar-te XLII



No tempo, encontramo-nos num qualquer vão de escada perdido na memória, num diálogo surdo do silêncio do nosso olhar. Existem dias, existem noites que eu, que tu, como tantos eles, esquecemos que o amor, o ato decisório de amar dura apenas um dia e uma noite, nem mais, nem menos. Quero amar-te também em mim, recorda-me, acorda-me de mim próprio, das distrações egoístas onde tantas vezes me perco de ti. Lembra-me de te amar pelo menos até amanhã.

Quando ridiculamente penso o amor, em como te escrevo e inscrevo no verbo amar, sei que sou, amplamente e conscientemente ridículo, nas cartas que te escrevi, nas cartas que te escrevo, sei que sou e amo verdadeiramente ser ridículo, como ridículos são os que desistem conscientemente de amar. Vejo-me ridículo, mas não tão ridículo como os que fingem acreditar, que o amor nasce de uma paixão, assoberbada pelo efeito físico das dopaminas e endorfinas libertadas, pela paixão…

Escolher amar-te tantas vezes significa um ato egoísta de encontrar em ti partes de mim que eu próprio desconhecia. Amar-te tantas vezes significa doar-me de tal forma intensa que em mim apenas te encontro a ti.

Escolher amar-te é em si uma profunda blasfémia ao amor divino, é amar a Deus pela obra criada, pela perfeição do amor com que te criou, no narcisismo de crer, que Ele criou-te para que apenas eu pudesse escolher Amar.
Alberto Cuddel®

quarta-feira, 11 de novembro de 2015

Coisas


Coisas
As coisas da vida, não a vida das coisas
as coisas que parecem,
as que perecem ser coisas,
o tempo da coisas,
as coisa do tempo,
as coisas sem tempo,
o tempo sem coisas
as coisas que acontecem,
o que acontece as coisas,
coisas para todos os gostos,
os gostos das coisas,
a simplicidade das coisas,
as coisas simples,
as coisas complexas,
a complexidade das coisas,
as coisas, essas mesmas coisas, supérfluas,
mas que seria da vida sem as coisas,
mesmo quando a vida para
por uma simples coisa,
pela simplicidade da coisa,
por uma coisa simples,
pelo local onde a coisa
apresenta inusitadamente,
a beleza de uma coisa simples!
 
Alberto Cuddel® 
 
 
 

Bom dia!


A vida continua a brindar-nos
todos os dias com  milagres
mais uma vez e para espanto
de todos os pessimistas
O Sol, nasceu....
 
Alberto Cuddel®
 

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

Felicidade!

Felicidade
busca encanto satisfatório
insatisfeito humano ser
divino almeja poder
realizado, posso, quero, tenho,
no final apenas basta – Eu Sou!
Alberto Cuddel®
 
 
 
 

Escolhi Amar-te XLI



Cheguei, mas apesar de ter chegado, não me sinto pertencer ali, a sala vazia, ou apenas cheia de cadeiras vazias, vazias de gente, vazias de sentimentos, apenas vazias. De entre todas as cadeiras escolhi uma, na enorme dificuldade de se escolher uma cadeira numa sala vazia, nem muito à frente, não muito atrás, ali, fácil de entrar, fácil de sair, fácil de sair inclusive de mim, não pertenço a esta sala, vim, apenas vim, como num corpo programado para vir…

Cheguei, mas apesar de ter chegado, não me sinto pertencer ali, a sala, vai ficando preenchida, de rostos, ausentes, desconhecidos, distantes, sussurro ambiente de cochicho, como se estivesse velando algo morto, algo sem espírito, apenas presente na matéria, o ambiente esta frio, gelado e pesado, quase irrespirável, sinto-me comprimido na cadeira, essa que havia escolhido, de entre todas as cadeiras vazias…

Cheguei, mas apesar de ter chegado, não me sinto pertencer ali, a animadora vai papagueando palavras incompreensíveis, inaudíveis ao meu ser, eu não estou, apenas meu corpo se apresenta assim, vejo rostos sorridentes, mas ausentes de mim, longe, eu apenas viajo longe, longe desta sala cheia e tão vazia ao mesmo tempo, tão vazia de ti, tão vazia de mim…

Cheguei, mas apesar de ter chegado, não me sinto pertencer ali, meu corpo estava, mas o teu? O teu fez-me falta, senti-me perdido sem ti a meu lado, pois que sentido tem o que escrevo, se não foi por ti lido, ouvido, sentido… Hoje senti saudades de ti em mim…


sexta-feira, 6 de novembro de 2015

Escolhi Amar-te XL


A pernas que te levaram à presença do meu olhar, são as mesmas que hoje lascivamente se entrelaçam no meu corpo, deixando-me sem vontade de partir!

As vezes, é bom demorar com o olhar pousado em ti, como que adormecido nas formas de teu corpo, o amor pode ser silencioso, mas jamais deixar de ser físico, podemos amar-nos eternamente na entrega da alma ao corpo, nem que seja num mero toque na pele rugosa das nossas envelhecidas mãos. O amor é também físico, Amor é também pornografia!

Sabes o quanto amo amar-te também com os dedos, com os lábios, com a língua, com o olhar, com as palavras, as palavras são do mais erótico e pornográfico que pode existir. É essa despudorada forma de nos amarmos que nos sustem na distância física do amor num abraço.

Nas curtas metragens dos nossos sonhos, realizamos as mais loucas e eróticas fantasias amorosas, num telefonema fora de horas, um notívago despertar, e as palavras, essa eróticas e traiçoeiras palavras -despe-te, veste apenas uma gabardine e desce, estou a chegar, e quero amar-te longe daqui, em qualquer outro lugar. Amamo-nos, porque apenas temos vontade de o fazer, de o ser, na essência também amantes.

A chuva cai, também na rua, som que nos inebria, no embaciar dos vidros do automóvel, mecânicos ávidos de testar exaustivamente o sistema de suspensão, a tua voz doce, acentuadamente quente, no sabor salgado da tua pele, és sonho realizado em mim, sou em ti ator perfeito da loucura, é a loucura de nos amarmos, num tempo em que já ninguém se ama.

Nos dias em que nos encontramos, amamo-nos… nos outros, amamo-nos também, pois ao segundo olhar, prometi nunca mais deixar de Escolher Amar-te!
Alberto Cuddel®

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Escolhi Amar-te XXXIX



XXXIX


E se eu não te amasse, se tudo o que sinto não passasse de uma mera ilusão, de um engano? Se aquilo a que chamo amor fosse apenas uma dependência gerada por hormonas em sobressalto e por sinapses erronias na ligação entre neurónios, se a saudade fosse apenas a ressaca da ausência do teu corpo, na mera dependência de um orgasmo obtido em ti? E se aquilo a que chamo amor, fosse a mera dependência de ti, como parte nascida de mim pela mão direita de Deus?
Talvez possa ser, talvez seja ou não amor, talvez seja uma mera dependência orgânica, mas continuo a quer escolher Amar-te todos os dias, ou meramente a ser dependente de mim em ti.
Mas sei e disso tenho a certeza plena, daqui a pouco amas-me, logo que o meu corpo se desloque na direção da dependência do teu, logo que a minha alma, num esforço sobre-humano, eleve a carne na direção do lar. Sim sei que me amas, da mesma forma que eu mesmo não sabendo amo-te!
Pode não ser hoje, mas encontrarei uma fórmula científica para medir a decisão do nosso amor, mesmo que para isso tenha novamente que convocar Deus como testemunha primeira do ato da nossa dependência.
Gostava de te contar um segredo, um daqueles segredos românticos, de que as flores do nosso jardim apenas continuam a florir pelo amor que sinto por ti, mas  não era um segredo, seria apenas uma mentira romântica, as flores continuam a florir porque eu as rego, da mesma forma que te alimento, alimentando em mim a fome do amor e do desejo que sinto em ti, a cada dia de novo, e a cada manhã em que decido Amar-te!

Alberto Cuddel ®