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terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

Sonhando a paixão!



Repleto de memórias reais, vividas…
Nossos espíritos se acompanham num ritual sem tempo,
Nos confins da intima essência,
Lasciva atmosfera que nos prende,
Com tremendas aragens libidinosas…
Neste amor onde pairam rosas que se dissolvem,
Como espuma marítima, junto à praia..
Sonhamos enrolados de pétalas espremidas…

Gritando a colorida essência do prazer,
Sonhamos a noite com um único propósito…
A saudade,
Sinto tua falta como o ar que respiro,
Juntos formamos um só corpo, Sol e Lua…
Amor cego e luminoso,
Amor translúcido ao breve olhar…
Amor que nos faz viver,
Amor que dói, por não te ter,
Uma chama que consome o nosso espírito,
E nos leva à loucura…
Então uma lágrima de meus olhos nos teus rolou…
Lágrima que no tempo não perde o brilho,
Que pelo vento que nos separa, e faz sentido…
Nós condenados,
Que nos primeiros raios de sol,
Nos fundimos, nos tocamos…
Vivendo a eterna ilusão,
De sonhar a realidade,
Em ti que na noite sonho a verdade,
De te oferecer as palavras,
Ternas e meigas, que te libertam da saudade,
Amo-te!

Alberto Cuddel



sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Sonho corrido!



Poesia,
Gritos ecoam por entre neurónios entorpecidos,
Dormentes do cansaço, as palavras que rodopiam,
Doem mastigadas, impeditivas do repouso, do dormir,
Reescrevo vezes sem conta todos versos já escritos!

Palavras,
Seguem compassadas numa absoluta perfeição,
Nascem, uma após outra e seguem a sucessão,
Formando orações, frases, versos, poemas intermináveis!

Amor,
Combustível que me move, na vontade de seguir,
Elo inabalável da vontade de permanecer na união, 
Na total comunhão da alma, compreensão dos corpos,
Fio condutor da linha da vida, partilhada na imortalização,
Das palavras decididas, assumidas no desejo uno!

Queda,
Solidão momentânea na tristeza que inunda o ser,
Imobilidade, sem desejo, querer ou vontade,
De se mover psicologicamente para longe do abismo,
Curiosidade mórbida de entender a mecânica
Do passo em direcção ao nada!

Fuga,
Corrida a passos largos sem sair do lugar,
Escondendo fino desejo de parado ficar,
Tudo roda em tua inquieta permanência,
Apenas o sonho te leva para longe deste lugar!

Sonho,
Ai o sonho,
Se sonho durmo,
Se durmo descanso,
Se descanso posso parar,
Se paro para quê mais pensar,
Se não penso para quê mais escrever,
Intermináveis versos sem sentido, num sonho agora tido!

Alberto Cuddel

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Apenas uma rosa!



Por entre pétalas, nosso dias,
Preludio de noites esquecidas,
Momentos passados, eternizados,
Impregnados em tua pele,
Gravados no auge da loucura 
Memória? Sonho presente a cada hora,
Felicidade jurada, decidida a dois,
E eu quieto, aninhado no teu peito,
Desflorada madrugada, acordados no raiar,
E assim do nada, apenas abraçar,
Memória escrita, sofrida em nós,
Rosas do nosso longo viver,
Nascidas, forjadas, no duro caule
Verde na esperança, nos espinhos da vida,
Nas verdes folhas, de onde caem secas 
As daninhas, que o tempo apagou,
Até aos estames, apogeu do sentir,
Desfolhando pétalas sem fim,
Veludo da tua perfumada pele,
Frágil, carente, cuidada, amada!

Fada, que nos acolheu, aqui e ali cuidando
Podando, guiando, alguém desconfiando,
Pelos gnomos diabólicos que passando,
Infestação diabólica corrompida do passado,
Dias que agora escrevemos nas pétalas,
Que na vida vamos desfolhando,
E eu? 
Apenas carinhosamente aninhado no teu peito,
Porque no fim, no fim somos, como decidimos,
Somos a felicidade que fazemos!

Alberto Cuddel

Memória



Leio e torno a ler as palavras da memória,
De hoje, de ontem, passado sem esquecer, 
Memória em mim, que de ti escrevo, 
Os braços abertos que te esperam, 
O desejo, o vazio, a tristeza, erros, 
Agora passado, há sombra da lua, 
Novo tempo que construímos, 
Vida nova em nós, que abertos esperamos, 
Estrelas cadentes que te incendeiam o olhar, 
Desejo que desponta, numa palavra soprada, 
Sopro de vidas que percorre teu corpo, 
E do nada o ontem é passado, 
A cada dia de novo, decidido, amado, 
Conquistado, a felicidade nasce em ti, 
Em mim, na palavra que vive, 
Soprada a cada batimento no peito, 
Num coração que se ama... 
Eu me amo, para te poder amar,
Eu me entrego, para que te possas dar, 
Eu palavra viva... Eu decisão... 
Eu que escolho ser... 
Sou feliz na espera, 
Para o reencontro, 
Poder escolher a cada dia,
Voltar a escolher-te a ti! 
Para memória dos teus dias! 

Alberto Cuddel

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

A viagem, o meu lugar à janela!


Mais uma vez parti,
Uma viagem de ida e volta,
Levei amor, deixei saudade!

Sim parti, mas voltarei!
Não amanhã talvez depois,
Um dia quando sentires a minha falta,
Ai estarei a teu lado!

Olho à minha volta,
Uma solitária carruagem de comboio regional,
Lugares e lugares vazios,
Repletos de histórias
De amor, odio, paixão e guerra,
Guerras travadas na arrogância das palavras,
Amores de palavras suaves e cheios de hipérboles,
Figuras de estilo e figuras de estilo laçadas ao acaso,
Esperando o sorriso do impacto!

Pouco a pouco, meus lugares vazios vão ganhando vida,
Discussões acaloradas sobre futebol,
Os problemas domésticos,
Algures discute-se filosofia,
Ou a teologia dos leigos!
Do outro lado da janela,
Escuridão, reino das trevas,
Cintilam distantes no firmamento estrelas,
Alheias ao domésticos problemas,
Quem sabe se algumas delas
Já não fazem parte da nossa temporal realidade!

Fixo o meu olhar no outro lado,
Um rio! Seguindo meus passos
(ou os do ritmado rolar da carruagem)
Reflexos infindáveis de luzes,
Vão realizando um bailado
(não o dos cisnes, mas o da luz)
Subitamente,

O regresso das trevas,
Fixo-me nas confusas conversas
Da minha solitária carruagem,
Faço uma pausa,
Olho o infinito…

Quebra, algo me prende o olhar,
Uma menina, dessas das historias de adormecer,
Que ternamente se contam as crianças
A caminho do doce mundo dos sonhos.
Passeia-se pelo corredor,
Mostrando seu dotes de modelo profissional,
Na sua inocente imaginação,
O sujo corredor do fim do dia,
É uma famosa passerelle de Paris,
Espera os aplauso do publico,
(nós meros passageiros)
Sinto-me tentado a faze-lo,
Aplaudir sua beleza,
Não o faço, talvez por timidez,
Olha-me nos olhos
Toda aquela ternura de menina me invade a alma,
Um ataque súbito de timidez
Corre para os braços da mãe.

Sei que devia fazer algo útil,
Mas disparo palavras no papel,
Mas o meu pensamento voa,
Para o recente passado,
Penso nela,
Revejo como em filme todos o momentos,
Que ternamente hoje passamos juntos,
No meio de toda esta gente,
Estou só!

O cansaço abate-se sobre o meu corpo,
Os olhos pesam-me, sono,
Levanto-me passeio-me pelo corredor,
Pela passerelle da minha menina,
Olho à minha volta,
Na vã esperança que ninguém esteja a olhar,
E imito os seus passos,
Caindo no ridículo,
Sinto-me de novo criança,
A quem tudo é perdoado!
Minha pequena modelo me olha nos olhos,
E diz à mãe:
- vês, vês, aquele senhor também é modelo!
Felizmente a mãe não a ouvia resmungando com o marido!

Abro os olhos, sonhava, não abandonara o lugar!
Resta-me a saudade, voltarei um dia…
Para junto de ti, em nova viagem…
Em outro lugar junto à janela!

Algures na linha do Douro,
24 de Outubro de 1993

Alberto Cuddel

quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Tristeza absoluta!

Há momentos assim,
Do nada, sem que o desejemos,
É um dormir atribulado,
É um coração sobressaltado,
É a meio da noite ficar acordado,
É um acordar com o coração apertado,
Um sentir uma profunda tristeza,
Um não querer levantar,
Um apenas ficar sentado,
No silencio, na solidão,
É um vazio,
É uma saudade,
É querer gritar sem ter nada para dizer,
É querer tudo,
Sem realmente nada querer…

É estar apenas triste porque sim…


terça-feira, 26 de agosto de 2014

Solidão!


No vazio que é a tua ausência,
Faltam-me as palavras,
Palavras que ecoam no espaço,
Outrora preenchido por teu ser!

Árida memoria,
Faltam-me as palavras,
Definido pesar,
A dor do recordar,
Dos momentos,
Do prazer sem medida,
Da felicidade sentida,
Das juras, dos abraços,
Dos medos, dos sonhos,
Dos projetos…

Faltam-me as palavras,
Preenchendo o vazio,
Deixado por tua ausência!







quarta-feira, 23 de abril de 2014

Subtraído...

Esvaziaste inteiro todo meu ser,
Arrancaste o que melhor havia em mim,
Deixaste-me sombrio e vazio,
Sombra do homem que outrora fui,
Roubado que foi o sonho da vida,
O Amar alguém sem medida,
A caminho de um destino incerto,
Caminhando a direito levado pela vida,
Sem vontade, sem destino, sem projectos,

Sem desejos, sem sonhos…

segunda-feira, 24 de março de 2014

Noite!

Solidão da noite,
Escuro e frio silêncio,
Quebrado pelo vento,
Trazendo memórias a Luz,
Truz, truz…
Vai-te discórdia,
Vai-te indecisão…
Percorro tábuas soltas da ponte,
Um ranger de sofrimento,
O frio, o vento,
O som do cata-vento,
Vai-te noite, solidão,
Afasta de mim o pensamento,
Agua gélida, tropeçando nas pedras,
Correr corre sem parar,
Ora depressa ou devagar,
Lá vai ela em direção ao mar!
Noite fria de solidão,

Deixou gelar meu … 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

As ideias que nunca te direi,

Soltam-se palavras rodopiando,
Articulam-se frases fervilhando,
Aprisionadas no emaranhado dos neurónios,
Configurando enfadonhas teorias em binómios,
Pares opostos na eterna dicotomia,
Amor ou ódio, o bem ou o mal,
Mas que mal isso me fazia,
Palavras soltas retiradas de um jornal,
Pobres ideias, discursos ensaiados,
Repetidos e gritados ate à exaustão,
Aprisionados e querendo sair,
Desta caixa de cinza massa,
Querendo ver a luz do dia,
Transformarem-se em sons,
Em articuladas orações,
Para de novo serem aprisionadas,
Debatidas, escortinadas,
Ideias essas aprisionadas,

Querendo apenas ser palavra….