segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Correndo Parado!

Corrida veloz escondida do tempo,
Pedras em que tropeças no caminho,
Sono velado, no adormecer desejado,
Luar desejado, na distante ausência,
Aqui fico, olhando,
Querendo nela cruzar,
Com o teu longínquo olhar!

Volto a correr sob a primaveril enseada,
Na chegada triunfante do teu despertar,
Raio de sol iluminado teu suave rosto,
Perfume intenso do desejo da noite!

Assim estou entre o constante movimento,
E contemplando, completamente absorto,
O momento, a imobilidade do ficar parado,

Olhando, correndo, parando  vivendo o momento!

Assim navego a saudade!

Assim é!
Quando a saudade aperta,
Deito e adormeço
Sonhando içando a vela,
Partindo por mares de loucura,
Na doce e terna candura,
De sonhando te encontrar,
Nesse outro longínquo mar,
Onde me esperas segura,
Que um dia ao amanhecer,
Finalmente na verdade,
Nos possamos tocar e ver,
Acabando com a saudade!

Parti de longe para te encontrar,
Na espuma das ondas, no cheiro do ar,
No som da maré, deste lado do mar!

Assim estou, navegando a bolina,
Me libertando envolto em neblina,
Quebrando amarras ao passado,
Que me prendem deste lado!

Me espera ardentemente no porto,
Onde quero chegar, minha barca atracar,
Para jamais voltar a partir, para jamais navegar!




A Fome

A Fome…
A fome ousada de te possuir a alma,
O querer, o forte desejo crescente,
Um querer alucinantemente ardente,
A sede de ter em mim tua vontade,
Tornar nossa fome única, partilhada,
Unir nossas mentes na forte paixão!
Assumindo o risco, sem receios,

Entrega, mutua, consentida, desejada!


terça-feira, 7 de outubro de 2014

A verdade da mentira,


Prefiro uma verdade que dói,
Do que uma mentira que constrói,
Pois tudo o que é edificado na mentira,
Sempre irá cair, não ira sobreviver,
Já tudo o que nasce na verdade partilhada,
Não pode ser destruído, assim edificado o sentir,
Na plena consciência que juntos podemos construir,
A plena união, no amor, na verdade, na paixão,
Na saudade, na confiança, no desejo,
Na esperança, de um dia por mais que demore,

Nos unirmos como um só!

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Vazio!

Porque hoje decidi,
Não mais ficar vazio de ti,
Arrancarei do meu peito,
O vazio que me devora,
Preenchendo-o comigo próprio,
Criando espaços de acolhimento,
A uma nova forma de vida,
Abdico deste longo penar,
Não mais,
Não mais quero assim caminhar,
Com um vazio que me prende,
Que me consome por dentro,
Que me arrasta para a destruição,
Que me faz definhar,
Que me devora…
Decidi abrir esse espaço…
A quem nele quiser entrar…

Decidi deixar de o manter vazio…

quinta-feira, 2 de outubro de 2014

Saudade!


Do nada assim fiquei,
Quieto chorando no meu canto,
Sentido saudade, de uma palavra,
Um sinal, sentindo a falta de ti,
Quieto imóvel, neste local frio e gelado,
Por não poder falar, por ficar calado,
Na solidão arremessada e devassada,
Pela hipocrisia de uns, outros sofrendo,
A angústia da ausência, da forma escrita
Dedilhada, musicada, da palavra,
Saudade é isso que sinto, por amar,

Quieto nesta esquina esperando o tempo passar!


quarta-feira, 1 de outubro de 2014

A lente,


Onde corre a imagem,
Retida, memorizada, guardada,
Eternizando o momento gravado nos sentidos,
Assim olho recordando o sentir,
O abraço, aquele abraço,
Que te envolveu o corpo despido,
Seguro, firme, percorrendo o teu corpo,
Num sopro de puro prazer,
O aconchego, o toque, na envolvência da seda,
O beijo, aquele beijo na nuca,
Sustendo a respiração,
A corrente gelada que teu corpo percorreu,
Fazendo ferver teu sangue, no desejo por mais,
Sons, a memoria do gemido, da respiração,
A visão, ajoelhando, beijando teu ventre,
O sabor, doce, quente, revigorante,
O movimento, a sincronização da batida,
Do pulsar, cúmplices, se deixam partir,
O delírio sincronizado, explosivo, gemido, gritado!
A memoria, todo sentir, aqui gravado,
Na corrente da porta, na luz que me aquece,
Numa pena caída, de seda sentida,

E a lente, que me devolve teu nome, no meu olhar!