domingo, 3 de maio de 2015

Especial Dia da Mãe (Portugal 1º Domingo- Brasil 2º Domingo)

 

Mãe!

Sacrossanto ventre que me gerou,
Sol da primavera no inicio da vida,
Fluidos do teu seio a mim alimentou,
Regaço seguro sem dormir noite e dia!
 
Mãos que me secam as fartas lagrimas,
Porto seguro para onde sempre corria,
Heroína de entrega e sofrimento,
Desde o nosso humilde nascimento!
 
Minha mãe, mulher primeira em mim,
Primeira paixão, meu primeiro amor,
Perfume de teu corpo gravado assim!
 
Voz que me embala, acalma e acolhe,
Colo milagroso de poderes curativos,
Mulher, mãe, em ti todo amor dos filhos!

Alberto Cuddel
03/05/2015
"Os dias seguintes" - 67
 


Exausto




Exausto,

Exausto me deito, me sento, me levanto,
Gritando silêncios de dor em alto pranto,
Visão distorcida uma sórdida humanidade,
Esquecida fora uma inócua e forte vontade,
De cuidar dos meus, dos vizinhos humanos,
Vida em mim, ideias de uns seres mundanos,
Sociedade corrupta, sem espirito, sem união,
Moral, humanidade, solidariedade, religião,
A morte espreita a cada esquina, a cada porta,
Podre sociedade esta que assim se comporta,
Sem dar a mão a seu irmão que morre no mar,
Não há preocupações ou se pode indignar,
Seguem a sua triste vidinha sempre assobiar,
Dos outros irmãos, sempre outro vai cuidar!

Até ao dia em que serás tu,
Sim um dia tu também vais precisar,
De uma mão, uma palavra, um pão,
Da força, da vontade de um teu irmão,
Ai recordarás, todas as vezes que disseste não,
Para meu irmão não tenho tempo para cuidar!

Será tarde, ainda há tempo, vê, escuta,
Faz, ama, ajuda, muda a tua conduta,
Podes não mudar o mundo, não ficara aquém,
Na tua ação mudarás também a vida de alguém!

Alberto Cuddel
"Os dias seguintes - 65"
 
 

sábado, 2 de maio de 2015

Um Minuto!


No silêncio da sala vazia,
Uma pancada fria e seca,
Uma culatra puxada atrás,
Um minuto a mais queria,
Na solidão da biblioteca,
Um minuto a mais terás!

Movimento perfeito,
De um ponteiro reto,
Um minuto, que fazer,
Pensamento esvoaçante,
Vontade de pensar querer,
Correr veloz ao passado,
Ao feito inconfessado,
Desliza ao sonho futuro,
Sentimento gélido e duro,
Ao quente e doce amar,
À ideia a concretizar,
Folhas soltas da memória,
Apresentadas como vitoria,
As imagens rodam reais,
Locais e coisas banais,
O teu olhar, o teu beijar,
O toque do teu desejo,
Quietude do teu escutar,
Em minhas mãos te vejo,
Perdida na saudade,
Desta louca ansiedade,
De um minuto restar!

Uma pancada fria e seca,
Uma culatra puxada atrás,
E o ponteiro avança!

E tudo de novo recomeça,
Um minuto, outra conversa!

Alberto Cuddel
"Os dias seguintes - 66"


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