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domingo, 3 de maio de 2015

Exausto




Exausto,

Exausto me deito, me sento, me levanto,
Gritando silêncios de dor em alto pranto,
Visão distorcida uma sórdida humanidade,
Esquecida fora uma inócua e forte vontade,
De cuidar dos meus, dos vizinhos humanos,
Vida em mim, ideias de uns seres mundanos,
Sociedade corrupta, sem espirito, sem união,
Moral, humanidade, solidariedade, religião,
A morte espreita a cada esquina, a cada porta,
Podre sociedade esta que assim se comporta,
Sem dar a mão a seu irmão que morre no mar,
Não há preocupações ou se pode indignar,
Seguem a sua triste vidinha sempre assobiar,
Dos outros irmãos, sempre outro vai cuidar!

Até ao dia em que serás tu,
Sim um dia tu também vais precisar,
De uma mão, uma palavra, um pão,
Da força, da vontade de um teu irmão,
Ai recordarás, todas as vezes que disseste não,
Para meu irmão não tenho tempo para cuidar!

Será tarde, ainda há tempo, vê, escuta,
Faz, ama, ajuda, muda a tua conduta,
Podes não mudar o mundo, não ficara aquém,
Na tua ação mudarás também a vida de alguém!

Alberto Cuddel
"Os dias seguintes - 65"
 
 

terça-feira, 24 de março de 2015

Ser Melhor!

Ser Melhor!


Pudesse eu sair a correr,
Por essas estradas da vida,
Chamar a cada um pelo nome,
Procurar-te a cada esquina,
Mostrar-te que só nada vales,
Que sozinho, não és ninguém,
Que só nos outros te realizas,
Que a felicidade não se encontra,
Não se procura, que se constrói!

Pudesse eu mostrar-te o Amor,
O quanto vale apenas viver,
Que não precisas sofrer,
Que juntos somos mais,
Que juntos somos melhores,
Que a caridade realiza,
Que a ajudar é amar!

Pudesse eu dar-me mais,
Pudesse eu ser mais,
Não bastam palavras,
Não bastam ideias,
É preciso sair, partir, realizar, fazer,
É preciso amar, alimentar, cuidar!

Que cada um de nós aceite ser,
Aceite crescer na humanidade,
Na sã e benigna solidariedade,
Que cada um de nós aceite o próximo como irmão!


Alberto Cuddel


sexta-feira, 25 de abril de 2014

25 perdido!

Nostálgica liberdade,
Pelo povo desejada,
Militares ensaiada,
Na rua conquistada,
Na voluntariedade de agir,
Esquecida nos pais,
Moribunda nos filhos,
Dos netos desconhecida!

Liberdade esquecida,
Que de consciência não se faz,
“Alguém” que por mim fará,
Aquilo que deixei de fazer….

Sangue novo saído,
Ao estrangeiro impingido,
Perdida a jovialidade,

Desta pobre liberdade!

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

As ideias que nunca te direi,

Soltam-se palavras rodopiando,
Articulam-se frases fervilhando,
Aprisionadas no emaranhado dos neurónios,
Configurando enfadonhas teorias em binómios,
Pares opostos na eterna dicotomia,
Amor ou ódio, o bem ou o mal,
Mas que mal isso me fazia,
Palavras soltas retiradas de um jornal,
Pobres ideias, discursos ensaiados,
Repetidos e gritados ate à exaustão,
Aprisionados e querendo sair,
Desta caixa de cinza massa,
Querendo ver a luz do dia,
Transformarem-se em sons,
Em articuladas orações,
Para de novo serem aprisionadas,
Debatidas, escortinadas,
Ideias essas aprisionadas,

Querendo apenas ser palavra….

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Ano Novo


Nasce tímido e sombrio,
O Novo Ano encoberto,
Sem esperança no futuro,
Nos impondo o velho casmurro,

Novas e velhas medidas,
Que nos retiram a qualidade,
Da nossa já sofrida vida,
Ai tempos idos, ai saudade,
Dessa outra verdade,
Que oculta se esconde,
Da leviana vida que vive o Visconde…
Que do alto do seu pedestal,
Nossa vida desgoverna,
Como meros trocos na taberna,
Nos rouba o pão nos impostos e tal…
Pobre vida a nossa,
Que mansos e sem revolta acatamos,
Estes desgovernos mundanos,
Desses outros estrangeiros,
Que são verdadeiramente os seus Amos….