domingo, 31 de janeiro de 2016

Porque me Amava XXIV


“…Nem imaginas a sorte que tens amiga em ter um marido como ele. Fosse o meu metade do teu.”

… Claro que imagino, mas não sendo ele perfeito, nem tendo nascido assim, existe nele também uma grande parte de mim. Sim “amigas” desdenhem, mas este está blindado em mim. Deus não mo entregou assim, Deus colocou-o na minha vida ainda incompleto, para que nos moldássemos um ao outro, para que em mim se completasse o trabalho iniciado pela sua mãe.
 
…não existe um bom marido ou uma boa esposa, existe um casal que se complementa, de nada vale, invejar a vida que temos, que nos concedemos  mutuamente, vida que foi e é em nós dialogada, concedida, negociada, uma relação é isso mesmo, uma relação, não uma imposição de vontades ou de sonhos, ninguém será como queremos, mas sim como aceitamos, da forma que nos moldamos às vontades, sonhos e desejos um do outro.
 
…posso ter um bom “marido”, mas é o que Deus me permitiu ter, ao qual me moldei e ele se moldou em mim, no amor que decidimos dar um ao outro. De nada vale tentar seduzir, como no passado o tentaram, pois nele tenho a minha vida, e já mais abrirei mão ou espaço para que isso aconteça.
 
Amo-me a mim, para nele investir todo o amor que lhe dedico, sendo eu a ganhadora na retribuição do amor que me dedica, pode ter nele muitos defeitos, mas em mim é o melhor marido do mundo, pois é meu, ele que me eleva à condição suprema de ser a sua melhor amiga, sua dedicada esposa, e sua mais lasciva amante!
 
M. Irene Cuddel®

 

sábado, 30 de janeiro de 2016

Porque me Amava XXIII


 

… Vivemos um no outro tão intensamente, que no pouco tempo que dedicamos um ao outro, do nada, num qualquer mal entendido, numa única palavra fazemos uma verdadeira tempestade!
 
…Continuamente na tua inevitável certeza e na tua inabalável logica da realidade, insistes em destruir por uma palavra ou gesto mal-entendido a harmonia do dia a dia. Sei que não és perfeito, que existe muita pressão sobre nós, mas peço-te não faças de mim objeto, onde sistematicamente descarregas a tuas frustrações.
 
Não é por falta de amor, ou por não te conhecer, mas entende-me amor, se a frustração e o cansaço se apodera de ti, o mesmo acontece comigo, nesses momentos devemos preferir o silêncio, por forma a não atirarmos palavras um ao outro das quais nos possamos vir à arrepender.
… por me amar, por te amar, sei que momentos como estes na vida que escolhemos irão sempre existir, mas no amor que te dedico, no amor que me entregas, serão sempre ultrapassados em nós, na reflexão continua do nosso espaço e do nosso tempo.
A exigente e responsável vida comum que vivemos, acarreta em nós responsabilidades, que muitas vezes trazemos para dentro de nós mesmos, é tão fácil gerir conflitos fora de nós no nosso dia a dia, e tão complicados de gerir na nossa individualidade comum. Mas Porque me Amava, Amo-te também em mim e por mim!
M. Irene Cuddel®
 
 

 

Porque me Amava XXII


 

..doí-me saber ausente do tempo, parco e gasto que nos roubam diariamente, Deus não deve usar relógio, o tempo que nos concede, do pouco todo se  aproveita.

…doí-me saber que te achas assim perdido, quase menino sem mim, onde depositares todo o carinho roubado e acumulado, na ausência que sentes de no tempo te encontrares em mim. Vivemos maquinalmente, cumprindo horários escrupulosamente ditados, reservando e preservando em nós apenas o descanso suficiente para não adormecermos eternamente.

Tenho saudades tuas, sabias, ainda te lembras de como é amar-me sem que o tempo nos comande a vida, sem pressa, sem relógio?

Ontem lembrei-me de me lembrar de ti, para que não esqueça em mim, na pressa do dia, de como és, como te fazes em mim, como foi o nosso segundo olhar, e as segundas palavras escritas a medo, duma adolescência longínqua!

Doí-me saber, que sem tempo, podes te esquecer de não me lembrar, deixando assim de decidir, que hoje ou amanhã, o tempo pode parar, sem que verdadeiramente te lembres que um dia me amas-te tão intensamente, que deixas-te de viver!

Amo-me mas sem tempo, esqueço-me também de mim, na doce saudade que mantenho acesa no teu doce desejo!

M. Irene Cuddel®

segunda-feira, 25 de janeiro de 2016

Porque me Amava XXI



 Porque me Amava XXI

Há dias assim, em que o facto de me saber amada em ti, com a plena convicção de que te sabes amado em mim, deixam pura e simplesmente de existir, são varridos da memória, por nada existir a recordar. Existem dias em que verdadeiramente nada existiu, chegamos, deitamos, dormimos, acordamos, tratamos da nossa individual exigência higiénica, trocamos maquinalmente um terno beijo, e simplesmente partimos.

Não sei se nestes dias sem memória existimos verdadeiramente, provavelmente não, são consequência profunda de profissões desgastantes, em que o corpo apenas suporta a mente, exausta, extenuada, são dias e dias de uma completa abstinência, nada existe, cumprimos apenas o plano laboral traçado, e que tudo corra pelo melhor até ao próximo descanso.

Não sei se chegamos a viver esses dias, provavelmente não. Hoje como ontem não vivemos, quem sabe, viveremos amanhã, no tempo que amanhã, o tempo nos dará, ou então no dia seguinte, ou nos outros dias que se seguirão.

Pois há dias, que serão nossos, dias que te darei a ti, dias que receberei em mim. Engraçado, mas a melhor prenda que oferecemos um ao outro é tempo, o tempo em que nos damos e nos entregamos. O nosso tempo, o tempo em nós, o tempo em que verdadeiramente formamos as memórias do passado.

Hoje não temos tempo, mas tempo houve, que mesmo com tempo, tu não o davas, eu não o recebia, até que chegou o tempo em que sem tempo, sentimos a falta do nosso tempo conjunto.

Hoje não temos tempo, nem talvez amanhã, mas teremos todo o tempo depois de amanhã!


M. Irene Cuddel®

domingo, 24 de janeiro de 2016

Na solidão do meu quarto!

Poema distinguido no grupo LLO Letras da Lagoa de Óbidos


N Na solidão do meu quarto
A Angustia de esta só em mim!


S Sonho em ti rios de prazer
O ordinariamente lascivo, 
L leigamente petulante
I imoralidade do desejo
D de te encontrar em mim
A ancorado no teu doce 
O ondulante e desejável corpo!


D dento do meu despido quarto,
O onde rebusco a saudade, sonho!


M mascarado de gente, rebusco nas sombras
E encontrar o teu abraço, entregar-me
U unicamente ao desespero da ausência!


Q querubim alado que me habita
U unge de mel o amargo fel
A agre e amargo deixado nos lábios
R regressa a mim, na perfeição dos tempos
T tolhe em mim a memória deixada 
O obvio acaso que de mim te levou!


Na solidão do meu quarto!


Alberto Cuddel® 


18/01/2016


Porque me Amava XX



Nunca és, foste ou serás perfeito, como qualquer outro tens defeitos, por mais que me esforce, que reclame, nunca deixarás a bancada limpa quando fazes o jantar, deixas a toalha do banho espalhada em qualquer lugar, tenho que te chamar vezes sem conta para o almoço quando escreves, mas mesmo assim amo-te.

Nem mesmo eu sou perfeita, mas na nossa esquisita imperfeição mundana, somos e existimos um no outro, sei que te vêem em mim, como me vejo em ti. Somos, docemente, diferentes um no outro, como alguém dizia, vocês são esquisitos, e somos, ou a nossa esquisitice deveria ser tão somente a normalidade do mundo?

Adoro a forma como me permites esconder entre os lençóis, como me aconchegas, apesar de não dormires – tu dormes tão pouco! devias descansar mais, mas esse teu vício da escrita não te larga!

Mas nesse teu vício és perfeito, permites-me descansar sem as másculas cobranças,- engraçado nunca tive que inventar uma dor de cabeça. Adiante, mesmo no cansaço após um dia, ou uma noite de labor diário, amas-me, confortas-me e acima de tudo aprendeste a escutar-me,- nem imaginas como é importante num homem saber escutar, e tu aprendeste a fazê-lo na perfeição, amo-te por isso, e quem sabe quando acordar, tenhas sorte? Apesar de tudo mesmo cansada também eu te desejo em mim, mas custa-me tanto mexer um dedo sequer, quanto mais o corpo todo nesses movimentos frenéticos que nos levam à loucura, peço-te, ama-me, mas não te mexas, deixa-me apenas dormir!


M. Irene Cuddel®

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Porque me Amava XIX

… não somos o amor que temos ou sentimos, mas o que fazemos , e que por e com amor realizamos, as barreiras e os tabus que por amor quebramos, somos a intensidade com que por amor nos damos e entregamos…
 
Esperei ser grande para a ti me entregar na plenitude do meu ser, quebramos a barreira, unimo-nos por amor no matrimónio, mesmo contrariando vontades, destruindo barreiras, confirmamos em nós o amor, não uma qualquer paixão arrebatadoramente juvenil, mas um amor adulto confirmado por Deus!
 
Hoje doí-me em mim, como em ti, a futilidade com que é tratada esta sagrada união, a futilidade com que se desfaz um amor comprometido, a futilidade com que se unem sem o compromisso de lutarem lado a lado pelo amor, doí-me que façam da fútil paixão o suprassumo da satisfação individual, centrada na sua própria satisfação na busca por uma ilusória felicidade.
 
Quebramos barreiras em nós, no comprometimento que tivemos um com o outro, educando-nos mutuamente no amor que sentimos, no amor com que decidimos entregar-nos um ao outro. Quebramos barreiras na nossa inocência juvenil ao decidirmos existir um no outro, descobrindo em nós prazeres, educando-nos na busca da entrega do prazer um ao outro, sem pudores, sem tabus, sem entraves linguísticos, sim sem entraves, falo de sexo, não fazer amor, isso como bem dizes, fazemos nos pequenos atos que ternamente entregamos um ao outro no nosso as vezes ausente cotidiano.
 
Vivemos em total e plena comunhão e entrega ao matrimónio que assumimos, tantas e tantas vezes conciliando, não abdicando, mas conciliando vontades e desejos, projetos, sonhos, porque nos amamos também um no outro. Não somos perfeitos, erramos, aprendemos, pedimos e concedemos perdão. E quando a vontade aperta e nos encontramos no espaço e tempo que a vida nos concede, “fodemos”, porque a vida são dois dias e amamos também em nós sem reservas os prazeres carnais!
 
Amo-me para que me ames na tua plenitude!
M. Irene Cuddel®

domingo, 17 de janeiro de 2016

Porque me amava XVIII

 

 
…És em mim memória de uma noite incompleta, és em mim acordar ausente do teu abraço, és em mim metade do ato de me amar a mim própria!
Deus confirmou-te em mim, para que fizesses parte de mim, mesmo quando acordo sem ti, sentindo a doce e amarga saudade, da tua voz, do teu abraço, do teu corpo no meu. Deus criou o Amor, e tantas vezes nos fez participar em provas, testou-nos até ao infinito, para que nele habitássemos na plenitude de nos amarmos por inteiro um no outro, mesmo que por breves instantes.
Amar-te é muito mais do que uma constante, é nas ausências que o cultivamos, é nas ausências que te fazes presente, é nas ausências que te sinto, no meu peito, na minha mente, gravamos em nós rotinas, artes, que nos tornam toxicodependentes da memória, que temos um no outro.
Fazemos Amor tantas vezes ausentes um no outro, pois sei que nos mais pequenos gestos, num olhar o lugar vazio a teu lado, eu sei que estou lá, no pensamento, eu sei que estou presente, até nos teus loucos pensamentos eróticos sou eu que o habito e os preencho na imensidão da tua fértil e poética imaginação!
Podes estar ausente de mim, mas estamos sempre um no outro, pois Deus nos brindou com o milagre de nos tornarmos uma só carne, habitando também numa só mente, num só coração.
Amo-te na saudade de te saberes amado também em mim!
M. Irene Cuddel®

sexta-feira, 15 de janeiro de 2016

Porque me Amava XVII

…a sintonia é algo que nem sempre é fácil de atingir!
 
Quantas vezes os ruídos do mundo nos impediram de nos sintonizarmos, quantas vezes não sonhamos o dia no mesmo comprimento de onde, dialogamos em linguagens indecifráveis e codificadas um ao outro.
Quantas vezes deixamos a nossa individualidade assumir o controlo dos desejos conflituosos em nós mesmos, atirando culpas de uma qualquer frustração um contra o outro, quantas vezes os teus projetos, os teus desejos, os meus projetos e os meus desejos entraram em rota de colisão com a harmonia pretendida?
 
Quantas vezes, entramos em conflitos desnecessários, agredindo-nos, como se fossemos donos da verdade, que apenas um de nós conhecia, balbuciando palavras completamente indecifráveis pelo outro?
 
E tudo isto, não pela falta de amor, não por não me amar a mim, não por não te amar a ti, mas por não nos amarmos um no outro, por não nos sintonizarmos, por não adquirimos ou por não empregarmos o mesmo dicionário. Hoje divergimos muitas vezes, tantas vezes queremos coisas diferentes, desejamos em momentos diferentes, mas hoje amamo-nos um no outro, hoje dialogamos na mesma linguagem.
 
Seja nas palavras, no olhar, num beijo, no movimento dos nossos corpos, hoje estamos sintonizados, hoje o Amor é em nós como um RDS, se perdemos a sintonia, o Amor faz da mesma uma busca automática, porque hoje Amamo-nos um no outro, porque nos amamos…
 
M. Irene Cuddel®

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Porque me Amava XVI


 
…no tudo ou nada que nos separa, está contido um pouco do tudo que nos congrega…
 
Ao chamar a mim o teclado para escrever algo, a indefinição apoderou-se de mim, hoje como tantas vezes em ti, nada tinha a dizer, nada em mim seria merecedora de referência, até tropeçar nesta tua afirmação contida num poema teu que li ao acaso. Hoje existe a verdade do tudo que nos separa, por força da ditas regras da organização social em que nos inserimos, despertei em mim do sono deixando-te dormir, despertando-te apenas num suave beijo, desejando-te um bom aniversario, como se isso em ti fosse possível.
 
Nesse beijo está contida a solidão do tudo que nos une, no chegar a casa e encontra-la ausente de ti, vazia, apenas contendo em si o fruto do nosso amor. Sinto-me vazia, neste momento onde me queria a teu lado.
Queria em mim escutar-te, sussurrar-te o meu dia, pois hoje, compreendo o teu silêncio passado, hoje sei o peso que contigo carregavas, pois hoje partilho-o contigo. Não é fácil, mas hoje partilhamos, o que antes era para um e para o outro entender, hoje comunicamos numa linguagem entendível e diagnosticável pelos dois.
 
…não queria ser como tu lamechas, mas… queria-te apenas aqui… lembras-te? Claro que te lembras, “nesse parco período em que nos encontramos no mesmo tempo, num mesmo espaço, num mesmo desejo, fudemos”. Sim julgo ser isso o que agora queria, sem restrições temporais, sem a responsabilidade do amanhã… nada… apenas te queria em mim, no combate feroz a esta fome que a saudade impõe…
 
…hoje, não como ontem, não como amanhã, hoje fica apenas a saudade de te amar apenas em mim, pois o mundo conspirou na totalidade contra nós… Mesmo assim Escolho Amar-te porque te amas a ti também em mim!
 
M. Irene Cuddel®
 

 

Porque me Amava XV



… como as perolas, revelei-me em toda a minha beleza, após o sofrimento atroz que produziste em mim…

Nem nos meus mais negros pesadelos sonhei sofrer o que sofri, no erro de sentir uma culpa em mim, mas não, não era eu a culpada. Foi em ti que encontrei a culpa, a leviandade com que cometeste erros, uns após outros. Nunca poderia suspeitar, que o meu cansaço, que o meu ligeiro afastamento, fosse por ti tão ignobilmente aproveitado, ou que simplesmente que te deixasses cair, nas malhas, nas teias, tão ardilmente tecidas e construídas à tua volta, por aves necrófagas que esvoaçavam sob a tua cabeça.

Fui traída, não no corpo, não no sentir, mas na alma, deixaste-te enfeitiçar pelas doces e disponíveis palavras, de quem sob ti orbitava numa pérfida capa de amizade, conhecendo-te nas letras que debitavas. Revelaste em ti a tua humilde pequenez de homem, tão perfeitamente imperfeito quanto a tua restante espécie…

Desenganem-se todos quantos suspeitam que no teu erro eu deixaria de ver em ti o que via, tornas-te grande, fizeste de mim ainda maior do que alguma vez suspeitei ser, ao te humilhares no erro, humildemente também o admitiste e imploras-te perdão, tornei-me maior ao em mim te conceder o perdão, não porque te amava, mas porque me amava a mim também em ti.

Em todos os erros aprendemos, eu aprendi, cresci, tomei-me atenta, não ao teu comportamento, mas ao nosso bem-estar. Atenta à decisão que assumimos de nos amarmos diariamente. Nesse erro crescemos, aprendemos, tornamo-nos mais uno, o erro não nos enfraqueceu, fortaleceu-nos…

Escolhi amar-te na tua imperfeição porque me amava…

M. Irene Cuddel®


Ps: obrigada a todas quantas almejaram tomar de mim, a minha vida, por nos fazerem mais humanos, por revelarem em mim, o lado mais belo, sedutor, superior, que uma mulher pode alguma almejar a ser. Hoje somos “casal maravilha”, não porque nascemos assim, mas por tudo o que nos uniu…


quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Do Nada!

Do nada…
Apenas quieto
Sem marcações
Partilhas, considerações
Nada, apenas palavras inquietas
Solitárias, vazias, paradas, quietas!

Sem qualquer chamada de atenção
Ilusão, despidas, amor, ou paixão
Apenas palavras, rimando sozinhas
Palavras grandes, medias, pequeninas
Sem conteúdo, sem nada, sem poesia
Desprovida de alma, cheia ou vazia
Será isto poesia, ou a partilha
Não vale pelo conteúdo mas pela vasilha?

Será o rótulo o importante?
O que chama atenção
Ninguém lê deveras o que escrito fora
Mas os olhos encontram tesão
Fisicalismo sem paixão
Apenas um chamamento corporal
Se assim fora, tudo vai mal…
Terrivelmente mal.
Quero ser poeta.
Não alguém que escreve o que não é lido
Mas alguém que dá tudo acabando vazio…

Alberto Cuddel®



terça-feira, 12 de janeiro de 2016

Porque me Amava XIV

…quantas vezes como hoje sinto que escolher amar-te todos os dias é em mim aceitar a saudade de não te ter a meu lado!

Quantas vezes dou por mim a divagar mentalmente em frases que ouço de muitas outras pessoas? A interrogar-me do porque de sermos e sentirmos em nós mesmos um Amor, um ser uno diferente de muitos outros que ouvimos? Sinto em mim, como sinto em ti o aperto de nos ausentarmos um do outro nem que seja por força da profissão. Ainda assim existem pessoas que reclamam tempo para si próprios, como se o estar junto fosse um fardo pesado demais para suportar.

Não que sejamos perfeitos um no outro ou um para o outro, sei que não somos, nem queremos ser, ou nos bastaríamos por nós próprios. Não somos perfeitos, mas é na nossa doce imperfeição que nos complementamos, que nos completamos. Mesmo quando és parvo, sei que me amas, talvez seja esse o nosso segredo, o nosso elo perdido, sabermo-nos amados nos pequenos gestos, sem grandes palavras ou demonstrações, sem que o tenhamos que dizer constantemente, como se fosse um ato de reconhecimento pelo nosso subconsciente de que amamos.

Pensamos um no outro constantemente, mesmo sem que nos apercebamos disso, pois todos os nossos projetos, pensamentos, ambições são realizados e sonhados dentro do sentir que nos une, são inteiramente comuns. Mas o que eu queria não era pensar em ti, ou saber-me amada, ou sentir saudades, apenas nos queria, aqui, agora… não te queria comigo… apenas que estivéssemos, com um tudo ou nada por fazer, com um tudo ou nada para ver, para dizer, apenas queria que estivéssemos.

E estando… tudo podíamos realizar um no outro… para nos amar-mos ou apenas…

Mas queria-te em mim…

M. Irene Cuddel®
 
 

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Escolhi Amar-te porque me Amava XIII


… O dia amanheceu como uma qualquer segunda-feira de um qualquer inverno, como se as 7:00 fosse hora de uma mulher acordar?...

… tocou o despertador? Mas isso lá é hora de acordar? Como se a essa hora eu conseguisse sequer articular uma palavra, as mulheres têm mau feitio ao acordar? Não, impressão tua. E logo hoje, primeiro dia de descanso após estes dias de trabalho… mas, existe sempre um mas, hoje também estás comigo. A custo, - demasiado custo, talvez por amor, ou por me sentir mal comigo mesma, arrasto-me para o banho, vens tu de seguida, - esqueçam, nada disso, mesmo apenas para tomar banho…

Começa a correria, tomar pequeno-almoço, deixar o filho na escola, e finalmente tempo para nós… ou quase! Entregar um documento numa repartição qualquer, fazer as compras para casa, trocar umas palavras na viagem… chegar a casa arrumar as compras…

… casa uma lastima, ninguém aguenta (por mais amor que exista), bem… partilhamos as tarefas domesticas, mudar as camas, graças a Deus ajudas-me, entre uma publicação e outra, na tua árdua tarefa de actualização das redes sociais que teima em manter. Esse teu vicio obtuso da partilha da escrita (que no meu silêncio também amo em ti)…

… depois a casa, o limpar, o arrumar, o larvar a roupa, o estender, o apanhar, o aspirar, o limpar o chão, pelo meio o almoço, e chega a hora de ir buscar o filho… e novamente o sair a um qualquer lugar, para comprar uma qualquer coisa que o filho necessita para o seu percurso escolar…

... e chega a passos largos a hora do jantar… tarefa que assumes, eu continuo nas minha assumidas lides, entre uma publicação e outra lá vais tu, actualizando os nossos perfis, que vicio(bendito, mas que não ouças)…

Finalmente o nosso tempo… o tempo em que reflectimos nos momentos em que durante o dia fomos fazendo amor nos pequenos gestos, quase imperceptíveis ao comum dos humanos, mas tão importantes para nós… mas agora, no fim deste dia quando temos todo o tempo do mundo, o tempo não nos tem a nós, não me tem a mim, pois o cansaço apodera-se do meu corpo… e nesse momento, nesse preciso momento, fazes amor comigo, adormecendo nos teus braços!


M. Irene Cuddel®


sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

Entrego-me


Como se eu do nada fosse
 perfume em que me denuncio
 flor de lotus em tua posse
 apaixonadamente por ti no cio
 
sou mulher, fémea, feitiço
 em ti enredo, teço, aperto
 laços sem dares por isso
 preso em mim sempre perto

em ti escrevo meus segredos
 ocultos desnudados de tudo
 teu corpo na ponta dos dedos

como se eu em ti existisse
 entre o parco luar meu escudo
 nele por ti apenas me despisse

 Alberto Cuddel®


Atreves te a sonhar o ontem

Atreves te a sonhar o ontem
 
Longe no horizonte o velho telhado,
Caído e derrubado como o tempo,
Fumegante braseiro arde em silêncio,
No ar cansado dormente do cão pastor,
Pastos despidos abandonados,
Chocalhos pendurados, imoveis,
Rebanhos extintos, ausentes,
E tu, sentado sonhando o ontem!
Alberto Cuddel®
 
"O choro do velho pastor", 1837, Landseer
 

Escolhi Amar-te porque me Amava XII





…sou convencia, sou ciumenta? Como posso não ser?

… Deus não me brindou com o teu dom, esse em que brincas com palavras, mas concedeu-me a mim a melhor parte, a de ser agraciada e musa do teu ser, a de ser escrita e descrita milhares de vezes em ti, de ser fonte, de ser sede, de ser alimento e fome ao mesmo tempo. Posso muitas vezes não te demonstrar, mas amo até à exaustão o que escreves, como escreves, como me inscreves nos textos, como nos retratas na fidelidade das palavras.

…mas confesso-me, arder em ciúme nos comentários, nas palavras que outras que te leem comentam, numa mistura atroz do que sinto, orgulhosamente amada por ti, escrita e reescrita vezes sem fim nas tuas palavras, e ao mesmo tempo, medo, da ilusão do brilho do teu olhar, na tua doce modéstia mesmo sabendo que és maravilhosamente bom no que escreves.

…quantas vezes ao rever os teus textos me deixo voar, sonho ser a musa que na realidade sou, desculpa-me por muitas vezes duvidar que realmente sou, que escreves por e para mim. Deus desculpar-me-á mas orgulho-me de ser amada e escolhida por ti todos os dias. 

… ser em ti, escolher amar-te sabendo-me amada é uma surpresa constante, é essa tua teia que me eleva a cada dia, lembro-me : “Não sei se um dia terei tempo para te amar para sempre, talvez dure apenas o suficiente para te amar hoje, e hoje como prova do amor que sinto, gritei o quanto te amava à pobre florista adormecida, para apenas te puder surpreender.” Coitada, não a acordes… mas sabe tão bem ser surpreendia…

… tenho ciúmes? Claro que sim… como não ter…

A cada dia escolho amar-te mais e mais também em mim, por que em mim te amas….



M. Irene Cuddel®

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Escolhi Amar-te porque me Amava XI


…Quantas vezes os planos para uma manhã plena de cumplicidade, partilha, e muita intimidade à mistura saem completamente gorados…

…acordas, na doce convicção de um manhã plena de sensualidade… pressa, um pequeno almoço a correr, o levar o filho à escola, o cérebro a mil à hora, eu, preparando-me, criando o pleno ambiente, aproveitando e convertendo o pouco tempo que nos dedicamos um ao outro por força das nossas atividades profissionais, queremos que seja perfeito este momento, proporcionado na plena conjugação de turnos.

…chegas…hummm, finalmente, quero-te aqui, agora, junto de mim… sonhamos, ansiamos este momento há dias, criamos uma sensual atmosfera, nas conversas que mantinha-mos, nas mensagens, nos bilhetes, espero-te, quente, ansiosa… vem…

… porra… mas que é isto, do andar de baixo, o ruido ensurdecedor de um berbequim, martelos, batidas na parede, como é possível, hoje, logo hoje, a nossa vizinha resolve entrar em obras… há dias em que o mundo conspira contar nós… nada, nem um sonho, uma vontade, um querer, nada se aguenta…

… podemos ter toda a vontade do mundo, toda a cumplicidade, todo o desejo, mas existem variantes, condicionantes fora de nós, que arruínam todos o projetos e sonhos… mesmo assim, apenas a compreensão, a boa vontade, e o muito amor, te mantém, eu sei amor… quem sabe amanhã, ou depois, aqui ou num sitio qualquer…

Amas-me e no teu amor amo-te, amando-me a mim também em ti!...

M. Irene Cuddel®
 
 

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Escolhi amar-te porque me Amava X

…lembras-te? Claro que te lembras, que tontice a minha, como podia o teu cérebro esquecer as palavras, as imagens? Quantas mensagens trocadas numa qualquer aplicação, elevando a libido, desejo, o querer?
…quantas vezes o teu corpo tremeu, elevou-se, desejou-me… em meras palavras propositadamente desconcertantes, ordinariamente e pornograficamente explicitas. Nas imagens que as acompanhavam, arrebatando para mim toda a tua atenção, fazendo-te desejar o reencontro com meu corpo mais que qualquer outra coisa na vida?
…cultivamos em nós, um desejo adolescente de um sexo proibido, de um encontro casual num qualquer lugar, apenas para matarmos uma fome de nós mesmos, uma sede que cultivávamos na abstinência do dia…
… hoje? Ficamos apenas por umas curtas mensagens, ternas, carinhosas, num: “ amo-te”; “cheguei”; “Bjinhos”; “estou a sair”; “já te ligo”…
Ai as saudades desse outo tempo, dessas outras mensagens explicitamente ordinária que nos desconcentravam, na fome do desejo que em nós cultivávamos, mas hoje a porcaria do teu telemóvel só recebe SMS…
Mesmo assim amo-te, porque me amo também em ti…
M. Irene Cuddel ®
 

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

Escolhi Amar-te porque me Amava IX

… há dias assim, em que nada acontece, em que o tempo segue o seu curso sem qualquer dignidade de registo, sem factos, sem qualquer memória digna de registo. Mesmo assim na absoluta normalidade indigna de qualquer mensurável registo, sinto-me, sabendo que me sinto, amo-me, amando-me amo-te também a ti, por te saber existir em mim, somos!
… mesmo sem memória, sem qualquer facto, sem ardentes desejos, sem paixões assoberbadas que nos retiram o folego, existimos um no outro, num simples beijo ao adormecer, num terno abraço ao acordar, num carinho na face, numa frase, num ”tudo correrá bem”; num “não te preocupes tanto”; sei que estás, sei que conto contigo, que estarás sempre ao meu lado.
… mesmo sem memória, é nesses momentos inglórios que mais te amo, por te saber sondando, indagando, compreendendo-me na tua bondade, o meu tempo, o meu espaço, mas sempre ali, ao meu lado…
Escolhi amar-te porque me amava, por saber que nesse amor, existimos, em todos os nossos momentos…
 
M. Irene Cuddel