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domingo, 3 de maio de 2015

Exausto




Exausto,

Exausto me deito, me sento, me levanto,
Gritando silêncios de dor em alto pranto,
Visão distorcida uma sórdida humanidade,
Esquecida fora uma inócua e forte vontade,
De cuidar dos meus, dos vizinhos humanos,
Vida em mim, ideias de uns seres mundanos,
Sociedade corrupta, sem espirito, sem união,
Moral, humanidade, solidariedade, religião,
A morte espreita a cada esquina, a cada porta,
Podre sociedade esta que assim se comporta,
Sem dar a mão a seu irmão que morre no mar,
Não há preocupações ou se pode indignar,
Seguem a sua triste vidinha sempre assobiar,
Dos outros irmãos, sempre outro vai cuidar!

Até ao dia em que serás tu,
Sim um dia tu também vais precisar,
De uma mão, uma palavra, um pão,
Da força, da vontade de um teu irmão,
Ai recordarás, todas as vezes que disseste não,
Para meu irmão não tenho tempo para cuidar!

Será tarde, ainda há tempo, vê, escuta,
Faz, ama, ajuda, muda a tua conduta,
Podes não mudar o mundo, não ficara aquém,
Na tua ação mudarás também a vida de alguém!

Alberto Cuddel
"Os dias seguintes - 65"
 
 

sábado, 28 de fevereiro de 2015

Roubo, a intelectualidade perdida!


 
Estamos  intelectualmente falidos,
Dando, usurpando e partilhando,
Sem produzir conteúdo próprio!
Com medos e receios de nos darmos conhecer,
Por nossas palavras, sentimentos, ações e saber,
Sabendo que errado é o contrario de certo,
Fazendo de nossa vivência terrena um livro aberto,
Iluminando o negro sentir, deprimidas palavras!
Palavras soltas, atiradas, arremessadas num mural,
Minhas, tuas, sem copias, originalmente sentidas,
Fingindo sentir, o que a realidade obscura oculta!
Nisso já não tenho pudores, com as palavras brincando,
Me dando a conhecer, vou com outros sonhando,
Que com prosas e versos meu mundo vai mudando!
Alberto Cuddel
 
 

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Assobiar para o lado!

Em quantos dos teus irmãos viste,
Publicado um surdo grito de socorro?
E continuas a assobiar para o lado?
Quantos do teus amigos te enviam sinais,
Pedidos de socorro desesperados,
E tu segues inalterado o rumo traçado!
E tu? Quando pedires, quando gritares,
Quando estenderes a mão em sofrimento?

Que esperas encontrar?